sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O motivo


O caso é que eu me importo muito com a opinião de algumas pessoas. Falo das pessoas por quem tenho imenso respeito e admiração (apenas dessas). Eu pedi a opinião a uma dessas pessoas, um amigo, sobre o meu conto ("O fim que ninguém viu", logo aí abaixo). Ele disse que o conto era muito bom como texto, mas que o conteúdo o incomodou. Disse que não suporta a ideia de violência contra mulheres e crianças. Eu disse que concordo e que também sou assim. Eu sou mulher e mãe, pense! Mexa com meus filhos e eu viro um monstro! Disse-lhe ainda que chorei ao escrever o texto, como se estivesse vivenciando cada linha. Como se eu mesma fosse a personagem. Aí ele me fez uma pergunta: "Mas por que você escreve essas coisas? Existem tantas coisas bonitas para se escrever..."

Bom, ele fez a pergunta, mas não me deu chance de resposta, pois precisou sair logo em seguida. Se tem algo que me deixa neurótica é uma pessoa (daquelas com quem me importo) me indagar, sem que eu tenha chance de defesa resposta! Eu acredito que ele nem se lembre mais da pergunta, ou isso seja tão indiferente a ele que a resposta não o importe. Mas a mim, importa! Preciso responder! rsrs

Fiquei pensando. E tenho a resposta. Pode não ser a mais bonita e elaborada, mas é a sincera. É o que vale, né? Sabe quando você fica obcecada por UMA música por dias e dias? Eu sou assim. Cismo com uma música e ouço até enjoar. Foi o que aconteceu com "Amen Omen do Ben Harper". Estava ouvindo (pela milésima vez) ao voltar do trabalho. E essa história me veio à cabeça. Foi escrita mentalmente e racionalmente. A emoção veio somente ao passar pro papel. Eu poderia lhes dizer que escrevi o texto pensando em uma causa maior, pensando em tantas e tantas mulheres que sofrem com a violência desses seres (não são homens e muito menos pessoas, que fique bem claro). Mas não foi.

Obviamente, quem leu conscientizou-se. Acredito que a morte seja um dos momentos mais importantes de uma pessoa. Tanto quanto o nascimento. Eu me coloquei no lugar daquela mulher. Viveu, amou, chorou, sorriu. Tinha família, amigos, namorado... Pessoas que a amavam verdadeiramente. E quem viu seu fim? Quem estava lá, compartilhando seu sofrimento, segurando sua mão, chorando por ela? Quem estava lá, observando a sua dor e consciente de seus últimos pensamentos? Quem ouviu o seu grito de desespero? Quem ouviu o último som da sua voz? A minha história foi fictícia. A minha. E como a minha, existem milhões de histórias reais como esta. Infinitas vezes piores do que esta.

Então, é isso. Peço desculpas ao que sentiram incômodo com o meu texto. Mas nem sempre podemos beber apenas do doce e saboroso. Nem sempre podemos ver só o agradável aos nossos olhos. E nem sempre tenho vontade do "cor-de-rosa". Às vezes, minha mente "algodão-doce" e meu coração romântico querem a acidez do limão e o despojamento de um rock'n roll. Às vezes, minhas unhas imploram pelo black. Às vezes, por haver tanto amor aqui dentro, eu prefiro os filmes de terror. Mas que mantenham-se, por favor, na ficção.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dúvidas, desejos e certezas





 
O moço poderia passar despercebido aos sentidos da moça por muitos dias (não mais do que isso). O sol poderia nascer e se pôr por muitas e muitas vezes. Poderia chover, o sol poderia brilhar, o tempo poderia esfriar e esquentar. Não importava, ela não se lembraria. Mas algo a afligia. Uma dúvida. Ela queria saber porquê. Às vezes, o aconhego de uma coberta quentinha, a carícia do vento em sua pele ou o deleite de um pôr-do-sol trazia aquilo à tona. Uma vontade inexplicável de abraçá-lo. De puxá-lo carinhosamente contra o seu corpo e sentir o seu calor. Fazer com que aqueles grandes braços abraçassem seu corpo pequeno. Pedir, não para que o mundo parasse, mas para que aqueles segundos passassem mais devagar. Implorar para que as leis da Física fossem transgredidas. Sentir, de dentro daquele abraço, o coração dele pulsando suavemente e delirar ao imaginar que o seu batia em compasso. Sorrir naquele ninho. Gravar aquele momento. Não precisariam palavras. Não precisaria de mais nada. Mas isso a afligia. A dúvida a atormentava. Por que alguns momentos banais do dia-a-dia, assim, de súbito, davam-na uma rasteira? Por que diabos ela tinha de receber essa surra de emoções? Era assim que se sentia. Surrada e devastada por seus sentimentos. Por que, em meio à correria cotidiana, a brisa do vento, o pôr-do-sol, o aconchego da coberta ou uma música a provocavam esse desejo incontrolável? Por que, Deus do céu, ela poderia jurar no minuto anterior que não se lembrava mais desse sentimento e, logo em seguida, um fato qualquer despertava um desejo furioso lá de dentro, lá do âmago, como um urso despertando após ter hibernado longamente? Sim, a incerteza a atormentava. Mais do que qualquer questão universal, era essa a sua dúvida suprema. Porém, a dúvida trazia consigo uma certeza. Inquestionável e irrefutável. Ela trocaria, sem pestanejar, a resposta a essa dúvida... Em troca da saciedade de seu desejo.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O fim que ninguém viu


