sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os meus melhores olhos


Moro no mesmo bairro desde criança. Não é um bairro de classe A, mas também está muito longe de ser um bairro pobre. É um bairro pequeno, em uma cidade muito próxima à capital. Nele, eu me sinto em casa. Tudo me soa familiar. As ruas me trazem recordações de toda uma vida. Passo pela avenida principal e encontro o colégio público onde estudei até a sétima série. Naquele colégio, recordo-me de alguns professores, recordo-me dos longos textos de Geografia, os quais eu decorava letra por letra e tirava dez nas provas. Recordo-me dos ditados em que não errava nenhuma palavra e das aulas de Português, em que inventava longas historinhas mirabolantes nas redações.
Do outro lado da rua, vejo a casa de esquina onde me criei. A casa que ainda é dos meus avós. Repasso mentalmente a infância naquele lugar. Lembro do meu avô varrendo a calçada. E sinto saudades vivas, ainda. Do meu avô, que se foi há dois meses e tinha um sorriso tímido e longas histórias para contar. Vejo outra rua logo acima e lembro-me dos momentos passados ao lado de minhas grandes amigas. Ambas moravam nesta mesma rua. Naquele bairro e naquelas ruas, eu vivi, cresci, chorei, sorri, aprendi e me transformei no que sou hoje.
Há 10 minutos dali, após subir um aclive discreto, eu vejo a rua comprida e escura onde eu sempre ia, com a barriga revirando de ansiedade e nervosismo, encontrar meu primeiro namorado. No outro oposto do bairro eu vejo a rua pequena e iluminada onde ia, um pouco mais madura, encontrar o meu segundo namorado, anos depois. Momentos diversos, intensos e variados foram vividos nesses locais, nessas ruas, nesse bairro. Ali, eu me sinto em casa. Conheço na palma das minhas mãos cada caminho, cada viela, cada beco.
Mas isso é como EU o vejo. Isso são os MEUS olhos. Se você, que nunca pisou seus pés nesse local, aparecer por aqui, em uma segunda de madrugada, talvez tenha medo, talvez ache assustador, talvez ache o bairro vazio e triste. Se você mora em um bairro nobre de outra cidade, se você mora em Nova Iorque ou o que o valha, você vai achar um bairro pobre, um bairro feio, um bairro sinistro. Porém, se você é de um local mais humilde, talvez ache que aqui é um paraíso na Terra. Talvez ache aconchegante, tranqüilo, familiar.
Dei toda essa volta porque esses dias tive uma constatação. Uma constatação boba, mas que me deu um estalo bacana e me acrescentou muito: tudo depende do lugar em que você senta na arquibancada. Tudo depende do ângulo em que você olha o objeto. Olhe uma bela grávida de biquíni. Olhe de costas: Uma gostosona. Olhe de perfil: Uma bela gestante. Olhe de frente: Uma bela moça, um pouco sem cintura. E assim é a vida. Assim também são as situações em que vivemos. Olhe pelo melhor ângulo. Sempre há escolha boas e ruins entre as poltronas do cinema, a não ser que você fique sentado do lado de fora, vendo o tempo passar e resolvendo entrar na sessão apenas lá pela metade do filme. Apresse-se e faça a melhor escolha. Faça a que mais te agrada! 
O que te faz sorrir? Que situação só você viveu e que, ao parar para pensar, te faz sorrir e se alegrar? Pense nela. Sinta-se feliz. Agora, use os mesmos olhos radiantes e olhe aquela situação que te entristece com as mesmas lentes. Ainda assim não conseguiu se alegrar? Então, mude o ângulo de visão. Olhe mais à esquerda. Mais à direita. Mais à frente. Ajeite. Posicione. Foque de um jeito mais nítido, mais confortável. Você tem esse poder. Você pode olhar de um jeito mais legal aquilo que você jura que não está. 
O que sei é que, a partir de agora, vou procurar observar a minha vida e tudo o que acontece nela do mesmo modo que observo o bairro em que nasci: Com os meus melhores olhos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Fundidos





Não podia mais resistir...

Estava entregue.

Alma e corpo liquefeitos.

Desmanchados em desejo.

Fundidos, fodidos.

Já não sabia...

Onde um começava...

Onde o outro terminava.

Cada milímetro de pele implorava.

