quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Amor antigo



O meu amor por ele é coisa antiga. Na oitava série, bem me lembro, eu sentava perto da janela e lá fora, eu o via, o observava e o sentia. Viajava sem sair do lugar, apenas percebendo-o. Na volta pra casa, percorria um longo caminho, e lá estava ele, muitas vezes presente, acompanhando-me. Passava por mim e atravessava o meu corpo sem sequer notar que me chacoalhava internamente. Mexia com meus instintos e perturbava a minha lucidez, sem o mínimo de esforço. Totalmente envolvida por ele: assim eu sempre me senti. Cada pedacinho, cada célula. Corpo, mente, alma, vísceras. Embebidos naquela sensação. Quantas vezes eu não fiquei na janela de casa somente para vê-lo passar! Quantas vezes eu demorei a adormecer ou demorei a levantar da cama só para ouvir o seu som! Em quantos invernos rigorosos eu estava lá, de meias e roupa de pijama, com uma caneca de café quente nas mãos e cabelo bagunçado, acordando para um novo dia e olhando-o na janela. Ele sempre foi bem-vindo, mas eu preferia assim, no início, bem no início da manhã. Todo o barulho adormecido, o ar revigorado pela ausência do sol, o cheiro úmido dizendo a mim que o dia era só meu... era assim que eu gostava de vê-lo passar. O mundo em silêncio e ele impondo o seu som. Éramos só nós dois. Eu, a dona daquele momento. Ele, o meu grande espetáculo. Por vezes, arriscava-me a vê-lo na pele, na carne, na cara e na coragem. Sem a barreira transparente de janela entre nós. Lá fora. Só eu e o vento. O nosso momento.




domingo, 25 de dezembro de 2011

Recesso pessoal



Estou há tempos querendo escrever aqui. Eu gosto, eu preciso, me faz bem. Mas ando em uma fase introspectiva (ainda mais). Ando em uma fase de poucas palavras. Ando em um "recesso pessoal" de fim de ano. Acontece que o ritmo natalino e de festas e mais festas não coincidiu com a minha fase atual. Mas está tudo certo, o natal foi e está sendo bom, ao lado da família e dos meus filhos, e é isso o que me importa. Apesar da preguicinha biológica por aqui, estou muito animada e com muitos planos para 2012. Planos inéditos, projetos cuidadosamente elaborados e prontinha para alçar voo. E, no mais, apesar dos planos, dos cálculos e das estratégias, também quero contar com o acaso. Porque deixar fluir também é mágico e gostoso. E não, não quero me privar de ser levada ao sabor do vento. Então, é isso... ando quietinha aqui, com meus botões. Trabalhando muito até o fim de janeiro, quando entro em férias. Mas sossegada, felizmente melancólica (sim, é possível) e empolgadíssima para as boas novas que virão. Inevitavelmente virão. Não sei se volto a postar antes do ano novo, por isso já quero desejar, de coração, um 2012 maravilhoso para vocês que me leem por aqui, viu? O meu vai ser, no que depender de mim (e a gente sabe que na maior parte das vezes depende mesmo). Espero muito, muito, muito que por aí seja também.


Descanso do natal, porque eu mereço.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Umas verdades



Oi, prazer, eu sou a Mirella e não me escondo atrás de máscaras. Não sou perfeita e nem estou perto disso. Não tenho pensamentos santos o tempo todo e todos os dias eu erro um pouquinho, no que quer que seja. Sabe os sete pecados capitais? Eu cometo todos. Não falo o que você quer ouvir, não rio se não tenho vontade. Não concordo, se não tenho a mesma opinião. Não faço tipo e detesto joguinhos. Sabe essa pessoa aqui do outro lado? Talvez você a conheça pessoalmente, talvez não. Talvez você goste dela, talvez não. Eu não me importo. Juro que não. Acho a verdade coisa linda de se ver. Deve estar estampada na cara. SEMPRE. Nua, crua, com cores vivas que parecem que sairão gritando a qualquer momento. É a condição pra ter meu afeto e pra fazer parte dos "meus". Comigo é cara limpa. Comigo as cartas têm de estar na mesa. Não gosto de indiretas, acho coisa de moleque. Está incomodado com algo? Fala, sem rodeios e sem blablabla. Educação e respeito? Sempre, mas com verdade de acompanhamento. Ou então, engole essa tua verdade enrustida e me erra.

domingo, 18 de dezembro de 2011

She will be loved








Beauty queen of only eighteen, she

had some trouble with herself
He was always there to help her, she
always belonged to someone else

I drove for miles and miles
And wound up at your door
I've had you so many times
But somehow, I want more

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay a while
And she will be loved 

Tap on my window, knock on my door
I want to make you feel beautiful
I know I tend to get so insecure
It doesn't matter anymore

It's not always rainbows and butterflies
It's compromise that moves us along
My heart is full and my door's always open
You can come anytime you want

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay a while
And she will be loved - 

I know where you hide
Alone in your car
Know all of the things that make you who you are
I know that goodbye means nothing at all
Comes back and begs me to catch her every time she falls

Tap on my window, knock on my door
I want to make you feel beautiful

I don't mind spending every day
Out on your corner in the pouring rain, oh
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay a while
And she will be loved 
Please don't try so hard to say goodbye

(Maroon 5)


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Descobre...



Chuva intensa e gelada. Caía verticalmente, sem vento nem brisa, típica daquele verão que açoitava a cidade em janeiro. Os dois corriam lado a lado, procurando abrigo em local seco. Ele gritou e sorriu enquanto corria, tentando ser ouvido em meio ao barulho da água:

-Eu te dou casa, comida e roupa lavada, gata!

(-Mas que cantada de moleque! Ela, pensou.) E disse, também gritando e sem diminuir o passo: 

-Ah... e será que tu serias capaz de me dar o que eu realmente quero?! E caiu na gargalhada, em tom de desdém!

