quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tristeza verdadeira? Ou felicidade falsa?


A verdade dói. E como dói!
E a mentira? Dói... E destrói!
A verdade machuca, sangra, agoniza... Mas um dia, cicatriza...
E quanto à dor? Não sobra nada.
A mentira é ferida que nunca sara. Aberta e inflamada.
A mentira às vezes alegra. A verdade às vezes faz sofrer.
Mas quem quer felicidade falsa? Quem prefere não ver?
Prefiro tristeza verdadeira. Quero dor sincera. Lancinante e plena. Intensa, mas factual.
Nunca, nunca pense em me esconder a verdade, por medo de me fazer mal... Prefiro a verdade que me faça mal, porque a mentira... Pra mim, essa é fatal!



P.S: Você pode ter feito a merda que for... Mentir sobre ela, pra mim, é pior do que qualquer coisa que você tenha feito! É isso o que ensino aos meus filhos. Posso perdoar tudo. TU-DO! Mas raramente perdoo mentiras!



sábado, 27 de agosto de 2011

Há 7 anos...


É... Há 7 anos, a minha vida mudou radicalmente. E eu posso afirmar, com toda a convicção, que foi pra MELHOR!
Há 7 anos eu me tornei MÃE. Exatamente no dia de hoje. Exatamente às 20h 51m, horário de Brasília.

É, meu filho. Meu menino. Um pedaço meu. Pediu pra vir ao mundo. Empurrando, incomodando, doendo... Eu te recebi com todo amor do mundo, meu filho. Como foi importante a tua vinda às nossas vidas! Como foi linda essa minha transição de "eus". De menina, passei a mulher. Forte, responsável, decidida. Uma leoa pelo filhote. A sensação de ter seu filho, todo sujinho de sangue, nos seus braços... Nossa, meu filho! Não existe nada igual nesse mundo! Nos outros, talvez... Mas nesse!? Desconheço.
Eu te amo, João! Eu te amo com todas as minhas forças. É tão gostoso te ouvir me chamar de mãe! Mesmo que eu tenha que ouvir cem vezes "mãe" durante um dia (e ouço)... Mesmo assim, nunca deixo de sentir encantamento... Um menino lindo, esperto, carinhoso, bondoso... E eu sou a mãe! Olha lá... Ele me chama de mãe! É lindo isso!
Tudo o que eu falar, vai sair meio clichê. Mas sai TANTO da alma. Cada linha que aqui escrevo é tão verdadeira... Ao mesmo tempo em que é tão difícil exteriorizar um sentimento tão indescritível. Muito obrigada, meu filho. Por me tornar mãe, por me tornar forte, por me ensinar a delícia de ser criança, dia após dia.

Meu amor, FELIZ ANIVERSÁRIO!!

Eu te amo mais do que você possa imaginar! E te amo mais e mais a cada dia... Você e essa moreninha aí de baixo!



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ela e o todo


Seus pés tocam e sentem os grãos de areia. Como se deles, fossem parte. E ela caminha, envolta em tudo. Não se sente ela própria. Sente-se parte do cenário. Parte de um todo. Ela não é apenas ela. Ela é areia, vento, mar, maresia, feixes de sol, céu, pássaros e tudo que ali habita. Ela é contexto. Caminha e seus pés são só sentidos. Sentem grão por grão da areia ali contida. Pára. Senta. Sente. O mar. O som das ondas. O silvo eólico. A vida, nos cinco sentidos. A vida, nos seis sentidos. Deita. As costas sentem os grãos gelados e úmidos. O vento áspero corta-lhe tenuamente a pele macia; O arrepio é conduzido a cada célula. Deixa-se levar. Ela não é ela. É continuação do que está em volta. É fração, é contexto... É o todo. Não saberia dizer onde começa, onde termina. Expira e seu hálito quente contrasta com o vento gelado e transforma-se no que ela já se tornou: parte dali. Ouve o som das ondas, do vento, dos pássaros, do ritmo cardíaco, dos pulmões respirando. Ouve o som dela mesma. Tudo é ela... E ela já não é mais apenas ela. Envolta em si própria, ela implora para que o caos se organize. Implora para desintegrar-se do todo. Mas desintegrar-se já não é possível. Tudo é ela... E ela é tudo!

