sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Caminhos- Parte III

O início dessa história você encontra AQUI (Caminhos- Parte I) e AQUI (Caminhos- Parte II)




A situação, se observada de fora, era inusitada: Anita deitada sob sua manta na areia da praia, seu belo corpo dourado iluminado pelo sol incandescente e ofuscante, e o homem, com um sorriso cuidadosamente dosado por malícia e cortesia, olhava para baixo; seus olhos invadiam Anita de um modo que ela não podia evitar.

 Ela queria desesperadamente perguntar o que ele queria, queria mandá-lo embora dali, queria gritar a plenos pulmões e dizer-lhe o quanto estava sendo inconveniente, mas simplesmente não conseguia. Seu corpo jazia perplexo e incapaz e ela teve a sensação de que seus pulmões subitamente pararam de respirar e o coração parecia querer compensar a falta repentina de oxigênio com bombeamentos cada vez mais acelerados. Antes que pudesse voltar a si, o homem teve a iniciativa de quebrar aqueles segundos, que pareceram eternos:

-Senhorita, por gentileza! Disse a voz doce e masculina do homem, ao estender gentilmente a mão direita na direção de Anita.
A moça, assustada e confusa, estendeu mecanicamente sua delicada mão em direção às mãos fortes e quentes do sujeito e subitamente encontrou-se de pé, de frente a ele. Inconscientemente ela percebeu que sua suposição estava correta. Ela era mesmo apenas poucos centímetros mais baixa. Finalmente, Anita conseguiu proferir algumas palavras, que saíram trêmulas e inseguras:

-Pois não? O que você quer? Disse ela, tentando parecer apenas irritada, mas em um esforço descomunal para não gaguejar.

-Moça... Err... Não consegui deixar de observar você. Sendo bem sincero... Não consegui deixar de me encantar por você! O homem falava com entusiasmo e credibilidade. Seus olhos ardiam de ansiedade e desejo.
Ele parou de falar por um momento, mantendo os olhos fixos nos olhos de Anita. Isso a deixou ainda mais desconcertada, afinal, aquele sorriso, aqueles lábios e aquele corpo pareciam querer devorá-la, mas seus olhos eram suaves, carinhosos e profundamente sinceros. Finalmente, ele continuou:

-Vem comigo, moça!? Disse em sussurro, sorrindo gentilmente. Seu rosto estampava uma ansiedade ardente que fez Anita ficar extremamente excitada. Entretanto,  ela se conteve e disse, quase gritando:

-Você é maluco? Eu nem te conheço! Que tipo de pessoa você acha que eu sou? Quem você pensa que é para ficar me obsevando enquanto tomo sol? Uma vadia qualquer? Me deixa em paz, está bem!?

O homem, assustadoramente confiante, manteve os olhos nos dela e disse, firmemente:

-Você tem certeza que não quer? Queira me perdoar, moça, não quero parecer indelicado, mas definitivamente NÃO É isso o que seu corpo está dizendo. E isso eu percebi ali, naquele bar, no instante em que nos vimos.

Ele gesticulava discretamente e apontava em direção ao bar, aproximando-se de Anita, sem deixar de fitá-la com  intenso interesse, como se estivesse testemunhando um acontecimento raro e emocionante.

-Eu... Eu... Não sei do que está falando! Você é louco! Disse Anita, virando as costas com intenção de partir em direção contrária ao do homem.

Ele segurou delicadamente o braço de Anita, impedindo-a de continuar. Trouxe-a de encontro ao seu peito brevemente, mas a afastou de leve e disse:

-Olhe nos meus olhos. Diga! Diga que não quer. Apenas diga, moça... E eu não a incomodo mais.


Continua em uma próxima postagem...


4 comentários:

Luna Sanchez disse...

Anita, Anita...não vale mentir, hein?

Rs

Muito ótima essa tensão toda, Mi. Vou ler os capítulos anteriores pra me situar. ;)

Beijo, beijo.

Mirella de Oliveira disse...

Muitas águas vão rolar ainda na vida de Anita, Luna! Hehehe

Obrigada, que bom que gostou! :)

Michele P. disse...

Estes homens muito confiantes são perigosos... eu não iria. haha

Adorei...

Beijos

Mirella de Oliveira disse...

Mi,
Gosto da atitude dele. Ele sabe das coisas...
:)