O corpo gritava em silêncio;

A boca silenciava em grito!

Tudo explodia em prazer!

E o mundo podia acabar em gozo...

Que tudo estaria perfeito!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Amy

 
É uma grande perda no âmbito da arte. Era um excelente cantora, dona de uma voz maravilhosa. Gosto demais do seu trabalho como artista.
Quanto ao ser-humano, não me cabe julgar. Se era louca, sem noção, viciada, não me diz respeito. E ninguém sabe o que seus olhos já viram, nem o que seus ouvidos já ouviram. Ninguém sabe como cresceu e nem como foi educada. Talvez ela tenha encontrado o destino que procurou. É uma pena. Uma grande perda. Uma voz inegavelmente linda!
Com vocês, Amy Winehouse:




Cicatrizes


Eu tenho uma teoria. Tudo começa dentro de você. Então, hoje eu estou me sentindo uma idiota completa? Sim, estou. E a culpa é de quem? É minha, claro! Eu fui a responsável. Sempre sou. Afinal, eu ignorei os avisos de pessoas que conheciam melhor a situação. E também não escutei meus próprios instintos. Eu atropelei a razão sem dó nem piedade... E ainda dei ré para esmagar bem! Eu superestimei meu coração. Pensei que ele aguentasse o tranco e que sairia ileso. E justo quando ele mais precisava de descanso! Eu ignorei solenemente meus princípios. Eu me joguei, pensando que era apenas um joguinho inocente. Game over pra mim!   Perdi e mereci.  E estou aqui, me sentindo uma ridícula. Pensando em tudo o que eu ignorei para, mais uma inútil vez, mergulhar com uma pedra pesada amarrada ao pescoço. Toma, coração! Desculpe-me, meu amigo, mas lá vai mais uma cicatriz pra você. Dias melhores virão, meu lindo, fica tranqüilo. Essa sua dona merece o melhor. Porque ela sempre oferece o melhor. E ela acredita que quem dá o melhor, recebe o melhor. Ela é uma louca guiada pelas emoções, coração... Mas ela ainda aprenderá a não subestimar seus instintos, a não passar por cima de seus princípios e a fugir enquanto é tempo. Um dia ela ainda vai ver que o melhor ainda não chegou. Jamais deixará que brinquem com ela novamente. As cicatrizes, coração, são como recados pendurados no mural: "Não repetir o erro novamente", em letras vermelhas e garrafais. O ferimento dói na hora, meu amigo, mas tem como resultado cicatrizes que servem de lição. Fica tranquilo, coração. Saiba que você só tem cicatrizes porque você vive! E como vive! 




domingo, 24 de julho de 2011

Caminhos- Parte II



Três meses antes. Férias, verão, calor, sol, praia. Anita tinha a sorte de morar em um local paradisíaco. Por isso, decidiu não viajar naquelas férias. Aproveitaria o período de recesso para colocar em ordem gavetas, razão e emoção. Eu moro onde você passa férias, ela pensou enquanto estava deitada, sentindo o calor do sol aconchegando seu corpo e dourando naturalmente sua pele.

 Anita estava com duas amigas naquela bela praia, há cerca de 10km da capital. Luana e Isa, as amigas, insistiram para que Anita largasse tudo por pelo menos alguns dias. Disseram que Anita era linda, jovem e precisava aproveitar o verão lindo que resplandecia bem debaixo de seus olhos. Anita acabou cedendo à investida das amigas; afinal, ela própria sabia que estava precisando muito de diversão. Preciso de praia, de sol, de uma boa cerveja gelada, de umas boas risadas... e de uma boa trepada! Anita corou ao pensar daquele jeito! Entendia que estava mesmo muito tempo sem um namorado e que estava realmente precisando de carinho. Mas aí a pensar desse jeito! Recriminou-se e se sentiu vulgar. 

Deitada sob o sol, todos esses pensamentos a tomavam novamente. Luana e Isa estavam em um barzinho próximo, conversando com alguns amigos que tinham encontrado por ali. Anita sentiu sede. O calor estava intenso. Levantou e foi até o bar, onde estavam as amigas. Aproximou-se do grupo, sorriu cordialmente para as meninas e foi até o atendente buscar algo para beber. Enquanto se afastava, notou que estava sendo observada. Em uma mesa próxima estavam dois homens. Um deles (e realmente o mais interessante) fitava discretamente Anita. Quando ela o olhava, ele desviava o olhar e voltava a conversar com o outro homem.

