domingo, 27 de março de 2011

Quero sentir...


Cheguei à conclusão de que o que eu quero pra minha vida se resume a um único verbo: SENTIR. Quero "sentir" em todos os sentidos...
 Quero sentir emoções, cheiros, gostos, toques, sensações!
Sim, quero emoções. Quero sentir alegria, ao escutar a gargalhada dos meus filhos, ao receber os seus beijinhos molhados, ao ganhar um abraço verdadeiro, ao ouvir boas notícias, ao ver o pôr-do-sol... Quero sentir tristeza e ter decepções, para poder valorizar os momentos de alegria. E para aprender. Quero sentir ira ao me deparar com situações injustas, com atitudes hipócritas e desonestas e com pessoas “pobres de espírito”. Não quero ter condescendência com isso. Que eu sinta ira.
Quero chorar. Chorar de soluçar, até ficar com o rosto inchado. Quero esse choro quando estiver triste, já que o choro me alivia imensamente. Mas também quero chorar de emoção, de felicidade. Quero gargalhar, rir até a barriga doer, até doer o maxilar... chorar de tanto rir.
Quero sentir cheiros. Cheiro de bolo assando, cheiro de café recém-passado, cheiro de livro novo. E quero esses três juntos, em uma tarde fria de inverno. Quero sentir cheiro de chuva, com aquele cheiro delicioso de terra molhada. Quero sentir cheirinho de bebê. E quero sentir o cheiro dos meus lençóis limpos ao chegar em casa depois de um dia exaustivo. E o cheirinho insubstituível das pessoas que eu amo.
Quero sentir gostos. O gosto daquele café recém-passado, daquele bolo que acabou de ser assado, da pizza de domingo  e do chopp gelado com pessoas que me fazem bem. E que eu possa, junto com a pizza, sentir e saborear as gargalhadas ecoando pela noite. Quero sentir o gosto do vinho. Aquele vinho com aquela pessoa especial. E que eu possa sentir o gosto do vinho não apenas na minha boca. Quero sentir o gosto do chocolate e daquele pote de sorvete, sem culpa, quando eu estiver de TPM ou com dor de cotovelo. E que junto a isso eu possa chorar e chorar muito, vendo um filme romântico na TV.
Quero sentir toques. Ah, o tato... um dos meus sentidos favoritos. Quero tocar a face macia e aveludada dos meus filhos na tranqüilidade dos seus sonos. E que eu possa fazer isso quando eles crescerem também. E que depois eu possa tocar a face dos meus netos. Quero tocar a barriga da minha amiga-irmã, e ver a minha (ou meu) sobrinho(a) se mexer. E com isso, renovar minhas esperanças na vida. Quero sentir o toque das mãos. O calor das mãos.  Que elas me protejam, me acolham, me descubram. E redescubram.
Quero sensações. Sensações que já conheço e sensações inéditas. Quero o espanto, quero a surpresa, quero a calma, quero o tormento, quero o tesão. Quero sentir a endorfina e o suor percorrendo o meu corpo depois da corrida. E depois de dançar muito. E depois do sexo. Quero sentir orgasmos. Orgasmos múltiplos. Que saciem a necessidade física, mas que, acima de tudo, saciem o coração, a fome de amor e de paixão que tenho dentro de mim.
Quero sentir a brisa do mar tocando a minha pele e balançando meu vestido de tecido leve... Quero sentir essa mesma brisa em um final de tarde de dia quente, pra refrescar meu corpo em brasa. E que essa brisa seja sentida também no inverno, congelando a minha pele e me fazendo sentir arrepios... E que depois da brisa eu possa sentir o calor de um banho quente. Que eu possa sentir a água quente escorrendo pelo meu corpo, o perfume delicioso do meu sabonete e a sua consistência se espalhando pela minha pele. Quero sentir a maciez úmida da grama verde e a maciez úmida da areia da praia, enquanto brinco de “pega-pega” com meus filhos... quero sentir a gargalhada gostosa deles tentando fugir de mim.
Que eu possa sentir, nos dias frios, o sabor e o calor de uma bebida quente, o sabor e o calor de uma cama macia, o sabor e o calor de um outro corpo. Quero sentir o sabor e o cheiro delicioso de café quente, ao acordar pela manhã nesse mesmo dia frio... e quero beber enquanto ouço o vento lá fora, uivando pra mim, enquanto escorro em pensamentos...
Quero sentir o calor do sol irradiando, penetrando e aquecendo minha pele e minha alma... que eu sinta Deus nesse momento, e que nada mais importe.
Sentir é o que importa pra mim. Sentir é o que dá "sentido" a minha vida...
Mi

Um comentário:

Michele P. disse...

Mirella

Sentir dói e sentir acalma. Mas sobretudo, sentir nos torna melhores.
Adorei as colocações e a emoção transmitida.

Um abração