-Gata, me diz o que tu quer! Sou capaz de muita coisa por ti!

Ela sorri e congela por dentro, sem conseguir entender a própria reação: 

-Hmmm... - Tentava dizer algo, mas antes de ter tempo de organizar o pensamento, ele a puxa pela mão:

-Shhhh - Ele diz, ao mesmo tempo em que a encosta num muro próximo e pressiona o seu corpo contra o dela.   Tirou uma mecha de cabelo molhado que lhe tapava a face esquerda e a beijou com suavidade, como se estivesse beijando algo muito frágil. Um, dois, três beijinhos suaves na bochecha. Olhou nos olhos dela e beijou-lhe a boca, agora com força, com vontade, pressionando ainda mais o seu corpo contra o dela. Ela cede e beija também, sentindo suas pernas amolecerem e o corpo dele pesar, aquecendo, aconchegando, excitando o seu. A água gelada que caía em sua pele contrastava com as mãos e o corpo quente dele, de modo que ela não conseguia mais raciocinar.

-Me diz, gata. O que tu quer? - Ele dizia, sussurando no ouvido dela e beijando-lhe o pescoço.

-Eu... (ela tentava dizer, sem êxito). Sentia a língua dele acariciando seu pescoço e as mãos masculinas percorrendo a lateral do seu corpo. Perna, virilha, barriga... seios. Ele apertou um dos seios, com firmeza e suavidade. Seguro de si. Louco. Louco por ela.

-Des...cobre... por favor, descobre... - Foi só o que ela conseguiu sussurrar.





A moça


A moça tem 29 anos e o seu nome, sinceramente, não tem importância. Ela é muito bem casada e tem uma filha pequena. A moça, há 6 meses atrás, era linda, cheia de vida, trabalhava, cuidava da casa, da filha, do marido. Era inteligente, simpática e feliz. Aí a moça começou a se sentir mal. Uma febre leve, um mal estar. "Uma virose", disse o médico. Continuou seus afazeres diários, mas passadas algumas semanas, nada da febre sumir de vez. O médico sugeriu algumas vitaminas, uma alimentação mais saudável e "tchau-e-benção". Sem perceber, estava emagrecendo. Cinco quilos no primeiro mês. Mais cinco quilos no segundo mês. Começou a ter dispneia aos pequenos esforços (vulgo "falta de ar"). Bateria de exames. Sangue, urina, fezes. Nada de errado. Vinte quilos perdidos em seis meses. Sem explicação. Ela, que era linda, estava parecendo anoréxica. Sabe-se lá o que fez com que o médico solicitasse uma radiografia de pulmão. Gelou ao ver o exame. Nódulos em estado avançado. Biópsia solicitada. Câncer de pulmão. Em estágio muito avançado. Irremediável. Intratável. Fatal. Internou-se há uma semana. Perdeu mais vinte quilos nesses sete dias. Não, vocês não gostariam de vê-la. Uma risada mais forte, um choro mais intenso ou algumas falas mais demoradas já são o suficiente para que a respiração lhe falte e para que um líquido seja regurgitado. Os médicos falam em dias. "Meses" é tempo demais. A filha faz três anos dentro de dez dias. E eu... eu me limito a narrar a história. Não tenho o que comentar a respeito. Nem sei por que escrevi. Talvez pra mim mesma. Refletir? Orar? Revoltar? Repudiar? Não sei.  

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Recuo



Sinto o início de uma nova era. Pressinto o surgimento de novos ares, novas pessoas, novos cheiros, novos lugares, novas comidas, novos amores, novas delícias. Vejo a manutenção apenas da minha essência. E vejo mudança de hábitos. Vejo flores coloridas, vejo neve clara. Vejo vida de verdade. Vejo cultura, informação, tesão. Vejo amor, carinho e cuidado. Eu sinto, eu percebo, eu calculo e não tem como errar. É só observar com atenção. Em silêncio. Você percebe o recuo. Não  confunda, não é regressão. É impulso. Como a rasante da maré anunciando o tsunami. Como um atleta que se prepara para saltar. Eu sinto o cheiro. Cheira a terra molhada, cheira a início de chuva, cheira a maresia, cheira a café... Eu sinto o silêncio no ar. Silêncio que fala. O vento grita e anuncia a mudança. É uma explosão iminente. Vai... vai acontecer. E eu choro. Choro um choro compulsivo, triste e saudosista. Por um passado que se foi. Por toda uma bagagem velha, gasta e empoeirada. Por todo um apego idiota que sinto pelo antigo. Choro para lavar a sujeira do que já era pra ter ido. Choro porque percebo que findou. Choro até que as lágrimas terminem a limpeza. E reajo. Reajo em silêncio. Recuo, recuo muito. Sinta medo...  o impulso será maior do que imagina.







quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Eu vou




Não gosto. Definitivamente, eu não gosto de sufocar meus sentimentos bons. E pretendo não ter que fazê-lo repetidas vezes na minha vida. Deixem que eu ame! Deixem que eu deseje! Deixem que eu pire! Deixem que eu queime, que eu arda, que eu seja deliciosamente consumida pelo tesão. Eu quero vida de verdade. Quero crise de riso, quero abraços apertados, quero lágrimas de emoção, quero realizar sonhos profundos, quero olhar nos olhos e dizer: eu não acredito que isso está acontecendo! Quero banho de chuva, quero tempestade, quero ventania cortante, quero o cheiro de café pela manhã, quero ler embaixo das cobertas, quero mais! Deixem que eu fale, escreva, grite, ligue, chore, ria, emocione. Eu decidi: eu vou. Como se estivesse pisando em ovos, sempre. Mas vou. Parar será sentença de morte. Não vou parar. Vou... e vou com o coração na mão direita, pulando como peixe fora d'água. Com a adrenalina correndo nas veias. Com o sorriso estampado na cara. Euforia e desespero. Eu vou, eu sempre irei. Os segundos correm, não dão trégua. E quem disse que eu darei trégua aos segundos?  Vou lutar enquanto respirar. Mais do que viver fisiologicamente, vou viver verdadeiramente. Vou sentir. Vou sentir absurdamente! Não tente jogar água no meu fogo, você não é capaz! Eu quero gasolina. Eu quero explodir em sentimento. Eu quero vida incandescente! Eu quero queimar. E eu vou conseguir... Eu quero e, mais do que isso: preciso.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Trabalhar, trabalhar...