Quando fui chuva



Quando já não tinha espaço, pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer,
Acomodei minha dança, os meu traços de chuva
E o que é estar em paz
Pra ser minha e assim ser tua
Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos, as calçadas
E, assim, no teu corpo eu fui chuva
... jeito bom de se encontrar!
E, assim, no teu gosto eu fui chuva
... jeito bom de se deixar viver!
Nada do que fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
E só sossega quando encontra tua boca
E, mesmo que eu te perca,
Nunca mais serei aquela que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela

Composição: Luis Kiari e Caio Soh
Cantores: Maria Gadú e Luis Kiari

Estrada


Com passos apressados e sorrisos desastrados, ela conduz sua estrada.

Jura que viu. Jura que ouviu. Jura que provou. Jura que sentiu.

Olhar no horizonte. No horizonte, no horizonte...

Caminhando com rumo certo. Incerto?

Caminhou. Fadigou. Nunca chegou.

E a vida que a vida lhe deu...

Perdeu.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Entrelinhas


Entre goles de vinho, em palavras tropeço.
Entre palavras dispersas, o que eu quero te peço.
Entre linhas coesas, o devido sentido.
Subentendido, ferido, dolorido.
Entre goles de vinho, tropeço.
Entre palavras dispersas, te peço.
De sorrisos, me embriago.
Com o copo, afago.
Tinto. Instinto. Não minto.
Olhos cerrados, borrados... E sinto!


domingo, 14 de agosto de 2011

Graxa e batom


Ela era uma mulher bonita, distinta, com cabelos castanhos sempre modelados em um coque conservador. Era inteligente e isso era enfatizado pelos seus óculos de grau, que lhe conferiam um sedutor ar de intelectualidade. Tinha um respeitável emprego como advogada no escritório mais famoso da cidade. Para o trabalho, suas roupas variavam muito pouco. Quase sempre eram compostas de saia justa e escura, abaixo dos joelhos, camisa de cores claras e saltos altos e finos. 

Ela passava por aquele local todos os dias, a caminho do trabalho. Entretanto, nunca havia reparado naquela oficina, quase esquecida nos fundos da rua. Nunca. Até precisar dos seus serviços. A oficina, minúscula como a rua em que se localizava, era simples e caindo aos pedaços. Ainda não havia ido à falência porque o movimento era intenso por ali, já que a rua, apesar de pequena, dava acesso à avenida principal da cidade.

Ao contrário da moça, o filho do dono do estabelecimento (e único mecânico dali, já que o pai estava muito debilitado) nunca deixou de notá-la. Ele lembrava como se fosse ontem da menina, aos quinze anos, passando por ali de calça jeans, All-Star e camisa de banda de Rock, mascando chicletes e a passos apressados, atrasada para a escola.

Lembrava-se ainda, da linda jovem que se tornou, anos depois, mantendo as calças jeans, porém mais justas. Recordava-se fascinado de como a menina havia ganhado belas curvas e de como equilibrava-se lindamente em cima de saltos altíssimos. Reparava minuciosamente quando a moça passava segurando livros grossos, a caminho da faculdade. "Princípios Básicos de Direito Penal", ele conseguiu ler, certa vez. Achou um bicho-de-sete-cabeças inicialmente, mas logo pôde presumir qual curso a moça frequentava.

Com isso, sua admiração por aquela pseudo-estranha, que nem sabia de sua existência, cresceu ainda mais. Nos dias de hoje, anos depois, ela não passava mais a pé. Recentemente havia comprado um lindo carro, o que deixou seu admirador secreto orgulhoso de sua musa. Ele não sabia seu nome, mas estimava que tinham a mesma idade.

Em um fatídico dia, aquelas duas vidas se cruzaram. Era dezembro e o calor intenso havia tomado os dias e as noites da última semana. Era o dia da festa de confraternização no escritório da advogada. Já era noite e ela já estava pronta. Calçava salto alto cor de caramelo, que mostravam as unhas dos pés cuidadosamente feitas. O vestido era longo, rosa-claro, realçava suas belas curvas e tinha um ousado decote. Usava brincos pequenos e levava uma pequena bolsa a tiracolo.

Olhou-se no espelho e ficou satisfeita com o que viu. Olhou pela janela e sentiu a brisa fresca que vinha acariciar aquela noite de verão, antes maltratada pelo sol ardente da tarde. Olhou o relógio. Já estava na hora. Entrou no seu carro e partiu. Pegou a direção da rua pequena que dava acesso à avenida principal. Quando entrou na via, percebeu que algo estava errado com seu carro. Tentou ignorar, mas o barulho aumentou, o carro começou a dar trancos e de repente parou. A moça xingou todos os nomes que conhecia (e eram poucos, afinal) e tentou ligar para a oficina em que ia sempre, mas ninguém atendeu. Já era tarde e todos os estabelecimentos já estavam fechados. Quando ia tentar ligar para alguns amigos, seu celular descarregou.

