segunda-feira, 30 de maio de 2011

Rima vazia com a dona Maria



Bom dia, dona Maria! Como vai vossa senhoria? Por que essa apatia?  Xii, porque fazia tempo que não doía? E a sua tia, a dona Lia? Ah, continua com aquela azia? E os crochês que ela fazia? Parou porque a médica sempre proibia? Por causa da tendinopatia? E a filhinha dela, a Bia? Já é casada e já deu cria? E apesar de tudo, foi uma grande alegria? Mas que euforia, dona Maria! Felicidade em demasia! E olha a feira, como está vazia! Onde estão as senhorinhas, que sempre são maioria? Hm, foram pra romaria? Porque hoje é o dia da Nossa Senhora de Abadia? Não, eu não sabia!  Pra onde eu seguia? Pro meu trabalho na galeria. Aliás, já estar lá eu devia. Até qualquer dia... A senhora é uma simpatia!

;)

Meu ponto final


Algumas coisas precisam ter fim. E esse é o meu ponto final. Nesse momento, forçadamente, coloco um ponto final em uma fase da minha vida. Sim, forçadamente, já que o coração pede vírgulas e propõe reticências como alternativa. A razão, essa danada, pede interrogações. Sinto muito, coração, mas eu já segui demais teus conselhos. Não se preocupe, meu amigo, sempre serei totalmente entregue aos teus caprichos, mas nesse momento estou um pouco chateada com você. Razão, você é muito confusa. Vive cheia de indagações, sempre buscando o sentido de tudo, a todo o momento querendo me tirar das nuvens, que é onde eu amo estar. Muito fria você, razão! Não quero lhe dar ouvidos nesse momento. Eu, Mirella, não colocarei vírgulas, reticências ou interrogação. É o ponto final. Ponto final de uma fase longa, dolorida, fantasiosa e chata da minha vida. Razão e coração estão tendo ataques histéricos nesse momento e desconfio que vão surtar. Pergunta se eu ligo? Depois eu faço as pazes com esses birrentos. Estou dolorosamente feliz. Ou felizmente dolorida, como queiram. Eu precisava tomar essa decisão, salvar a minha dignidade e viver intensamente. Decisão tomada.

P.S: Apesar de não me importar com o “piti” do coração e da razão, esses loucos estão me trazendo angústia. Estão revoltadíssimos. Coração está taquicárdico e apertado. Razão está dizendo que essa não é a melhor solução, que eu deveria traçar planos e estratégias, fica indagando o motivo da minha atitude... Calem-se os dois! Decisão tomada, e vocês aguentem as consequências que sei que não vivem sem mim! Conversamos quando estiverem mais calmos.

Mi

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Gente reabilitando gente...





“Senhor, eu sou fisioterapeuta.
Um dia, depois de anos de estudos, me entregaram um diploma, dizendo que eu estava oficialmente autorizada a reabilitar.
E eu jurei fazê-lo, conscientemente.
Não é fácil, Senhor, não é nada fácil viver este juramento na rotina sempre repetida da vida de um fisioterapeuta:
avaliando... tratando... reavaliando... tratando... acompanhando passo-a-passo a recuperação, às vezes lenta, dos pacientes. Contudo, Senhor, eu quero ser fisioterapeuta...
Alguém junto de alguém.
Não mecânico de uma engrenagem, mas gente reabilitando gente.
Que todo aquele que me procura em busca de cura física,
encontre em mim algo mais que o profissional...
Que eu saiba parar para ouvi-lo... sentar junto ao seu leito para animá-lo...
E, muito importante, Senhor: que eu não perca a capacidade de chorar.
Que eu saiba ser fisioterapeuta... alguém junto de alguém...
Gente reabilitando gente. Com a tua ajuda, Senhor.”



"Mãos concretas de Fisioterapeuta, mãos que flexionam, alongam e movimentam pernas que dão passos apenas na imaginação...
Mãos que pôem em pé crianças que só fazem deitar...
Mãos de criação, revivem e retomam caminhos de um corpo quase desfeito...
Mãos que revestem a atrofia feito poesia...
Mãos que estimulam células nervosas, musculares e emoções...
O toque, o envolvimento, a harmonia, a compreensão ao acalmar o pulsar de um coração ansioso pelo toque dessas mãos..."


(Autorias Desconhecidas)
 

Quero deixar aqui um vídeo da Fisioterapia Desportiva que sempre me emociona:



Beijos fisioterapêuticos,


Mi :)

sábado, 21 de maio de 2011

Há 4 anos...