Eu sempre saio pra trabalhar bem cedinho, lá pelas seis e meia da manhã, já que começo a trabalhar às sete. Na maioria das vezes, as crianças ainda estão dormindo. A Maria é uma criança super apegada a mim. O João também é, mas como ele já está grandinho, dorme feito uma pedra (como o pai) e acorda numa boa. Mas a Maria não. Se ela acorda, geralmente ela chora e me chama, quer que eu deite do lado e me abraça pra poder voltar a dormir. E um dias desses ela acorda NA HORA em que eu estava saindo pra ir trabalhar. Eu, mesmo mega atrasada, não tive outra alternativa, tive que ir lá. Ela percebeu que eu estava de saída e, aos prantos, começa a falar:

-Mãããããe, não vai pro teu trabalho!!! (lágrimas, muitas lágrimas)

-Mas a mãe tem que ir, filha! Senão a chefe da mamãe não vai mais querer que a mamãe trabalhe lá!

-Nãoooo, mãe... não vai pro teu trabalho! (choro, muuuuuito choro)

Não tive outra alternativa. Tive que apelar:

-Mas, Maria... se a mamãe não for, a mamãe não vai mais ter trabalho... Não vou mais poder ir ao mercado comprar as coisas que tu gostas de comer, não vamos mais poder ir ao cinema nem ao shopping, não vou mais poder comprar roupas pra ti, brinquedos... Nem a escolinha a mamãe não vai mais poder pagar... Hummm, pensando bem, Maria... dá um espacinho aí, não vou trabalhar, não. Vou ficar aqui deitada com você!

-... (Maria pensativa, sem choro) ... (Choro recomeça) Nãããão, mãe! Vai JÁ pro teu trabalho! (Apontando com o dedo pra porta do quarto). -Vai  já! Rann!! (Bico!)

Rá! Essa aí é esperta, viu? Aprendeu rapidinho o valor do trabalho. Não é à toa que saiu de mim, rs. Óbvio que, pra mim, meu trabalho vai além de dinheiro (até porque não ganho muito). Existe a satisfação pessoal que tenho com minha profissão. Mas, sério: não ia colar esse argumento com uma menina sonolenta de quatro anos. 

Nesse dia, mereceu até um presentinho na hora do almoço. E, o principal: muitos beijos, abraços e "ataque de cócegas" (mas não muito, porque senão -eu faço xixi, mãe- hahahaha)


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sintoma como diagnóstico. Até quando?



Caro Dr. ortopedista,

Gostaria de pedir humildemente a você um pouco mais de atenção ao preenchimento das requisições para o atendimento de fisioterapia. Em especial ao item mais importante para nós, os fisioterapeutas: o diagnóstico médico.
Todos sabemos que para um tratamento fisioterapêutico adequado é necessário saber exatamente qual o diagnóstico médico do paciente. Eu sei que você tem ciência do que direi a seguir, mas sempre é bom ressaltar: sintoma NÃO é diagnóstico. Lombalgias, ciatalgias, cervicobraquialgias, edema de membros inferiores, fraqueza muscular de membros superiores... Tudo isso são sintomas. Algo está causando esses sintomas. O que está causando esses sintomas, doutor? Uma lombalgia pode ser desde uma desordem musculoesquelética até um tumor. E os tratamentos, dependo do diagnóstico, são totalmente opostos. Eu não posso tratar dor, edema, fraqueza e limitação funcional se eu não sei a causa dos mesmos. Peço, por favor, mais atenção a isso. Não aprendi na faculdade a utilizar a bola de cristal.

Atenciosamente (e pacientemente),


Mirella R. de Oliveira


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ou mergulhe ou nem molhe os pés!





O problema não é mergulhar fundo. Eu sou dessas que só mergulham, se for pra ir a fundo. E com uma pedra pesada amarrada ao pescoço (mas com nó frouxo, porque sou precavida... e vai que me falte o ar e eu precise desatar?). O problema de mergulhar, é que nem sempre se pode saber se o local é raso. Certifique-se. Eu, quando percebo que é profundo, quando sinto a frescura da água fria tocando-me os pés em convite, não resisto: tapo o nariz, fecho os olhos e vou! Não consigo não entrar com corpo, vísceras e alma. Não importa no que seja. Não gosto de quem molha só os pés. Quem não mergulha faz mal feito. Detesto o mal feito. Detesto profissão mal aprendida, relacionamentos mal resolvidos e criança mal educada. Se for pra fazer, doe-se! Se for pra aprender, meta a sua fuça! Se for pra educar uma criança, dê o seu melhor. Se for pra conquistar, conquiste! Já que está na beira da água, aceite o convite: mergulhe, sem medo! Com o coração na mão, debatendo-se de tanto palpitar. Mas, cuidado: certifique-se da profundidade do ambiente. Mergulhar no raso, por vezes, é fatal. Se não o for, que bom... Mas que existirão escoriações que permanecerão por um bom tempo, ah existirão.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Cinquenta e dois