Perto dali, o moço da oficina finalizava seu último carro. Estava ansioso para ir embora, afinal a oficina já deveria estar fechada há horas. Entretanto, excepcionalmente naquele dia, ele havia sido obrigado a terminar aquele serviço devido a insistência do cliente, que precisaria do carro urgentemente para o dia seguinte. O cansaço havia tomado conta dele. O suor escorria pela testa e pelo seu peito quase completamente desnudo. Ele vestia um macacão azul escuro de calças compridas. Detestava aquela roupa, mas seu pai o havia ordenado que usasse, para impor respeito aos clientes. O rapaz foi pressionado a aceitar a ideia, apesar de estar sofrendo com aquelas calças compridas no calor senegalesco que fazia nos últimos dias. Como não havia mais ninguém na oficina e a rua encontrava-se completamente vazia, ele achou que não teria problema se desabotoasse os botões do macacão e erguesse as mangas.

Enquanto dava um tempo no trabalho para beber ávidamente água de uma garrafa plástica de refrigerante, ele percebeu um movimento estranho no início da rua. Estava escuro, mas ele conseguia avistar um carro parado e uma mulher de vestido longo, aparentemente chutando o veículo. Atribuiu aquela alucinação ao calor que fazia, mas logo apertou os olhos e pôde ver que não se tratava de miragem. Era mesmo uma mulher chutando um carro. Caminhou até a metade do caminho e gritou para a mulher, perguntando se estava tudo bem. Ela gritou de volta, dizendo que estava tudo péssimo.  

Conforme ele ia caminhando, percebeu de quem se tratava. Se coração palpitou. Apesar de conhecer as características daquela mulher de cor, jamais havia trocado palavras com ela. Jamais havia ouvido o som de sua voz. Ele empurrou o carro até a oficina e começou a verificar o que havia acontecido. Enquanto ele tentava se concentrar no carro dela, em meio aos tremores de sua mão, ela começou a observá-lo.

Era alto e moreno, com cabelos ondulados e abundantes, o peito nu estava transpirando e era peludo. Os braços eram musculosos e mostravam o quanto ele já havia trabalhado por ali. A advogada sentiu uma excitação intensa percorrer-lhe a espinha. Suspirou e tentou afastar os pensamentos obscenos daquele homem suado e sujo, perguntando a ele se tinha algum telefone, para avisar que ia se atrasar pra festa. Ele desculpou-se, mas não havia telefone na oficina. Ela praguejou em silêncio.

Subitamente, ele deixou uma peça cair de suas mãos, e reflexamente ela pulou a frente para pegar. A peça não caiu, mas as mãos da advogada encheram-se de graxa. Ele ficou envergonhado e pediu desculpas afobadas a ela. Terminou rapidamente o serviço e pediu a ela a chave do carro, para ver se estava funcionando. Ela procurou a chave cautelosamente dentro da bolsa, lutando para que não a sujasse, já que estava com as mãos completamente sujas de graxa. Pegou a chave, mas a mesma fugiu da ponta de seus dedos e foi parar dentro do decote. "Merda" ela gritou. Ela o fitou. Ele a encarou de volta. Instintivamente, ele olhou para o decote. Ela olhou para as mãos dele e para as suas próprias. Ambas estavam tomadas de graxa... "Pegue pra mim", ela disse... "Mas NEM... PENSE... em usar as mãos!"



Adriana nunca foi àquela festa. Rodrigo nunca terminou o serviço no carro daquele cliente. Ela continuava passando pela rua pequena todos os dias. Mas a oficina nunca mais passou despercebida. Ambos trocavam sorrisos maliciosos, todos os dias. A advogada e o mecânico. A moça cheirosa e o moço sujo de graxa. O moço sem estudo e moça inteligente.

sábado, 13 de agosto de 2011

Vento, por que ventas?