E há 4 anos atrás, você nasceu. Há 4 anos atrás eu conheci o seu rostinho, meu amor. O rostinho da menina que eu amei assim que soube que estava grávida novamente. Amor gratuito por aquele serzinho do tamanho de uma formiguinha, que eu sequer sabia o sexo.
Soube que estava grávida no susto. Estava “separada” do seu pai, havia parado de tomar pílula... Mas voltamos. Menstruação atrasou. E eu, que sempre tive o ciclo certinho, não tive dúvidas. Mas fiz o exame de sangue pra confirmar. Li o resultado pela internet, sozinha em casa. Chorei, e não me pergunte porquê. Era uma mistura de sentimentos, fiquei nervosa, sem saber o que fazer com dois rebentos aos 21 anos de idade. Liguei e contei pra seu pai, que me respondeu com uma meia dúzia de palavras nervosas. Mas com o tempo tudo foi se ajeitando e a felicidade foi aumentando. E você precisava ver, minha filha, a alegria do seu pai ao descobrir comigo que seríamos papais de uma menina! Ele ficou radiante. Hoje, minha linda, eu posso dizer que tudo valeu muito a pena. Os enjôos matinais, os 22 quilos que engordei (e, ufa!, perdi), a dor púbica terrível que tive por conta do barrigão, lá no fim da gestação, o transtorno que era ir pra faculdade naquele estado...
Tudo valeu a pena. Você veio pra me completar, pra me dar fôlego, pra dar um sentido a minha vida e à do seu irmão. Você veio em um momento difícil, dois meses após seu pai ter partido dessa vida. Mas renovou, não só minhas esperanças, mas as esperanças da sua família paterna: seus avós, seus tios, sua tia. Você, minha linda, tem o nome que seu pai queria que você tivesse. E carrega, além do nome, muita coisa dele. O nariz, o formato do corpo... E a alegria contagiante.
Você é a menina mais carinhosa e doce que eu conheço. Tem um sorriso que derrete qualquer pessoa. É bagunceirinha, levada e um pouco desobediente, mas mamãe sabe que isso é normal da sua idade.  Você e seu irmão são a realização de um sonho. Vocês são TUDO na minha vida!


Maria Eduarda, Feliz aniversário, meu amor! Mamãe te ama imensamente!


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Todas em mim!




Tenho 25 anos, uma vida pela frente e um passado bonito, saudoso e um pouco dolorido na bagagem. O que eu sou hoje é resultado de misturas: genética, educação, experiências, aprendizados. Sou complexa, sou confusa, sou sonhadora, pensativa e minuciosa. Sempre tive dificuldade de me descrever, de me definir, de falar de mim. Talvez porque qualquer resumo que eu faça me pareça pouco. Tudo que eu disser, tudo que eu escrever não vai me parecer suficiente. Sou muito. E muitas. Ainda sou aquela criança de alguns anos atrás. Aquela que ficava desesperada se os pais saíam de casa, que não dormia enquanto eles não chegavam, sou a mesma menina amada e paparicada pelo pai, que adorava quando ele chegava com gibis da Turma da Mônica, que tinha uma coleção enorme e lia e relia sempre. Sou a mesma menina que adorava brincar no balanço, a mesma menina tímida da escola, que tinha pouquíssimas (mas boas) amiguinhas. A mesma menina que adorava escrever historinhas, que inventava mundinhos só seus e vivia muito feliz neles. A mesma menina que adorava jogar videogame... e era muito boa nisso. Ainda tenho em mim aquela adolescente. Que sonhava com o amor da vida. Que sempre se apaixonou perdidamente. E sempre acreditou que era pra sempre. Ainda sou a adolescente que adorava conversar com as amigas, ler revistas teen, falar dos meninos, rir até altas horas da noite. Ainda tenho em mim a adolescente que adorava estudar e que sonhava alto, muito alto. Que queria ser médica, ter um casal de filhos, ganhar 30 mil por mês, ter uma casa na cidade, outra na praia, ter um sítio, o homem perfeito, ser linda e gostosa. E a mulher que sou hoje vive em harmonia com as duas: a criança e a adolescente que fui. Elas não sumiram. Estão todas em mim! Às vezes aparece uma, às vezes a outra... Às vezes, todas as três juntas.  Eu disse que era complexa! Ainda gosto de gibis, ainda gosto de videogame, ainda gosto de escrever histórias. Ainda sonho com o amor da vida. Mas não quero mais que ela seja perfeito. Ainda me apaixono perdidamente, mas sei que o pra sempre dura o tempo que tiver que ser. Ainda quero uma casa na cidade, na praia, no sítio. Mas não almejo ganhar 30 mil por mês (quase isso, quem sabe). Não me tornei médica, mas amo muito a profissão que escolhi. E, veja só: tenho um casal de filhos lindos, como sempre quis. Sei que tenho muito o que aprender, muito chão pela frente, muita história pra viver, muita gargalhada pra dar, muita lágrima pra chorar. Sei que minhas opiniões vão mudar, sei que terei mais Mirellas habitando em mim daqui há alguns anos. Só espero que o melhor de mim continue em mim. Espero que a inocência da infância e da juventude e a maturidade que meus vinte e poucos anos me trouxeram até agora sejam mantidos. E que venham mais delícias, sofrimentos, prazeres, experiências, aprendizados... mais vida!   