Essa é a nova idade dele. Hoje é aniversário do meu pai, e é tão difícil falar dele! Meu pai é tanta coisa na minha vida... Meu pai é meu amigo, meu protetor, meu incentivador, meu exemplo. Eu, como filha única, posso dizer que não fui mimada. Eu fui amada. Ele leu pra mim, ele me embalou pra dormir, ele me comprou Gibis da Mônica, ele me fazia cócegas, ele cuidou da minha febre. Fui protegida, sim. Mas fui repreendida quando necessário. Meu pai me deu limites. Ele ia me buscar na casa do namoradinho (que raiva que eu ficava). Ele me ligava e me mandava voltar pra casa "já"! E ele me deu incentivo e bons exemplos. Eu sempre pude contar com ele. Nos momentos difíceis e nos felizes, ele estava ao meu lado. Grande parte do que sou eu devo ao meu pai. Ele me ensinou a respeitar o ser humano. Ele me disse que o estudo é a coisa mais valiosa da vida de uma pessoa. Ele me ensinou que a família é vital. Meu pai tem o choro fácil... ele é só coração. Mas meu pai também tem um lado comediante, haha. É o palhaço da família, ninguém segura o riso ao lado dele. Meu pai é atleta, e é o cinquentão mais gato que eu conheço! Ele corre há mais de 20 anos. E vai trabalhar todo o santo dia (todo o dia não, porque ele trabalha um dia e folga três) de bicicleta, deixando o carro na garagem. Ele é uma figura rara. É ranzinza e mal humorado, muitas vezes. Mas isso é coisa da criação dos "Oliveira". Meu avô foi um pai extremamente rígido na educação do meu pai e meus tios, e meu pai ainda guarda alguns resquícios da infância. E não bastasse ser um pai como poucos, ainda é um avô-pai para os meus filhos. O João e a Maria amam esse cara, de um modo que vocês não têm noção! Enfim, eu tenho MUITO orgulho do pai que eu tenho. Amo demais esse homem!


FELIZ ANIVERSÁRIO, PAI!


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

No blog alheio


Fui convidada pelo Eraldo a escrever mais uma história de "O Canalha" lá no blog dele. Adorei o convite e claro que aceitei! Larguei de mão qualquer tipo de pudor e escrevi como se não houvesse amanhã. Apesar disso, acredito que tenha ficado "light". O que vocês acham? Clique AQUI para ler! Mas, ATENÇÃO: proibido para politicamente corretos e recatados ao extremo. 





Em (e com) todos os sentidos







Sou capaz de saborear sons, ouvir cheiros, cheirar toques e tocar imagens. Sou capaz de perceber sentimentos com os cinco sentidos. Sou capaz de amar com os seis. Só assim eu sou inteira.



Sou o gosto do que ouço.
Sou o som que inalo.
Sou o cheiro que apalpo.
Sou muito mais do que vejo.
Sou somente...
E tão somente,
O que desejo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Cartas ao vento






Tô fora! Desisto! -Esbravejou ela num ímpeto de fúria, ao mesmo tempo em que se levantava subitamente da cadeira cômoda e confortável. Já estavam há muito tempo ali jogando. Ela de um lado e ele do outro da mesa cujo material, cor e estado de conservação não saberia essa mera narradora informar. Ela havia proposto o jogo. Ele, timidamente, talvez até inconscientemente, aceitou o desafio e, com isso, as regras implícitas. Ela deu as cartas, mas só porque estava do outro lado da mesa. Aquela barreira entre os dois a enchia de coragem. Coragem para ser ela mesma, coragem para jogar limpo, coragem para expor suas vontades. Ela gostava disso. Gostava de dar as cartas. Gostava da transparência das "cartas na mesa". Deu as cartas e iniciou o jogo com cautela e minúcia. Sempre fora muito cautelosa. Sempre jogou como se estivesse pisando em ovos. Ele, por sua vez, jogava como se aquilo não fosse importante. Esta era a maior e mais dilacerante discrepância entre eles: ela jogava como se a sua vida dependesse disso; ele jogava como se a sua vitória em um jogo dependesse disso. Fato era que ela não jogava tão bem quanto ele e, por isso, abusava de estratégias (falhas). Durante toda a partida, ela se insinuava e tentava chamar a atenção para si. Ele ocasionalmente percebia e esboçava um sorriso. Isso a desconcertava e o feitiço virava-se contra o feiticeiro: jogava mal, deixava que ele pontuasse e inevitavelmente ganhasse a partida. E ele vencia, sucessivamente e sem esforço. Uma, duas, três... onze partidas vencidas por ele. Nenhuma por ela. Ele não alterou nem mesmo seu ritmo cardíaco. Ela, porém, suava freneticamente. Ah, como gostava de jogar com ele! Como queria ter tido o gosto de vencer ao menos uma... uma partida que fosse! Mas ele não dava brecha, corria desenfreado à frente de sua rival. -Hahahahahaha rival! Como sou rival desse homem? Mal resisto ao seu charme... Pensava ela, mais uma vez distraindo-se e perdendo o foco. Perdeu a décima segunda partida. Cansou. A dor de estar jogando (sim, havia dor, mas ela tinha essa mania de pensar só nas coisas menos sufocantes do todo) estava ficando insuportável. A vida esperava por ela, não dava mais para ficar ali jogando, à espera de um milagre, enquanto as horas escorriam criminosamente pelo relógio, asfixiando o que restava de sua vida. Por mais cômodo e confortável que fosse seu assento, não dava mais. Deu um basta. Sem pestanejar, proferiu as dolorosas palavras do início desse texto. Ele olhou para ela com cara de paisagem. Para ela, entretanto, era uma expressão tão linda que ele até merecia ser preso, por atentado ao pudor. Pensou nisso, mas a efemeridade do pensamento logo o consumiu. Levantou-se, deu as costas e caminhou. Parou por um momento e retornou em direção à mesa. Apoiou as duas mãos na mesma e olhou no fundo dos olhos do sujeito. Um olhar tão profundo que o atravessou e o deixou sem ação.  Socou com força a mesa e disse -Você não percebe? Por que não se deixou levar? Por que não me deixou ganhar? Não percebeu que, nesse caso, perder é ganhar? (...) É... Já sei a resposta. Afinal, foram doze jogos, não é? Doze erros. Seus erros. Com a mão direita, ela furiosamente espalhou as cartas sobre a mesa, que voaram e dançaram ao sabor da brisa fresca que anunciava o início de um novo dia. Um novo dia na vida daquela mulher. E ele? Perdeu. Doze partidas. Doze chances de ser feliz. 