 

Vento, por que tu te fazes música?
Ah, vento, ar em movimento...
Te vejo farfalhar, uivar, soprar...
Vento, ventas e inventas.
Brincando, tu apagas anseios, angústias, ausências...
Soprando, aumentas o ardor das alegrias, euforias e harmonias...
Vento, por que ventas? 
Por que brincas de soprar meu rosto?
Por que vens a mim com tanto gosto?
Por que me causas sensações a todo momento?
Por que me incitas a jogar palavras ao vento?
Ah, vento, vento, vento...



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Caminhos- Parte III

O início dessa história você encontra AQUI (Caminhos- Parte I) e AQUI (Caminhos- Parte II)




A situação, se observada de fora, era inusitada: Anita deitada sob sua manta na areia da praia, seu belo corpo dourado iluminado pelo sol incandescente e ofuscante, e o homem, com um sorriso cuidadosamente dosado por malícia e cortesia, olhava para baixo; seus olhos invadiam Anita de um modo que ela não podia evitar.

 Ela queria desesperadamente perguntar o que ele queria, queria mandá-lo embora dali, queria gritar a plenos pulmões e dizer-lhe o quanto estava sendo inconveniente, mas simplesmente não conseguia. Seu corpo jazia perplexo e incapaz e ela teve a sensação de que seus pulmões subitamente pararam de respirar e o coração parecia querer compensar a falta repentina de oxigênio com bombeamentos cada vez mais acelerados. Antes que pudesse voltar a si, o homem teve a iniciativa de quebrar aqueles segundos, que pareceram eternos:

-Senhorita, por gentileza! Disse a voz doce e masculina do homem, ao estender gentilmente a mão direita na direção de Anita.
A moça, assustada e confusa, estendeu mecanicamente sua delicada mão em direção às mãos fortes e quentes do sujeito e subitamente encontrou-se de pé, de frente a ele. Inconscientemente ela percebeu que sua suposição estava correta. Ela era mesmo apenas poucos centímetros mais baixa. Finalmente, Anita conseguiu proferir algumas palavras, que saíram trêmulas e inseguras:

-Pois não? O que você quer? Disse ela, tentando parecer apenas irritada, mas em um esforço descomunal para não gaguejar.

-Moça... Err... Não consegui deixar de observar você. Sendo bem sincero... Não consegui deixar de me encantar por você! O homem falava com entusiasmo e credibilidade. Seus olhos ardiam de ansiedade e desejo.
Ele parou de falar por um momento, mantendo os olhos fixos nos olhos de Anita. Isso a deixou ainda mais desconcertada, afinal, aquele sorriso, aqueles lábios e aquele corpo pareciam querer devorá-la, mas seus olhos eram suaves, carinhosos e profundamente sinceros. Finalmente, ele continuou:

-Vem comigo, moça!? Disse em sussurro, sorrindo gentilmente. Seu rosto estampava uma ansiedade ardente que fez Anita ficar extremamente excitada. Entretanto,  ela se conteve e disse, quase gritando:

-Você é maluco? Eu nem te conheço! Que tipo de pessoa você acha que eu sou? Quem você pensa que é para ficar me obsevando enquanto tomo sol? Uma vadia qualquer? Me deixa em paz, está bem!?

O homem, assustadoramente confiante, manteve os olhos nos dela e disse, firmemente:

-Você tem certeza que não quer? Queira me perdoar, moça, não quero parecer indelicado, mas definitivamente NÃO É isso o que seu corpo está dizendo. E isso eu percebi ali, naquele bar, no instante em que nos vimos.

Ele gesticulava discretamente e apontava em direção ao bar, aproximando-se de Anita, sem deixar de fitá-la com  intenso interesse, como se estivesse testemunhando um acontecimento raro e emocionante.

-Eu... Eu... Não sei do que está falando! Você é louco! Disse Anita, virando as costas com intenção de partir em direção contrária ao do homem.

Ele segurou delicadamente o braço de Anita, impedindo-a de continuar. Trouxe-a de encontro ao seu peito brevemente, mas a afastou de leve e disse:

-Olhe nos meus olhos. Diga! Diga que não quer. Apenas diga, moça... E eu não a incomodo mais.


Continua em uma próxima postagem...


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Da série "Rimas idiotas..."



