domingo, 13 de março de 2011

Quando ganhei e quando perdi

QUANDO GANHEI...
Eu tinha 18 anos.
Era um menino lindo, magrinho, loirinho, João Matheus.
Fiquei uma semana andando curvada, com rachaduras no bico do seio, com cólicas horríveis.
O pai deu banho no primeiro mês inteirinho no filhote.
Passávamos noites em claro e em pé embalando um pacotinho em forma de gente, por causa de cólicas.
O menino cresceu, andou aos 10 meses de idade, ficou gordinho e com dobrinhas.
Loirinho de cabelos lisos. Filho de mãe morena de cabelos ondulados. Mas o pai era loirinho na infância.
E quando esse pequenino estava com 2 anos, eu comecei a...
GANHAR NOVAMENTE!
21 anos. Mais surpresa, BCG positivo again.
E exames médicos, e ultrassom.
E a descoberta: uma menina!
E tudo evoluia normalmente na gestação.
Até que eu...
PERDI O PAI DOS MEUS FILHOS
Foi um acidente de carro em uma viagem pro Paraná.
Provavelmente dormiu na direção.
Eu estava grávida de 6 meses.
Grávida da nossa menina.
E com um menino de 2 anos pra cuidar.
O "Joãozinho do pai" como ele dizia.
E ele nunca, nunca, nunca pôde ver...
O rostinho da sua menina.
Da menina que ele tanto queria.
A "Dudinha" do pai.
Ele dizia: tem que se chamar Maria Eduarda, porque se não eu não registro no meu nome... hahahaha
Eu dizia: ahh, não quero, é um nome tão comum...
E ele pegava a minha barriga, nem me dava bola e começava a conversar com a "Dudinha do pai"...
E assim foi... ela nasceu linda, perfeita, morena de cabelos ondulados. A cara do pai!
Tá, todas as pessoas do mundo dizem quem ela é minha cara. Me desculpem, mas eu vejo olhos, nariz, orelha e queixos iguais aos do pai! ;)
Quando ela veio ao mundo, o responsável pela sua vida já tinha partido... Irônico, não?
Foi doloroso. Não queiram imaginar o quanto foi doloroso.
Mas foi superado. A lembrança sempre existirá.
Mas a vida tem que continuar. E continuou. E me tornou forte, pois agora sou pai e mãe e eles dependem de mim e apenas de mim para educá-los.
A vida é assim. Ganhamos e perdemos o tempo todo. Sofremos e nos alegramos. Choramos e sorrimos. E continua uma delícia de viver.

Como diz Agatha Christie: "Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente e agudamente feliz. Também já me senti dilacerada pelo sofrimento, mas apesar de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional."

Faz EXATAMENTE 4 anos que ele partiu.

Fica a saudade. A saudade gostosa. Aquela te faz sorrir ao lembrar...


Last Kiss- Pearl Jam... (lembro bem)


Beijo beijo beijo

Mi

4 comentários:

Michele P. disse...

Mirella

Seus filhotes são lindos!
Quanto à sua história, fiquei comovida. Admirei a força que transmite neste texto e a maneira como superou tanta dor. Desejo, de coração, que você possa desfrutar de muitos dias felizes na sua vida que compensem por cada lágrima que já derramou.
Senti intensidade, emoção e sinceridade em você.
Qualidades dignas de pessoas especiais.
Virei fã! :)

Mirella de Oliveira disse...

Nossa, Michele, que lindas as tuas palavras!
Muito obrigada!
Adorei o teu carinho...
Também virei tua fã, teu blog é magnífico!
Fã de Clarice, assim como eu! haha
Beijão
:D

eraldo disse...

Chorei. Mas também me inspirei.

Bjs!

Aime disse...

Nossa, me fez chorar!!!!!
Poutz Mi, imagino o turbilhão que você deve ter ficado... Imagino a confusão sem tamanho que deve ter sido seu coração e cabeça!!!!
Mas puta como vc eh forte!!! Não é pouco não!!!!
Seus filhos são msmo uma graça e tem carinha de amados!!!!
Tenho certeza q cm tanta generosidade e com um amor tão grande guardado dentro de si vc ainda tem um futuro lindo e colorido pela frente!!!!
Lindo o texto! lindo, lindo e lindo!