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Das reciprocidades...




Um dia eu aprendi que nem tudo é recíproco. E é assim mesmo, não há nada de mau nisso. Sentimentos nem sempre são sentidos de volta. Confiança em uma pessoa não significa que haja confiança em mim do outro lado. É estranho e assim, de imediato, parece desmerecer o sentimento por quem não retribui... Mas eu acredito que não desmereça, não. O que eu sinto é só meu. Claro que perceber amor por mim nos olhos de quem eu amo é algo indescritível. E eu não mentirei dizendo que sinto sem esperar de volta. Quando confio, quando amo, quando desejo, é claro que quero que sintam o mesmo por mim. Mas quero e não passa disso. Se houver sincronia é lindo, é fantástico, é gostoso. Mas nem sempre há... E não há como alguém sentir algo "não-espontâneo" por você. Não há como forçar a barra. Atitudes, amor, desejo, confiança, paixão, ódio, ninguém tem a obrigação de me retribuir.  Repito: o que eu sinto é só meu. Não confundam, porque não é gratuito, não é sem motivos e não é por qualquer um. Tem quer ser MUITO ESPECIAL para conquistar a minha admiração e, a partir daí, o meu afeto e seus desdobramentos. Num dia desses, decidi que só com processo seletivo iriam entrar no meu coração. Bobagem, mera estratégia para evitar a dor. Processo seletivo envolveria a razão. Não escolho os meus afetos com a razão, mas não se engane... Meu coração pode ser tudo, menos burro. 






P.S: Esse texto não tem fim, não tem nexo, não tem perna e nem cabeça. Meus pensamentos se misturam e se fundem. Deliciosamente misturados e confusos. Nunca há preto e branco aqui dentro, sempre vira cinza. A famosa bagunça organizada. Eu gosto assim. Essa sou eu. Lembra do último post? Pois é. ;)





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Eu gosto dele.




E eu gosto dele. Gosto dele porque é imprevisível. Gosto porque nunca sei o que vai fazer e o que vai dizer. Gosto do mistério “a céu aberto" que ele é. Gosto porque ele tem a cara limpa. Gosto porque ele é de verdade. Gosto porque às vezes ele erra o português e não tá nem aí. Gosto porque ele tem uma educação e um respeito por mim imensos, mesmo eu achando que não mereça sempre. Gosto porque ele fala palavrão... e que se foda. Gosto dele porque ele é de poucas palavras. E incrivelmente consegue me arrepiar com apenas uma. Gosto porque ele é safado, mas não é sacana. Gosto porque ele dosa como ninguém bom e mau humor. Gosto porque é honesto. Gosto dele porque ele não esconde os defeitos e não se esconde atrás de nada. Gosto dele porque ele não me fala nada apenas porque quero ouvir. Gosto dele mesmo sem saber se tem desvio de septo ou se tem a pele oleosa (não é?). E nem se tem cicatrizes. E quer saber? Pouco me importa a resposta a essas questões. Gosto porque ele me leva lá nas nuvens. E gosto porque, ao mesmo tempo, me chacoalha e me traz pra realidade. Gosto porque ele não é óbvio. Gosto porque ele tem uma dualidade que nunca vi em ninguém. Como alguém consegue ser raro e comum, ao mesmo tempo? Ah, eu gosto... Gosto e ponto. E o que eu vou fazer com todo esse sentimento bom? Guardar no bolso e ser feliz. :)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Norte









E às vezes nos sentimos DESNORTEADOS. Perdidos, tontos, sem rumo. Sem Norte. É o que diz o dicionário: perca o Norte e você se perde. É, na vida precisamos de bússola, mesmo que no sentido abstrato. E precisamos entender que, mesmo que a bússola aponte para o Norte, não significa que é pra lá que devemos seguir. Precisamos enxergar o Norte, para saber que o Sul fica na direção oposta, para ter ciência de que o Leste fica à sua direita e o Oeste à sua esquerda. Às vezes foca-se tanto no Norte, mas se esquece (ou não se sabe) que ele é apenas um guia, não uma obrigatoriedade. Precisamos entender... É realmente vital que enxerguemos o Norte. Para decidir o rumo que a nossa vida deve tomar e ter controle de para onde estamos indo. Procure o seu. Procure pra onde a sua vida aponta. Pare, respire e observe. Achado o Norte, decida o seu caminho, que pode ser pra lá... ou não. Parece óbvio e redundante, mas nem sempre é, eu garanto.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Deliciosos inícios