A primeira versão da série "Rimas idiotas..." você encontra AQUI


Olá, dona Julieta! Por quê essa careta? Seu marido voltou do barbeiro com costeleta? Ficou feio como o capeta? Hahahahaha, acalme-se, dona Julieta... Por que a senhora não vai com ele ao cinema, ver "A Coisa Preta"? Eu? Ofendendo a senhora, dona Julieta? Estou sendo xereta? E a senhora é de respeito e nunca viu a coisa preta? Hahahahaha, nãããããooo, dona Julieta... O nome do filme é "A Coisa Preta". Err... Vamos mudar de assunto... Como vai o seu genro, aquele picareta? Ah, sempre se metendo em treta! Não me diga!? Roubou até uma carreta? E vive traindo sua filha, porque não pode ver b****eta? Xii, que coisa, dona Julieta! Manda um beijinho pra sua netinha, aquela espoleta. É, aquela que um dia a senhora deixou de castigo dentro da gaveta, porque incomodou a todos, de tanto tocar trombeta! Agora, preciso ir, porque a minha mulher operou as "teta" e ainda tatuou no bumbum uma borboleta! Preciso levar pra ela as roupas, nessa maleta. Se eu não fizer isso, fico um mês sem chupet... Digo, chuchu assado ao molho violeta!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

La vita




Começos, recomeços, tropeços, quedas. 
Altos e baixos.
Ápice e vale.
 Alegrias, desilusões, choro, gargalhadas.
 Caos e calmaria.
Tormenta e serenidade. 
Prazer e dor.
Luz e escuridão.
Tédio, ócio, agito, novidades.
Paz e conflito.
Segurança, inconstância, perigo, abrigo.
Turbilhão, intensidade, extremidade.
Tudo ou nada.
Vida, nascimento, deleite, gozo.
Virilidade e senilidade.
Debilidade, morte.
Destino? Acaso?
Pra quê? Por quê?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pilateando*




Ei, vocês me deixam falar um pouquinho de algo que eu gosto MUITO, mas que talvez seja chato pra vocês? Obrigada, vocês são ótimos! Prometo que será rapidinho e vão gostar. Afinal, "Mi amore" também é cultura!

Eu queria falar do Método Pilates. Eu fiz o curso em janeiro, estimulada por várias colegas de profissão que fizeram e se apaixonaram. O método está a maior febre por aí. Os Studios de Pilates se proliferam mais do que coelhos. O que é ruim por um lado, porque nem sempre a qualidade é priorizada, na busca incessante por novos alunos e disputa com a concorrência da esquina.

O fato é que eu me apaixonei completamente pelo Pilates. E, apesar de ser "modinha" no momento, o método tem quase um século e posso garantir que realmente funciona. Já existem estudos científicos surgindo sobre o assunto e os resultados tem sido excelentes.

Mas, afinal, o que é essa bagaça? É um método de exercícios criado por um alemão, o Joseph Pilates. Joseph teve muitas doenças na infância e criou, por conta própria, exercícios com as molas da cama de hospital em que serviu como enfermeiro na guerra. Ele aplicou os exercícios nos enfermos e os resultados foram fantásticos. Claro que o método foi aprimorado com o tempo, sendo adaptado e modernizado. Os aparelhos que existem hoje são todos inspirados nas camas e na cadeira que Pilates usava pra se exercitar. Atualmente foi inserida a bola suíça também para uma infinidade de exercícios.

Na verdade, o Pilates permite que o instrutor crie os exercícios, desde que mantenha os princípios do Pilates, como a contração contínua dos músculos abdominais e glúteos. A respiração correta também é essencial. Contração do powerhouse (musculatura de abomen, glúteos e assoalho pélvico) + respiração correta durante todo o movimento é o básico do Pilates e deve ser ensinado ao aluno antes de qualquer exercício.

O Pilates trabalha com alongamento+fortalecimento GLOBAL da musculatura do corpo. Isso é uma grande vantagem em relação à musculação, que trabalha com músculos isolados. No nosso dia-a-dia não usamos músculos separados. Muitos agem em conjunto para a realização de qualquer movimento que você faça. O Pilates, portanto, sempre trabalha com a musculatura "em cadeias", ou seja, vários músculos são alongados e fortalecidos ao mesmo tempo, em cada exercício. As aulas geralmente são divididas em alongamentos iniciais e, em uma segunda etapa, são realizados exercícios de fortalecimento, com ênfase no que o aluno mais necessita. As aulas são TOTALMENTE adaptadas a qualquer nível de condicionamento do aluno. Pode ser realizado tanto em gestantes, idosos, pessoas com patologias ortopédicas, até em atletas e para fins estéticos.

Eu confesso que prefiro dar aulas "pesadas". Aula de nível avançado, aulas fitness mesmo. Sou super má (hahaha), mas é tão gostoso dar uma aula "top" e ver que o aluno conseguiu realizar, chegou ao fim e chegou satisfeito!!