terça-feira, 17 de maio de 2011

O cheiro-de-filho



Cheiro-de-filho é algo tão peculiar que deveria ser escrito assim mesmo, como um substantivo composto.
O cheiro-de-filho é único. Não tem nada nesse planeta que chegue aos pés, nada que se compare.
O cheiro-de-filho encanta. Alegra imensamente. Acalma profundamente.
O cheiro-de-filho tem poder. Faz a endorfina subir a níveis inimagináveis, causa uma bradicardia boa, tudo ao mesmo tempo (euforia e serenidade).
O cheiro-de-filho é uma delícia, traz paz, traz fé, intensifica o amor.
O cheiro-de-filho não muda, não. Aliás, muda a fragrância, mas o cheiro-de-filho continua o mesmo. Sim, é assim mesmo, um paradoxo.
O cheiro-de-filho é doce, suave e gostoso nos primeiros anos de vida. Cheirinho de bebê? Pra qualquer pessoa, menos para os pais. Para eles é o único, incrível, delicioso e insubstituível cheiro-de-filho. Na infância, um pouco maiores, o cheiro-de-filho tem várias nuances, mas continua sendo o peculiar cheiro-de-filho. O mesmo de sempre, mesmo que diferente.
E na vida adulta? Cheiro de homem? Cheiro de mulher? Ah, não pros pais... Pros pais é cheiro-de-filho. O mesmo encantador cheiro-de-filho desde o primeiro dia de vida.
É incrível, é incrível...
Vou lá, tá? Sentir os MEUS cheiros-de-filho...
Recomendo fortemente. Cheiro-de-filho faz milagre.


E o salário ó...

Tem dias em que dá vontade de deixar de lado a educação e a ética profissional e perguntar: -Será que você bebeu água do parto? Ou será que faltou mesmo foi oxigênio na hora? Por que, na boa, você não é normal!
Preparo o aparelho, chamo o paciente, explico o que ele deve fazer, explico o tempo que vai ficar, e ele me diz, com ar arrogante:
-Olha... eu já fiz 20 sessões, e não adiantou nada. O MEU MÉDICO disse que maquininha só não adianta.
(Meu pensamento): - O que você acha então de ir fazer Fisioterapia com o SEU médico? Porque certamente ele deve ser graduado em Fisioterapia, não é mesmo? E outra, maquininha o cacete! Faça o favor de respeitar a Eletroterapia. Se não tem respeito e não acredita nesse tipo de tratamento, que tal ir tomar um passe num centro espírita? Não tem a mesma evidência científica que a maquininha, mas de repente... né? Já que até seu médico entende mais do MEU tratamento que eu, a fisioterapeuta... Aliás, você fez 20 sessões de Fisioterapia e sumiu por, sei lá, uns 3 meses... Fisioterapia é um tratamento às vezes longo, e requer ASSIDUIDADE. E quem disse que você vai fazer só “maquininha”?
(O que minha educação me permitiu falar) -Bom, em primeiro lugar, não são “maquininhas”, cada aparelho tem uma função. Esse, por exemplo... (e toca explicar o funcionamento e os objetivos do Ondas Curtas).
- Ah, mas pro meu caso será mesmo que é bom esse aparelho? Porque o meu médico...
(Meu pensamento): - Estudei pra quê, hein? #$&@%
(O que minha educação me permitiu falar) - Bom, eu já lhe expliquei, esse aparelho faz um calor profundo, vai relaxar sua musculatura, bla bla bla... (sim, meu nome é paciência). Se você não quiser fazer a (modo irônico on) "maquininha", pode passar direto para os exercícios então, ali com a outra fisioterapeuta...
-Não, tudo bem, já que estou aqui, vou fazer.
Ligo o aparelho, explico o que vai acontecer e saio da sala. Terminado o tempo, encaminho o paciente à cinesioterapia, com a M., minha colega de trabalho. Já avisei a ela antecipadamente que o moço deve ter cheirado cola, porque não é possível (sim, somos uma equipe, tenho que avisá-la da "bomba" que lhe aguarda). Passo pela sala dela e ouço o interrogatório do paciente:
-Mas é que eu já fiz 20 sessões e não adiantou. Será que não poderia mudar estes exercícios? O que você acha do tratamento que foi feito anteriormente em mim? (detalhe: por outra fisioterapeuta) É que o MEU médico...
Ouço a M., na maior calma: Os seus exercícios vão progredir a medida em que (...) Eu não posso opinar o tratamento de uma outra fisioterapeuta (...) Bom, mas o SEU médico (...)
O paciente termina o tratamento e vai embora. M. vem até mim:
-Olha, vocês nunca me deixem sozinha com ele, hein? Credoooo!