Inícios são oportunidades, já percebeu? Eu sempre gostei de inícios. E a vida, felizmente, é todinha cheia deles. Estou falando dos ciclos... os meus famosos e gratificantes ciclos. O primeiro dia do ano, o primeiro dia do mês, os inícios de dia... Sim, são coisas banais e datadas pelo homem, todos sabemos. Todos aqui são inteligentes o suficiente para saber que a vida é contínua e que essas datas são apenas convenções. Mas eu gosto e vejo realmente como oportunidades a mim concedidas. A cada início do ano, por exemplo, você tem a oportunidade de melhorar, de superar seus erros e de tentar ser mais feliz. Não deu certo? Você tem o primeiro dia de cada mês. Janeiro não foi bacana? Fevereiro está aí. Ah, o dia primeiro de fevereiro foi um fiasco? Veja a grande sacada agora, que desta vez não depende do calendário: você tem um dia novinho em folha, ao acordar pela manhã! O sol traz consigo uma oportunidade gigantesca de seguir em frente, não importa o tamanho do seu erro e nem por quanto tempo ele durou. O que se foi, se foi. O que deu errado, deu errado e não há nada que você possa fazer para consertar o que passou. Mas um novo dia está à sua frente, e você o molda como quiser. O sol te brinda, a chuva te benze e o vento te abençoa com uma chance daquelas com cheirinho de nova. Dia após dia. Infinitos dias. Aí você, sarcástico que é, me pergunta: bom, se eu tenho uma chance nova a cada dia, então posso errar e desperdiçar à vontade hoje, porque amanhã tenho outro dia e sou presenteado com uma nova chance, não? É, até pode ser... Mas um dia a chance cessa, seu pulmão não mais respira e seu coração não mais bombeia. Você sabe quando? Eu não. Parece piegas... e talvez até seja, mas... Não desperdice! Tudo bem se não funcionou hoje. Fique feliz ao - e se - acordar amanhã (e está ok ficar acordado a noite toda, se for por uma boa causa, rsrs). Considere uma dádiva. Sinta-se privilegiado porque, de fato, você é. Levanta essa bundinha bonita da cadeira e vai ser feliz. Eu tô sendo... Muito! 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Se eu me for antes de você...




Se acaso antes de você, eu me for...

Oh, meu amor!

Chore, sofra, padeça.

Imploro... Não me esqueça!

Mas, atenção!

Não prolongue a aflição.

Doe meus pulmões,

Minhas córneas,

Minha pele,

Meu coração.

Mas há algo que eu te peço:

Guarde para si com carinho...

A lembrança de que, contigo, fiz o meu caminho.

Guarde em ti, e com a presteza devida...

A minha vontade de vida.

Deliciosa e dolorida.

Por favor, se lhe perguntarem quem foi ela,

Diga apenas: ela foi de  verdade.

E guarde, com egoísmo e privacidade...

Os nossos momentos de felicidade.

As lembranças de quem fui.

De quem sou.

De quem amei. 

De quem me amou.

De quando sorri.

De quando chorei.



E de quem, em ti, para sempre, eu serei.












domingo, 30 de outubro de 2011

Todo mundo tem neuroses....




E eu vou confessar uma minha! Explico pelo começo: Eu não sou uma escritora, tampouco formada em Letras. Ou seja, não sou especialista nas palavras, apesar de sempre, desde que nasci, eu e elas termos uma certa afinidade. Nas séries iniciais da escola, lembro muito bem dos ditados da professora Alcioné e das redações. Não errava uma palavra e escrevia folhas e folhas de historinhas super elaboradas. Lembro da quinta série. Foi o primeiro ano em que tive inglês e a professora desafiou os alunos, perguntando quem sabia escrever os números em inglês, de um a vinte. Eu era a única que sabia, mas por timidez não falei nada. Ahh, e como eu me lembro de esperar ansiosamente meu pai chegar do centro, trazendo os gibis da Turma da Mônica. Como eu adorava a Turma da Mônica! Como eu pedia a ele para traduzir tal e tal palavra!

E nos trabalhos em grupo da oitava série? Quem sempre ficava por elaborar introduções e conclusões? Sempre gostei, mesmo. Sempre tive uma grande desenvoltura com as letras. No vestibular, respondi a questões dissertativas de química, física e biologia, além da redação. A parte escrita foi o que mais me ajudou a pontuar bem, ficando na frente. Às vezes, eu penso que deveria ter feito Letras, não Fisioterapia. Ou, sei lá... Jornalismo? Mas são apenas pensamentos temporários, logo eu percebo que gosto mesmo do que faço. 

Bom, é daí, do comecinho da minha vida, que vem a minha neurose. Eu não gosto de escrever errado! Sou muuuuito, muito, muito, muito chatinha com ortografia, pontos, vírgulas e reticências. Não gosto de nada fora do lugar! Nem uma vírgula. Gente, é óbvio que eu não sei de tudo (na verdade, eu não sou profissional, então eu não sei de porcaria nenhuma)... É claro que eu erro, e erro muito. Mas eu não gosto e eu cuido muito, isso sim. Se tenho dúvida em uma palavra (e tenho muitas), eu não escrevo a que eu acho correta. Eu pesquiso e escrevo o certo. Com pontuações é a mesma coisa. 

E a maior chatice vem agora: EU CORRIJO OS OUTROS, mesmo que seja mentalmente. Aqui em casa, corrijo a família na cara mesmo (santa intimidade)... Falo umas 98720362 vezes por dias para os filhotes: "mim não faz nada, João, mim não é índio!"... Ô mania feia que as pessoas têm de falar "é pra mim ir lá" e similares... Corrijo mentalmente o tempo todo, não tem jeito. E outra: obrigada é para meninas, obrigado é para meninos, gente! hehehe É mais forte que eu, precisava desabafar... E não se reprimam, falem à vontade. A neurose é minha e vocês não têm nada a ver com isso. Esse texto aqui está cheinho de erros. Quem sou eu para falar de alguém? :P 


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Você pararia?



Sara segue em frente. Não, Sara jamais pensa em parar. O asfalto é quente, muito quente. Os pés de Sara queimam, ardem e esfolam com a alta temperatura. Sara está vulnerável, descalça, exposta. Quando os pés de Sara já não agüentam mais a dor, ela rasteja. De joelhos, Sara segue em frente. Os joelhos de Sara começam a arder e a sangrar. Mas, apesar de tudo, ainda conseguem continuar. Os pés, entretanto, não toleram mais um segundo de atrito; precisam de repouso. Seguir de joelhos continua a melhor opção para o momento. O asfalto continua em brasa. O sol está no ápice. É meio-dia e não há nuvens no céu.  A dor nos joelhos se intensifica. As mãos, apoiadas no solo ardente, começam a criar bolhas. Sara segue em frente, retirando uma mão do solo e seguindo com três apoios. Ela reveza as mãos. Segundos de descanso em cada uma delas parecem contemplá-la com um alívio imenso. Sara percebe que os pés já não têm mais tanta dor. Ela ainda não sabe, mas as queimaduras provocadas pelo asfalto foram profundas, a ponto de destruir as terminações nervosas da região plantar. Não há dor porque não há sensibilidade. Ela se ergue. Caminha novamente de pé. Joelhos e mãos já não suportavam mais tamanho castigo. Não, Sara não pode parar. A tsunami se aproxima e está prestes a engoli-la. Se parar, será destruída e levada de encontro ao fim.