Por necessitar de orientação contínua do instrutor, as aulas de Pilates devem ser realizadas com, no máximo, três alunos ao mesmo tempo. O instrutor deve estar sempre atento à postura correta de cada movimento, à execução do mesmo, à respiração e à contração do powerhouse (que deve ser constante).

Os benefícios são maravilhosos: melhora da concentração, da capacidade respiratória, da postura, aumento da flexibilidade e força muscular, corpo mais bonito e delineado, diminuição de dores musculares e recuperação mais rápida de patologias.

Abaixo, algumas imagens (de nível avançado, que é mais gostoso) pra vocês:

Pilates no solo- fortalecimento de pernas e abdomen

Pilates no reformer- alongamento da musculatura anterior da coxa

Pilates no Cadillac- Fortalecimento de membros inferiores, glúteos e mobilização da coluna


Pilates na bola suíça- Fortalecimento de abdomen

Joseph Pilates praticando seu método


* Será que o Pilates acharia ruim eu ter "gerundiado" o sobrenome dele?


Um papo com (e sobre) a vida.


Eu acho deliciosa essa sensação. A sensação de estar tranquila, de estar bem consigo, de estar em paz. Sim, eu tenho tido dias difíceis, dias de vazio, dias de solidão... Mas, no fim das contas, eles só me fortalecem. Tenho sede de vida, e isso nunca nada nem ninguém irá tirar de mim. O vazio tem seu lado positivo. O fato de estar "vazio" faz com que possamos preencher com coisas gostosas. Eu tenho tanta coisa boa aqui dentro do peito. Tanta esperança no futuro, tanto sonho, tanta vontade de ser feliz!

Vem pra mim, VIDA!
Vem com tudo. Vem intensa. Vem completa. 
Vem com alegria, vem com tristeza, vem com dificuldades, vem com derrota, vem com sucesso.
 Permita-me, vida, que eu tenha dias de euforia e que tenha dias de recolhimento.
Permita que eu ria até chorar; mas permita-me, também, que eu chore e soluce com dor.
Preencha-me de ti, vida!
Faça com que eu VIVA até o último fio de cabelo (e isso é uma exigência, minha cara).

P.S: Escrevi ouvindo esse som:





Música deliciosa que me acalma, me emociona, me faz pensar, me faz chorar. Tem tudo a ver com as minhas últimas semanas. Ben Harper. Sempre ele.


sábado, 6 de agosto de 2011

Raros




Raros e tristes são os momentos em que me encho de ausência.

O corpo suplica por algo que o torne vivo.

Nada encontra.

A mente cansa de tanto tentar encontrar uma saída.

Os dias correm na velocidade da luz.

E eu, na plateia, assisto ao show da minha vida.

Passar, passar, acontecer, tornar, ser.

Mas que delícia: raros e tristes.

Raros e tristes são os momentos em que me encho de ausência.

Enchi-me de ausência.

Estou cheia de vazio.

Estou cheia do vazio!

Chega, vazio!




segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Estrada. Chuva. Eu, perdida de mim.



Estrada comprida, reta, vazia. Destino certo. Caminho escuro e úmido. Chuva torrencial. Ben Harper no rádio. Pensamentos. Confusos, estranhos, tristes. Atenção ao caminho, não se pode vacilar! Coração apertado, desesperado. Eu me perdi de mim. Desespero, desespero! Eu me reviro, me bagunço, me vasculho... Não me acho. De novo!? Não, de novo, não! Droga, onde estou? A estrada, não se perca na estrada. A chuva aumentou. Chuva batida. É dia ainda, mas está bem escuro. Mal posso ver o que tem a minha frente. Farol alto. Quanta água lá fora! Quanta falta dela aqui dentro! Chuva em excesso. Lágrimas escassas. Como o choro me conforta! Não consigo, não consigo. Preciso me encontrar. Preciso. Do meu lado direito, um precipício. E se eu virasse o volante? Assim... De repente? E se caísse lá? Morreria? Alguém sentiria minha falta? O mundo pararia? O sol deixaria de nascer todos os dias? Ahh, são só devaneios... Não há nada com que se preocupar. Eu. Eu sentiria minha falta. Mas para que eu sinta a minha falta, preciso me encontrar. E vou.

Atenciosamente,

Eu (lírico... ou não)