domingo, 24 de julho de 2011

Caminhos- Parte II



Três meses antes. Férias, verão, calor, sol, praia. Anita tinha a sorte de morar em um local paradisíaco. Por isso, decidiu não viajar naquelas férias. Aproveitaria o período de recesso para colocar em ordem gavetas, razão e emoção. Eu moro onde você passa férias, ela pensou enquanto estava deitada, sentindo o calor do sol aconchegando seu corpo e dourando naturalmente sua pele.

 Anita estava com duas amigas naquela bela praia, há cerca de 10km da capital. Luana e Isa, as amigas, insistiram para que Anita largasse tudo por pelo menos alguns dias. Disseram que Anita era linda, jovem e precisava aproveitar o verão lindo que resplandecia bem debaixo de seus olhos. Anita acabou cedendo à investida das amigas; afinal, ela própria sabia que estava precisando muito de diversão. Preciso de praia, de sol, de uma boa cerveja gelada, de umas boas risadas... e de uma boa trepada! Anita corou ao pensar daquele jeito! Entendia que estava mesmo muito tempo sem um namorado e que estava realmente precisando de carinho. Mas aí a pensar desse jeito! Recriminou-se e se sentiu vulgar. 

Deitada sob o sol, todos esses pensamentos a tomavam novamente. Luana e Isa estavam em um barzinho próximo, conversando com alguns amigos que tinham encontrado por ali. Anita sentiu sede. O calor estava intenso. Levantou e foi até o bar, onde estavam as amigas. Aproximou-se do grupo, sorriu cordialmente para as meninas e foi até o atendente buscar algo para beber. Enquanto se afastava, notou que estava sendo observada. Em uma mesa próxima estavam dois homens. Um deles (e realmente o mais interessante) fitava discretamente Anita. Quando ela o olhava, ele desviava o olhar e voltava a conversar com o outro homem.

Anita pediu a bebida ao atendente do bar e enquanto aguardava seu pedido, observava o homem, que estava ligeiramente de costas para ela. Anita usava óculos escuros, o que lhe permitia observar a mesa dos dois rapazes, ao mesmo tempo em que podia disfarçar, parecendo observar o horizonte da praia. O homem usava uma camiseta verde e bermuda jeans clara, com chinelos azuis, adequados ao ambiente em que estavam. Mesmo sentado, Anita pôde perceber que era apenas um pouco mais alto do que ela e tinha o corpo bonito. O corpo era másculo, tinha bons contornos, ombros largos, com aparência forte e um bronzeado natural. O outro homem ria desajeitadamente enquanto bebiam cerveja, e a conversa entre eles parecia animada.

O homem continuava a olhar para Anita, dessa vez, talvez sob o efeito do álcool, com menos pudores. A bebida de Anita chegou e ela começou a refazer seu caminho de volta à praia. Anita sentiu-se completamente invadida pelos olhares famintos do rapaz. Ele sorria discretamente e parecia, naquele momento, alheio ao assunto do amigo. Naquele momento eram só ele e ela. Anita nunca imaginou que pudesse conversar com alguém sem usar palavras. E menos ainda com um completo estranho. Naquele instante, entretanto, ela sabia exatamente o que ele desejava... E quem ele desejava! Anita sentiu seu rosto queimar, seu coração disparar e pensamentos obscenos começaram a dominá-la. Como ele ousa? Mas quanto atrevimento!

Continuou seu caminho até a praia. Definitivamente, ela já não sabia mais se o calor que estava sentindo era do calor ardente do sol de janeiro ou se vinha mesmo de dentro dela. O que está acontecendo comigo? Como pode apenas um estranho (um belo estranho, por sinal) me causar tanta inquietação? Ela não teve tempo de organizar seus pensamentos, pois quando abriu seus olhos, ainda deitada de costas sob sua manta na areia, ela percebeu que o homem estava de pé, ao seu lado, a encarando de um modo que ela jamais vira na vida.

Continua em uma próxima postagem...



Um comentário:

Eraldo Paulino disse...

Hummmm

Interessaaaaaaaaaaaante.

Quero mais! Pode ser já?

Bjs!