Você pararia?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Essa moça tá diferente...


Ah, essa moça. Essa moça tá diferente, sim. De um jeito que ela nunca viu. Essa moça se ama muito, como sempre. Porém mais. E essa moça continua com muitos planos e desejos. Mas com um ânimo e uma vontade que nunca existiu nela. Não com essa proporção. Essa moça ainda tem tantas alegrias e tantos abraços e tantos sorrisos e tantas perninhas correndo pela casa... E agora tem consciência da enorme felicidade do presente, do hoje, do agora, do já. Essa moça não adia mais a vida. Essa moça não procrastina mais. Ah, não mais... Essa moça tá tão feliz. Essa moça vê delícias na luminosidade solar. E agora vê vida no céu, na terra e no mar. Essa moça ainda ama, sente, chora, ri e ama o inverno. Mas o verão promete chegar e, muito, muito diferente, dessa vez, ele será. Essa moça aprende, sim. Aprendeu. Aprendeu como nunca. Quem olha com atenção, percebe. Esses são os especiais. Esses são os dela. Os meus.




Inspiração do dia



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

São meras palavras bonitas



São sete bilhões de seres humanos no mesmo barco. O planeta respira vida. Mas eu tenho medo. Minto, eu estou apavorada. Bilhões de pessoas, sim. Mas em quantos seres humanos o "humano" está presente? De sete bilhões, quantos merecem apenas a designação "ser"? Essa gente é cruel, é mesquinha, é podre por dentro. Eu tenho medo do futuro desse povo. Eu tenho medo do futuro dos meus filhos. A nossa vida passa num segundo e o nosso rastro desaparece assim que é criado. A vida é rara, preciosa e efêmera. O tempo escorre pelas mãos. Por favor, parem, parem, parem! As pessoas julgam, humilham, ofendem, desrespeitam. As pessoas matam a vida e a alma. A sua e a de outros. As pessoas ferem com palavras e com sangue. As pessoas não merecem ser chamadas de pessoas. O homo sapiens perdeu o título de ser racional há tempos. Os bichos são muito mais inteligentes. Os bichos agora somos nós. Merecemos viver como ratos de laboratório. Apliquem experimentos nessas coisas! Injetem cancerígenos!! O respeito é ridículo. A violência é banal. O que eu, tu, ele e nós fazemos com o nosso corpo, com a nossa alma e com a nossa vida não diz respeito apenas a nós. O podre pára, te olha, te analisa e te sentencia. Enquanto o podre molesta crianças, ele é respeitado por usar gravata e sorrir para as senhorinhas. Enquanto o trabalhador trabalha 12 horas para sustentar sua família, é visto com preconceito por estar com os pés sujos ao fim do dia. Os valores estão invertidos. Senhoras de idade, com vida feita e conhecimentos adquiridos, sentem pena da modelo linda da capa por ela estar com um ser humano negro e de barba. Homens de meia idade sentem nojo de um beijo na boca entre dois homens que, se não se amam, sentem carinho, afeto ou tesão um pelo outro. E quem sente nojo da corrupção, do estupro, da pedofilia, da morte por uma carteira, do tiro por uma discussão? Políticos são levados na brincadeira e ganham fortunas. Humoristas, ao fazer uma piada de mau gosto, são levados a sério e suas punições quase chegam às últimas consequências. Pessoas desrespeitosas pedem RESPEITO e silêncio para que o seu xingamento seja ouvido! Gente que não merece o título de gente. Gente que olha esse meu texto e diz que são meras palavras bonitas e teorias. Seres, que de humanos nada têm, ao ouvir uma verdade ainda não conhecida, dizem pra mim que não vou chegar a lugar algum sendo como sou. Dizem que tenho que me adequar à massa. Dizem que sou hipócrita (HIPÓCRITA!) por me revoltar com essa merda de gente que não merece o chão que pisa.



Postei a foto acima no Facebook. Todo mundo sabe que os caras não são gays. Mas e daí se eles fossem?


D.C: VEADÕES! Puta que nojo!

Mirella: Tenho nojo, também. De preconceituosos, assassinos e pedófilos. Tudo no mesmo saco.

D.C: eu proibi meus filhos de assistirem as novelas da Globo. A mãe dela vei me perguntar o porque de tal proibição. Mandei ela contar quantos Veados haviam nas quatro novelas. E ela? O que fez? MANTEVE a proibição! Lógico. Também não é hipócrita como vc.

Mirella: Você é pobre de espírito e não entro em discussões com quem não tem capacidade de RACIOCÍNIO. Beijo.

D.C: você cria uma polêmica, jura que não tem preconceito, xinga o cara sem conhecer, não respeita a opinião minha, e maioria do mundo, e é hipócrita em afirmar que não distingue opção sexual. Ora menina! O discurso seu é lindo, cheio de boas intenções, mas na pratica eu queria ver!? Recolha os dedos para não digitar mais besteira. Você até pode me olhar e achar que sou um idiota com todos os adjetivo que vc me deu. Só não tente me convencer que sou tudo o que vc falou.Agora uma coisa é certa você não vai à lugar algum com essa opinião de Madre Tereza de Calcutá. Falou!? BJS também.