Anita pediu a bebida ao atendente do bar e enquanto aguardava seu pedido, observava o homem, que estava ligeiramente de costas para ela. Anita usava óculos escuros, o que lhe permitia observar a mesa dos dois rapazes, ao mesmo tempo em que podia disfarçar, parecendo observar o horizonte da praia. O homem usava uma camiseta verde e bermuda jeans clara, com chinelos azuis, adequados ao ambiente em que estavam. Mesmo sentado, Anita pôde perceber que era apenas um pouco mais alto do que ela e tinha o corpo bonito. O corpo era másculo, tinha bons contornos, ombros largos, com aparência forte e um bronzeado natural. O outro homem ria desajeitadamente enquanto bebiam cerveja, e a conversa entre eles parecia animada.

O homem continuava a olhar para Anita, dessa vez, talvez sob o efeito do álcool, com menos pudores. A bebida de Anita chegou e ela começou a refazer seu caminho de volta à praia. Anita sentiu-se completamente invadida pelos olhares famintos do rapaz. Ele sorria discretamente e parecia, naquele momento, alheio ao assunto do amigo. Naquele momento eram só ele e ela. Anita nunca imaginou que pudesse conversar com alguém sem usar palavras. E menos ainda com um completo estranho. Naquele instante, entretanto, ela sabia exatamente o que ele desejava... E quem ele desejava! Anita sentiu seu rosto queimar, seu coração disparar e pensamentos obscenos começaram a dominá-la. Como ele ousa? Mas quanto atrevimento!

Continuou seu caminho até a praia. Definitivamente, ela já não sabia mais se o calor que estava sentindo era do calor ardente do sol de janeiro ou se vinha mesmo de dentro dela. O que está acontecendo comigo? Como pode apenas um estranho (um belo estranho, por sinal) me causar tanta inquietação? Ela não teve tempo de organizar seus pensamentos, pois quando abriu seus olhos, ainda deitada de costas sob sua manta na areia, ela percebeu que o homem estava de pé, ao seu lado, a encarando de um modo que ela jamais vira na vida.

Continua em uma próxima postagem...



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Eu



Tenho alegrias intensas.
Tenho tristezas brandas. 
Sou boa no que faço.
Quando faço com gosto.
 E quando gosto do que faço.
Eu gosto de toque.
 Eu gosto de pele.
Eu gosto de corpo.
Eu goste de alma.
Eu gosto de gente.
Eu gosto de verdade.
Sou mais eu.
Sou carente.
Sou ciumenta. 
Um pouco insegura em relação a você.
Muito segura em relação a mim.
 Eu me conheço.
Mas não me entendo.
Sou imprevisível.
 Sou paradoxal.
Sou sensata.
 Sou louca.
Sou imperfeita.
 Sou de verdade.
Sou eu.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Caminhos- Parte I


Anita estava exausta. Os dois últimos dias haviam sido os mais loucos e estranhos da sua vida. Anita sempre teve muita responsabilidade, apesar de sua essência ser a de uma “doida varrida”, como dizia sua mãe. Mãe, você sempre teve razão! Ela pensou, de dentro do avião, ao voltar para casa. Todos os músculos do seu corpo doíam, sua cabeça latejava e ela estava começando a sentir-se enjoada. Passada a excitação, as conseqüências daqueles dois dias estavam se tornando mais evidentes. Apesar dos desconfortos físicos, ela estava eufórica, feliz, radiante. Não conseguia deixar de pensar em tudo o que tinha acontecido. Sempre que pensava, um frio gostoso lhe percorria a espinha, seu estômago contraía, os seios ficavam rijos, as partes íntimas umedeciam e as faces ficavam rubras. Ai, que calor aqui dentro! Anita fechou os olhos e encostou a cabeça no apoio. Seu corpo entregou-se ao descanso e sua mente entregou-se às lembranças. Lembranças surreais. Tudo veio à tona: não apenas os dois últimos dias, mas tudo o que tinha contribuído para que a situação tivesse chegado àquele desfecho imprevisível.
Continua em uma próxima postagem...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Depois da tormenta, a calmaria