E isso é só um resumo. Infelizmente aqui não dá pra mostrar as caras e bocas de descrença e de arrogância do cidadão sempre que explicávamos algo pra ele.
E o salário ó...


domingo, 15 de maio de 2011

O que eu também não entendo




Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo...
Amar não é ter que ter
Sempre certeza
É aceitar que ninguém
É perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir...
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender...
Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo...
Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Tô aprendendo também...


(Fernanda Mello e Rogério Flausino)



sábado, 14 de maio de 2011

Respeito é bom... e eu exijo!







Poucas situações são capazes de me tirar do sério. Eu definitivamente não sou uma pessoa estressada. Respiro fundo, me imagino envolta em uma luz violeta ou inspirando violeta e expirando cinza (hehe, aprendi com uma paciente e funciona, viu? Nada como o poder da mente!)... É muito difícil que algo seja relevante o bastante pra fazer com que eu perca minha calma e minha saúde. Bom, dei essa volta toda pra dizer que, apesar de ser difícil me irritar, existe algo que me deixa p... da vida. Realmente fico muuuito indignada com grosseria e falta de respeito.

Pensando bem, acho que a segunda é a causadora da primeira. Foquemos então na segunda. Não admito e não tolero falta de respeito, seja comigo, com a minha família, com os meus amigos ou com qualquer outra pessoa. O respeito e os bons modos deveriam ser ensinados às crianças ainda no útero materno. Deve ser o valor básico e essencial de qualquer ser-humano. Ao menos qualquer um que queira merecer essa denominação.

Não consigo entender pessoas que não respeitam o direito alheio, não respeitam vagas em estacionamento para idosos ou para pessoas com deficiência (aliás, desrespeitar idosos, deficientes físicos, crianças e gestantes despertam minha "ira assassina")... Como pode haver seres que não são capazes de entender que o outro tem sim suas diferenças, mas que tem exatamente os mesmos direitos como cidadão e merece ser respeitado, apesar de ser gordo, magro, alto, baixo, negro, branco, amarelo, índio, verde, rico, pobre, homossexual, heterossexual, bissexual, assexuado... o que for! O que é isso??

Gente, o respeito é fundamental. E respeitar a individualidade, a integridade, os desejos, a dignidade, o espaço do outro é essencial. Não importa se você nunca o viu na vida ou se você o conhece há 50 anos. Não importa se é mais velho ou mais novo, se é uma pessoa desconhecida ou é seu amigo, seu namorado, seu marido, seu filho, seu chefe, seu professor. Por favor, meus queridos, respeito, respeito!

Não, eu não entendo, não quero entender e vou morrer sem entender. Acho tão feio chamar pessoa idosa de "velho", por exemplo. Claro, não de brincadeira, chamando o pai ou o vô de meu velho ou o que o valha. Mas chamar de modo pejorativo me embrulha o estômago. Penso o mesmo para outros apelidos nojentos, como os dados aos gordinhos, aos baixinhos, à pessoa com necessidades especiais, às pessoas mais humildes... enfim, realmente ver uma pessoa (pff, pessoa?) humilhando e constrangendo outra me enoja e muito!

