terça-feira, 17 de maio de 2011

E o salário ó...

Tem dias em que dá vontade de deixar de lado a educação e a ética profissional e perguntar: -Será que você bebeu água do parto? Ou será que faltou mesmo foi oxigênio na hora? Por que, na boa, você não é normal!
Preparo o aparelho, chamo o paciente, explico o que ele deve fazer, explico o tempo que vai ficar, e ele me diz, com ar arrogante:
-Olha... eu já fiz 20 sessões, e não adiantou nada. O MEU MÉDICO disse que maquininha só não adianta.
(Meu pensamento): - O que você acha então de ir fazer Fisioterapia com o SEU médico? Porque certamente ele deve ser graduado em Fisioterapia, não é mesmo? E outra, maquininha o cacete! Faça o favor de respeitar a Eletroterapia. Se não tem respeito e não acredita nesse tipo de tratamento, que tal ir tomar um passe num centro espírita? Não tem a mesma evidência científica que a maquininha, mas de repente... né? Já que até seu médico entende mais do MEU tratamento que eu, a fisioterapeuta... Aliás, você fez 20 sessões de Fisioterapia e sumiu por, sei lá, uns 3 meses... Fisioterapia é um tratamento às vezes longo, e requer ASSIDUIDADE. E quem disse que você vai fazer só “maquininha”?
(O que minha educação me permitiu falar) -Bom, em primeiro lugar, não são “maquininhas”, cada aparelho tem uma função. Esse, por exemplo... (e toca explicar o funcionamento e os objetivos do Ondas Curtas).
- Ah, mas pro meu caso será mesmo que é bom esse aparelho? Porque o meu médico...
(Meu pensamento): - Estudei pra quê, hein? #$&@%
(O que minha educação me permitiu falar) - Bom, eu já lhe expliquei, esse aparelho faz um calor profundo, vai relaxar sua musculatura, bla bla bla... (sim, meu nome é paciência). Se você não quiser fazer a (modo irônico on) "maquininha", pode passar direto para os exercícios então, ali com a outra fisioterapeuta...
-Não, tudo bem, já que estou aqui, vou fazer.
Ligo o aparelho, explico o que vai acontecer e saio da sala. Terminado o tempo, encaminho o paciente à cinesioterapia, com a M., minha colega de trabalho. Já avisei a ela antecipadamente que o moço deve ter cheirado cola, porque não é possível (sim, somos uma equipe, tenho que avisá-la da "bomba" que lhe aguarda). Passo pela sala dela e ouço o interrogatório do paciente:
-Mas é que eu já fiz 20 sessões e não adiantou. Será que não poderia mudar estes exercícios? O que você acha do tratamento que foi feito anteriormente em mim? (detalhe: por outra fisioterapeuta) É que o MEU médico...
Ouço a M., na maior calma: Os seus exercícios vão progredir a medida em que (...) Eu não posso opinar o tratamento de uma outra fisioterapeuta (...) Bom, mas o SEU médico (...)
O paciente termina o tratamento e vai embora. M. vem até mim:
-Olha, vocês nunca me deixem sozinha com ele, hein? Credoooo!


E isso é só um resumo. Infelizmente aqui não dá pra mostrar as caras e bocas de descrença e de arrogância do cidadão sempre que explicávamos algo pra ele.
E o salário ó...


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