Hoje eu subitamente me vi calma. Feliz, sim. Hoje eu vi que o futuro é mesmo uma incógnita. Hoje eu vi que a tormenta que visualizamos em um dia, vista dias depois, despida de toda a emoção, era apenas um chuvisco. Hoje eu percebi que a paixão é sim, boa e, devo confessar: combina comigo. Intensa, louca, emotiva, caótica. Porém, percebi que o mais fantástico mesmo... Ainda mais fantástico do que ser passional, é ter controle sobre si mesma. Controle sobre seus atos e controle sobre suas emoções. A paixão provoca sensações gostosas, te despe, te injeta insensatez na veia. Mas nela você viaja no piloto automático. Sujeita-se a ela. Ela manda, você obedece. Armadilha das grandes! Hoje, porém, me percebi mais madura. Eu me vi torcendo pela felicidade de alguém que um dia me fez ficar no piloto automático. Um ser humano como poucos. Eu percebi que ele é ainda mais incrível visto do lado de fora da paixão. Uma pessoa que me fez um bem que nem ela sabe que fez. Que me fez amadurecer e me fez ver coisas que eu não via. Uma pessoa que se tornou uma amiga e que terá meu carinho enquanto eu viver. Não importa se eu nunca mais a vir e se nossos caminhos se dirigirem em direções opostas. Uma pessoa que me ensinou muitas coisas. Ensinou que paixão é doença. Ensinou que amor é porto seguro. Ensinou que o futuro, não nos cabe desvendar. Ensinou que nada é impossível. Ensinou que pode-se desejar a felicidade a distância de alguém que você deseja bem perto. Com ele eu aprendi, em alguns meses, conteúdo que vou levar para uma vida inteira. Doeu, sofri, chorei, me perdi de mim. E fui a única responsável. E valeu a pena cada minuto. E cresci exponencialmente. Despida de emoções incontroláveis e dona de mim. É... depois da tormenta, vem a calmaria. Sempre vem.

(Texto guardado na pasta de rascunhos. Tive vontade de publicá-lo hoje...)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Tudo começa em você



O bom é quando ela vem assim mesmo: sem um acontecimento marcante e sem nenhum motivo aparente. Gostoso mesmo é desse jeito. É quando a felicidade aparece subitamente e te invade. E você pára e sorri. E já não importa se tem alguém te olhando ou se ninguém é testemunha desse sentimento repentino. Nada importa. O vento gelado do inverno sulista encontra o teu rosto. E te penetra os poros, e penetra na alma. O vento... Ele sempre foi teu cúmplice. Inexplicavelmente, ele potencializa a tua felicidade. E você percebe, finalmente percebe, que não importa como você se sinta. O sol nascerá todos os dias, o relógio continuará tiquetaqueando, você vai abrir seus olhos, seus músculos se contrairão para permitir seus movimentos, seu coração continuará em sístoles e diástoles rítmicas para proporcionar nutrição a todos os tecidos do seu corpo, célula por célula. Repito: não importa como você se sinta. O sol nascerá todos os dias, quer que você queira, quer não queira. E você percebe que TUDO, TU-DO nesse mundo começa em você. Se a sua vida anda fantástica ou se anda péssima, se as coisas não dão certo, ou se anda tudo maravilhosamente bem... É tudo responsabilidade sua! Você colhe o que planta (há muita verdade em clichês). Então, faça acontecer! Cerque-se de coisas positivas. Decidi que é isso que eu quero pra mim. Cercar-me de pessoas gostosas. Astral gostoso, energia gostosa, papo gostoso, risada gostosa. É isso aí. Felicidade súbita e consciência de que a minha vida é exteriorização do que eu sou. Confuso? Não importa. Estou feliz!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Não sei vocês, mas eu tenho nojo...