E grosseria, então? Também advém da falta de respeito e é pavoroso idem. O que custa tratar outra pessoa com educação, com "bom dia", "boa tarde", "boa noite"? O que custa tentar entender o motivo de alguma atitude que o desagradou antes de chegar com mil pedras na mão, ofendendo e julgando o outro, sem nem ao menos saber seus motivos? O que custa sermos mais tolerantes, mais pacientes, mais educados, até com quem não é conosco? Que tal começarmos por nós? E, quando alguém nos tira do sério, que tal falar siiiim tudo o que você pensa, mas de maneira civilizada, de maneira adulta? Pra quê tratar os outros com rispidez, pra quê gritar? Ta aí outra coisa que não entendo: pessoas que exigem respeito aos berros. Pra mim, se você grita, não importa seus motivos, já perdeu metade da razão.

Olha, não estou querendo dizer aqui que sou o exemplo da boa educação e que sou a moça mais fina, respeitosa e educada do globo terrestre. Não sou. Acabei de falar sobre um assunto que me faz perder os bons modos. De vez em quando falo palavrão, às vezes sou malcriada, às vezes xingo a mãe. Mas são coisas raras e eu me arrependo sempre.  Faço muita coisa errada, estou longe de ser santa e exemplo pra alguém. Mas em relação a uma coisa, eu posso deitar e dormir tranquila: eu te respeito. Ou ao menos tento te respeitar o maior tempo possível, apesar de ser humana e falhar às vezes. Respeito é bom e eu exijo!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O tal do sonho


O dia tinha sido cansativo e a dor de cabeça tinha aumentado ao longo do dia. Chegou em casa exausta, colocou as crianças na cama e, após fazer tudo que precisava, deitou no escuro absoluto, pra ver se a dor passava. Dormiu. Sonhou com pessoas que já passaram pela sua vida e com pessoas que nunca chegaram a passar. Pessoas especiais, pessoas que admirava, pessoas que amava, mas que, por motivos alheios à sua vontade, não estavam no seu convívio. Pessoas que a vida lhe tirou, pessoas que a vida nem lhe presenteou. Acordou chorando. Sim, chorando. "Quantas pessoas adultas acordam chorando?" Ela se perguntou. "Realmente, não devo ser normal.", pensou.

Mas quem disse que ela queria ser normal?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Confusamente confusa



Escrevo, apago. Escrevo novamente. Apago. Penso em desistir. Volto ao que tenho que fazer. Mas o que quero escrever não me sai da cabeça. Volto a escrever. Não adianta. Escrevo muitas coisas. Coisas lindas. Mas não expressam o que quero dizer. Nem chegam aos pés do que carrego aqui dentro. Definitivamente não sou um ser racional. Não assim nesse estado em que me encontro. Tomada por sentimentos. Sim, sentimentos. Muitos, confusos e misturados. Todos fervilhando em mim. Palavras, eu curto vocês. Amo vocês, queridas palavras! Mas vocês não têm a capacidade pra expressar o que sinto nesse momento. Já tentei usá-las muitas vezes. Vocês já me foram muito úteis. Já escrevi textos aqui que caíram como uma luva pro que sentia. Só que hoje vocês estão me faltando. Talvez porque eu mesma não consiga organizar meus sentimentos. Há de se organizar os sentimentos pra que haja organização dos pensamentos, creio eu. Pois hoje me dou o direito de mantê-los desorganizados. Hoje me dou o direito de apenas sentir. SENTIR, SENTIR, SENTIR. Intensamente, confusamente, absurdamente, desorganizadamente. Hoje me dou o direito de chorar, de gritar, de explodir. Não quero mais entender isso tudo. Não hoje. Cada dia me convenço mais de que existem sentimentos que não devem ser entendidos, não devem ser explicados, não devem ser descritos. Alguns devem ser apenas sentidos, em toda a sua plenitude. E no dia de hoje, meus sentimentos indecifráveis estão gritando aqui dentro. Não quero e não vou calar. Que gritem.
 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tudo


      

        Diz a lenda que o Dia das Mães está chegando, mas como eu sou mãe nos 365 dias do ano e 24h por dia, não preciso de dia certo pra falar sobre isso: ser mãe.

(Eu penso bastante antes de colocar um título no post. Gosto que expresse o mais fielmente possível o que quero passar com o texto. E tem título melhor pra este? Afinal, eles, os meus filhos, são exatamente isso pra mim. Ele representam isso na minha vida: TUDO.)