Mirella: Eu tenho preconceito, sim. Contra PRECONCEITUOSOS. Você não tem direito algum de exigir respeito quando ofende outros seres humanos. Não é a primeira vez que você mostra seu lado preconceituoso por aqui. Já chamou ciclistas de desocupados e folgados e homossexuais de "veadões" e "nojentos". Desculpa, você não tem direito de exigir respeito. NÃO, EU NÃO TE RESPEITO. Eu não quero te convencer de nada. Nem que você é um babaca, nem que você tem que aceitar o que você acha errado. Mas não ofenda e não desrespeite. E se um homossexual chamasse você de hetero nojento ao te ver beijar uma mulher?? Puxa, bacana né? Vou a muitos lugares, sim. Já cheguei muito longe. E vou subir cada vez mais. E ainda por cima com a amizade e carinho de gente do bem, gente inteligente e gente que preza respeito e esbanja bondade. Quem? Meus amigos HETERO e HOMOSSEXUAIS.




Sem mais. Retiro-me. Triste, revoltada e impotente.





segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tesão na vida





70% do seu corpo é água. Então aproveita que você tá bem molhadinha e tenha mais tesão na vida!



(Tati Bernardi)







PS: Vou seguir, vou seguir. Good week! :)

domingo, 16 de outubro de 2011

Não demora!


Carência, desejo,

transformados em toque, pele, gracejo, beijo. 

Desabrochou, sorriu, suspirou, gemeu.

Enfim, o devido valor, recebeu.

Vontade antes;

Agora, abraço cheiroso, lábios apetitosos e olhar fulminante.

Antes, apaixonada.

Hoje, desejada.

A paixão de outrora, guardou.

Está lá, não passou.

Existe, insiste, dói...

Persiste.

Dela, restou faísca.

 Armadilha, isca.

Trancou à chave.

Jogou-a fora.

Quanto a você...

Vem logo, vê se não demora!




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dia do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional



Hoje é o dia dos que não medem esforços na busca pela qualidade de vida. Hoje é o dia de quem previne e de quem reabilita. Hoje é o dia de quem avalia e reavalia com minúcia, de quem traça objetivos e de quem planeja condutas. E tudo, com uma finalidade: A melhora do outro. O restabelecimento da funcionalidade. De neonatos a idosos, a busca é uma só: a manutenção ou o ganho da harmonia fisiológica. Eu tenho orgulho de ser fisioterapeuta. Admiro muito os meus colegas que prezam seus pacientes e que se doam sem reservas à recuperação do ser humano. Respeito com todo o meu ser os profissionais que se dedicam, que se aprimoram e que vão de encontro ao melhor para o outro... De corpo e alma.

FELIZ DIA DO FISIOTERAPEUTA E DO TERAPEUTA OCUPACIONAL

Que haja fôlego e determinação na nossa luta. Que nunca percamos a paixão pela profissão e que nunca desistamos de resgatar a dignidade profissional. E que, acima de tudo, nunca percamos o foco na figura principal de nossa profissão: O paciente. O ser humano.


Fonte: web

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Homem? Desde quando?





"Ah, mas os homens só querem usar as mulheres... Ah, mas os homens enganam e fingem sentimentos, porque querem apenas sexo... Ah, mas os homens não se controlam e  traem por instinto..."

Opa! Um minutinho, que tem erro nesse negócio!

Homens??

Pra ser homem, desculpem-me, mas não basta ter um p*u entre as pernas. Ser homem inclui ter respeito por qualquer pessoa. Inclusive pelo sexo que lhe atrai. Por isso, encho a boca e digo: tem muitos (muitos mesmo) homossexuais mais "homens de verdade" do que alguns heteros! Portanto, amigo machão, garanhão e fodão, você que trai sua mulher e se acha o tal ou finge, engana e faz sofrer, por qualquer motivo que seja, sinto lhe informar (mentira, eu não sinto p**ra nenhuma): você NÃO é homem! Você é um pro-je-to de homem. E, dependendo de sua idade, talvez nunca saia do papel.

Moças, entendam... homem não faz uma mulher sofrer por vontade própria. Portanto, não chamem de obra finalizada aquilo que é só um projeto!


Eu gosto de homem. Completo e bem resolvido. Por inteiro. Homem, em toda a plenitude do significado. E com todos os defeitos e as qualidades que só um exemplar dessa espécie possui.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Incoerências e contradições



A impossibilidade é uma questão de ponto de vista. E de prefixo.


Ando esquisita. Cabeça fervilhando. Ideias, projetos, planos, desejos. Muitos, muitos desejos. Desconexos, misturados e prestes a explodir. Ora acho que sim. Ora, que não. Sinto vontade de escrever aqui, mas não consigo expor minhas palavras. Elas têm saído como agora, incoerentes e contraditórias. Estou em uma fase confusa. Triste, não. Feliz, sim. Sei as coisas que quero. Mas, quanto a algumas delas... Não sei se corro atrás ou se deixo ir... Sinceramente, não sei. Às vezes tenho dificuldade de definir minhas prioridades. Sei que existem, mas preciso defini-las com mais exatidão. Pulso é a palavra. Firmeza e certeza nos atos, é do que preciso. Sei que não há necessidade de mais horas no meu dia. Mas há, sim, necessidade de aproveitá-las ao máximo. Organizá-las. Sei que preciso seguir em frente. Sempre. Sei que às vezes sou fraca. Mas sei ser forte na minha fragilidade. De uma coisa, eu tenho certeza: aquele (aquele!) abraço facilitaria tudo. Mas, deixemos pra lá... Não tenho certeza de tudo. Não tenho certeza de nada.



Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranqüilo e tão contente. [...]


Já não me preocupo se eu não sei por quê.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você. [...]


Sei que às vezes uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

(Legião Urbana- Quase sem querer)