Chamo a paciente para ser atendida. Ela senta-se e começa a folhear uma revista, parando repentinamente em uma foto de um casal de noivos, à beira do altar. Ela, negra e ele, branco. Ela fixa o olhar por alguns segundos na foto e me diz:
-Mas com tanta mulher por aí para se casar, o “homi” foi se casar logo com uma NEGRA!?
Contrai o rosto na hora, perplexa que fiquei. Respirei fundo, tentei me controlar e disse:
-Mas o que a senhora tem contra as pessoas negras, dona Y?
Sem tirar os olhos da foto, ela me diz:
-Não tenho nada. Mas nuuunca que eu ia me casar com um negro... Tu casarias com um negro?
Meu rosto a essa altura já estava ainda mais contraído. Não sabia se gargalhava na cara dela, se xingava grosseiramente ou se pedia licença e abandonava a paciente. Mas mantive o controle:
-Mas é claro que eu me casaria com um negro, se eu o amasse... (Fiz uma pausa) Noooossa, como a senhora é preconceituosa, dona Y!!! Boom... Vamos lá para o turbilhão?
Essa pessoa, aliás, foi a mesma que, um dia desses, quase me fez engasgar ao dizer que o divórcio é coisa do diabo, e foi feito para destruir as famílias, e que hoje os filhos são "tudo criado largado por causa dessa lei de divórcio". Vocês não sabem como é difícil manter a ética e a compostura numa hora dessas. A minha vontade foi de ter falado pra ela que já tive namorado negro... Ou de mentir, dizendo que meu pai era negro, só pra ver a cara de idiota dela diante de mim. Ou ainda, de dizer a ela que isso era coisa de gente ignorante (isso, sendo MUITO gentil). Mas me contive apenas com aquelas palavras! Eu amo a minha profissão. Mas ela, em algumas situações, é tão difícil! É muito complicado lidar com o ser-humano. Só em pensar que, como ela, existem milhões, já me dá uma sensação de descrença no mundo muito grande. Vocês me desculpem, mas não sou santa e tenho "preconceito contra preconceituosos". Senti NOJO dessa senhora, e nada mais.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Foi, mas ficou...

Eu tinha 17 anos e você, 25. Eu te achei lindo assim que te vi. Timidamente, aceitei tua carona pra casa. Conversamos muito. Mais te ouvi do que falei. Papo ótimo, risadas garantidas. Eu precisava ir embora. Você me puxou de volta e nem deu tempo para que eu respirasse. Que beijo! E depois outro, e outro. E muitos outros naquela noite. E na mesma noite me pediu em namoro. Eu? Louquinha que já era, aceitei. As amigas me falaram que eu era louca, que eu mal te conhecia, que tinhas fama de galinha. Eu disse a elas que se não desse certo, era só terminar. Simples. Adorava me arrumar pra ir à tua casa. Alugávamos filmes, comíamos pipoca, namorávamos. Com 4 meses de namoro, engravidei. Veio o nosso menino. Você sempre ao meu lado, trocando fraldas, embalando de pé, trabalhando mais de 12h pra que eu não parasse a faculdade. Como eu te amei! Tua risada, teu timbre de voz, teu corpo, teu beijo. Até hoje eu não me esqueci de nenhum detalhe. Tínhamos brigas terríveis... Mas com reconciliações à altura. Éramos um casal intenso. E como! Hoje eu posso dizer que a tua falta não me dói. Não mais, meu querido. Sinto saudade e às vezes me pego sorrindo, pensando em algo de nós dois... Às vezes flagro nos nossos filhos algum sorriso teu, alguma expressão do rosto igual. E fico ali, observando as tuas cópias, boba, boba. Hoje eu posso dizer que superei a tua partida. E só tenho a te agradecer por ter estado na minha vida... E por te deixado duas bençãos nela. Você foi a pessoa que me deu a maior alegria que eu poderia ter tido. Jamais me esquecerei disso. Obrigada por ter passado pela minha vida. Obrigada por ter sido minha alegria e minha tristeza. Obrigada por ter sido o pai dos meus filhos. Obrigada.




domingo, 3 de julho de 2011

Ilha linda, tás é doido*




Um pedacinho de terra,
perdido no mar...
Num pedacinho de terra,
beleza sem par...


Jamais a natureza
reuniu tanta beleza
jamais algum poeta
teve tanto pra cantar!
Num pedacinho de terra
belezas sem par!
Ilha da moça faceira,
da velha rendeira tradicional


Ilha da velha figueira
onde em tarde fagueira
vou ler meu jornal.

Tua lagoa formosa
ternura de rosa
poema ao luar,
cristal onde a lua vaidosa

sestrosa, dengosa
vem se espelhar..."