        Ser mãe é sofrer e se alegrar, é sorrir e chorar, é se preocupar e se orgulhar, é amar incondicionalmente... E tudo ao mesmo tempo. Ser mãe é sentir um turbilhão de emoções. É mesmo como diz o ditado: “padecer no paraíso...”
       Eu quero falar do meu príncipe, meu João Matheus. Ele foi um danadinho, chegou de surpresa e transformou a minha vida. Eu era uma menina CDF, cheia de sonhos e de planos, terminando o Ensino Médio, me preparando pra prestar o vestibular e apaixonada pelo namorado. Foi um sustão no começo, chorei muito, me desesperei... Mas depois foi tanta, tanta, taaanta alegria! Continuei com meus planos, passei no vestibular da Udesc, em primeiro lugar, estando grávida de 8 meses. Sim, eu me orgulho disso. A gravidez foi ótima, ele nasceu tão saudável, lindo, cheio de vida. Meu filho me tornou mãe. E com isso, mais mulher, mais madura, mais cuidadosa, mais compreensiva, mais paciente. E com muito mais sonhos e planos. É tão gratificante ver meu menino crescer, evoluir, dar seus passinhos infantis e subindo cada degrau da vida, aprendendo coisas novas, novas descobertas, dia após dia. É tão gostoso ensiná-lo e educá-lo. Mas, ao mesmo tempo, não é uma tarefa nada fácil. É uma experiência inédita pra mim. Ele é um menino. Sim, eu já fui criança, mas eu era uma menina e têm certas coisas que eu não sei (e nem vou saber futuramente) explicar direito pra ele... Então, na ausência do pai (que Deus o tenha), às vezes tenho que apelar pro avô-pai.
          Meu João é muito inteligente. Está no 1° ano, aprendendo a ler e tendo aulas de capoeira na escola. E adora tudo isso!  Gosta muito de brincar de bicicleta, de jogar no computador, de brincar com seus bonecos, de cantar e fazer shows pra assistirmos, de ir ao cinema e ao McDonalds (mas só pelo brinquedo, e não pelo lanche haha). É um pouco distraído, e de vez em quando tenho que chamá-lo muitas vezes até que me entenda e me atenda. Mas é tão carinhoso, tão educado, vem com cada frase de “adulto”, que fico babando!
            E a minha doce Maria? Foi outro susto, logo após reatar com o pai dela (tínhamos nos separado por uns meses). E eu estava na metade da faculdade. Mas foi outra surpresa deliciosa. Ahh, minha princesinha, meu “clone”, como todos dizem. Bom, eu a acho bem parecida com o pai, até a cor da pele mais clarinha (eu já sou mais morena). Mas onde quer que eu vá, as pessoas sempre param e dizem: “Ohhh, como parece com você!!” Então, tá, gente... Vocês estão conseguindo me convencer! 
           A minha Maria é uma serelepe, muito levadinha igual ao irmão. Um pouco manhosa também. Não posso brigar com ela, por qualquer coisa, que ela abre o maior berreiro, com muitas lágrimas (não sei como consegue) e um bico enorme. Vem pra mim aos prantos, com os bracinhos estendidos querendo abraço, e dizendo “Desculpa, mamãããe”. Golpe baixo. Ah, apesar de ser um doce, toda carinhosinha, ela adora “tocar o terror”. Vive me deixando de cabelo em pé, ficando de ponta cabeça, subindo em árvore, pulando na minha cama (como detesto isso), virando estrela. Doidinha essa menina. Ela também é muito inteligente, já consegue escrever o próprio nome, e já sabe falar as cores em inglês. Aprendeu com o irmão. E ela adora um ataque de cócegas. Mas não posso fazer por muito tempo, porque senão ela me diz: -Mãaaee, pára que eu vou fazer xixi na calça! hahahaha
            Bom, meus filhos são o que move a minha vida. É por eles que eu trabalho e batalho tanto... É por eles, inclusive, que eu me cuido e me amo. Eles me dão um trabalho enoooorme, e é muito cansativo. Às vezes eu perco a paciência com eles; sou humana. Às vezes levanto a voz, às vezes dou palmadas. Mas sempre me arrependo depois.
             Meus anjos, vocês ainda são pequeninos, não sabem ler e não entenderiam o que escrevi aqui. Mas eu sei que vocês sentem o meu amor por vocês. Vocês sabem que a mamãe erra, que a mamãe às vezes perde a paciência. Mas vocês sabem que os beijos, os abraços, os apertos e os ataques de cócegas que vocês tanto gostam são muito mais freqüentes.

             Eu desejo a vocês uma vida honesta, digna, com alegrias infinitas, com frustrações, com aprendizados dolorosos, com aprendizados felizes, com amores, com prazeres, com trabalho, com luta. E que vocês sempre lembrem do meu AMOR IMENSO POR VOCÊS.