Rancho de amor à Ilha
(Zininho)








*Tás é doido: expressão manezinha que significa "estás doido, estás maluco" e geralmente serve para demonstrar entusiasmo e enfatizar o que foi dito anteriormente! Entendeu? :D

sábado, 2 de julho de 2011

De tudo um pouco



Sentei-me na frente desse computador. Apoiei o cotovelo esquerdo na mesinha e a mão esquerda espalmada segurando o rosto. Fechei os olhos por uns 10 segundos e suspirei. Precisava dormir; O dia havia sido cansativo e nada proveitoso. Apesar disso, precisava tanto desabafar aqui nesse meu mundinho “público-particular”. Mas não encontrava as palavras e, quando as achava, não conseguia reuni-las em forma de frases com sentido. Esse meu caso de amor e ódio com as palavras não é de hoje (como eu digo nesse post aqui).

Bom, falei que precisava desabafar, mas nem sei bem se a palavra certa seria desabafo. Não estou triste, não. Entretanto, não estou radiante de felicidade. Estou serena, calma, em paz. Mas tive uma ânsia absurda e inexplicável de vir escrever. Pensei em escrever sobre o meu pai. E sobre tudo o que aprendi na minha vida com esse cara sensacional que ele é. Mas decidi que quero falar dele em uma outra hora, porque ele merece mais inspiração do que posso dar no dia de hoje.

Pensei também em falar sobre o tal do “eu te amo”. Frasezinha danada, pois trata-se do sentimento supremo, o mais nobre de todos, o “mais-mais”. Pensei nisso porque recentemente disse essa frase a uma grande amiga, que entrou há pouco na minha vida. Talvez ela tenha se surpreendido ao ouvir isso de mim, visto que nos conhecemos há uns três meses. Mas, sim, eu a amo. Sim, eu digo, sem nenhum constrangimento, “eu te amo” aos meus amigos. Tenho raros amigos. Amigos, amigos MESMO, posso contar nos dedos de apenas uma mão. E os amo profundamente. Uma coisa pode-se ter certeza ao meu respeito. Se algum dia eu lhe disser que o amo. Acredite: eu amo.

Mas aí pensei também em falar sobre os sentimentos turbulentos e variados que me habitam. Só que já falei tanto deles aqui, que chega a ser chato. Porém, lembrei que o blog é meu (tcharãããã, é meu, olha que legal!!) e quem quiser ler, fará por sua conta e risco. Aqui eu escrevo pra mim, escrevo porque gosto, escrevo porque é terapia. É particular, mas eu deixo público, seguindo a frase maravilhosa de autoria duvidosa "Eu me exponho para que nada se imponha dentro de mim". É isso mesmo: particular, meu eu, meu interior, meus sentimentos, meus devaneios, meus desabafos, minhas dores, minhas alegrias, meus pensamentos. E público, ao alcance de quem se interessar, ao alcance de qualquer pesquisa no Google, de qualquer ser humano em qualquer lugar do planeta. Sou um paradoxo e quero morrer assim. Adooooro comentários, adoro quando me leem e vêm comentar, elogiando (não vou ser hipócrita e dizer que amo críticas, hahaha). Mas esse não é, definitivamente, meu objetivo maior.

Aí também me ocorreu falar sobre a supervalorização que damos a algumas pessoas e sobre o tempo pre-ci-o-so que perdemos, além da energia imensa que gastamos em algumas fases de nossas vidas. Será que é certo gostar sem reciprocidade? Sentir saudade sem reciprocidade? E não me venha com “ahhh, mas essas coisas a gente não escolhe”. Vamos criar vergonha nas fuças e nos amar, queridos! Bom... Esse assunto da tal reciprocidade daria muito pano pra manga, então pensei que ele também exigiria mais inspiração, assim como o texto que dedicarei ao meu pai, qualquer dia desses.

Como viram, tinha muita coisa pra despejar aqui, mas acabo de perceber que já falei abobrinhas demais e, apesar de ser meu blog e blábláblá, minha falta de noção tem limite. Então paro por aqui, porque minha garganta não está legal, meu pescoço está doendo, o dia foi cansativo e tenho um livro maravilhoso e uma cama quentinha me esperando. Prometo (a mim mesmo e aos doidos que invadem meu mundo privado) que voltarei mais inspirada, menos confusa e mais coerente. E após um dia fantástico, desses que ainda estão por vir.

Beijo beijo beijo

Mi