Ela saiu do trabalho no horário habitual. Era fim de tarde e sua mente estava concentrada na briga que teve com o namorado logo pela manhã, na barriguinha que sobrava sob a calça e estava incomodando e no relatório que o chefe estava exigindo para o outro dia às sete. O corpo estava cansado, ela estava com sono e pensava no que teria para comer quando chegasse a casa. Aborreceu-se ao lembrar que encontraria a pia da cozinha do mesmo jeito que havia deixado: entupida com as louças acumuladas da pizza da noite anterior e do café-da-manhã corrido que teve logo cedo. Era um dia como qualquer outro e ela fez lentamente o seu caminho em direção ao ponto de ônibus, contando os minutos para o seu merecido descanso.

Absorta em pensamentos, ela não viu nada. Distraída, não percebeu que uma mão imunda lhe tapou a boca e que alguém muito forte a empurrou para dentro de um porta-malas de um carro velho. Em meio à tontura repentina, ela tentou organizar os pensamentos. No minuto anterior estava caminhando e pensando em sua rotina; no outro, estava em um local escuro, fétido e com o coração palpitando. Um medo aterrador percorreu-lhe a espinha. O carro andou por meia hora. Para ela, pareceu uma eternidade dentro de um liquidificador gigante e sem luz. Repentinamente, silêncio absoluto.  Ouviu sons de passos vindos de fora. Com um clique metálico, o porta-malas se abriu. 

As mesmas mãos ásperas que haviam lhe tapado a boca anteriormente, agora puxavam-na com força pelos pulsos. O homem tinha cerca de quarenta anos e vestia-se como uma pessoa comum. Tinha uma barba espessa e escura e fedia a álcool e suor. Puxou-a para fora e a prensou de pé, com seu corpo forte, contra o carro. Começou a beijá-la desajeitadamente na boca e sua mão começou a apertar seus seios com força. Quando as mãos do homem começaram a descer em direção a sua virilha, o pânico que a imobilizava deu lugar à vontade de lutar. Fazia força e tentava desvencilhar-se do sujeito. Em vão. O odor de álcool provocou náuseas na moça e ela, tomada por uma enorme repugnância, cuspiu no rosto do homem.

Ele parou por um momento e olhou nos olhos dela. Em seguida, deu-lhe um tapa com força em sua face direita e gritou “Vadia!”.  Jogou-a com força no chão de terra e arrancou com brutalidade sua calça. Ao se sentir penetrada, ela parou de lutar. Virou seu rosto para o lado e alternou momentos de choro compulsivo com gritos abafados de dor e terror. Quando finalmente ele parou de se movimentar, ela sentiu o líquido quente entre suas pernas. Nesse momento, parou de chorar e ficou imóvel. O terror e a dor deram lugar a um nojo imenso de si mesma.

Ele a puxou pelos cabelos e a colocou de pé. Deixou-a sozinha e contornou o carro, abrindo a porta do passageiro à procura de algo. Ela estava livre para correr e fugir, mas ele sabia que ela não conseguiria. Mesmo que conseguisse, não teria para onde ir. Ela olhou em volta. A noite estava caindo e sua visão estava embaçada pelos resquícios de lágrimas secas. Com esforço, conseguiu ver que estava em uma mata fechada. Perto dali, um barranco intensamente arborizado. Ele voltou com uma faca na mão e, antes que ela pudesse reagir, desferiu-lhe cinco golpes em seu ventre. Ao esfaqueá-la pela última vez, ele gritou novamente “Vadia!”.

Segurando-a novamente pelos cabelos, ele a empurrou em direção ao despenhadeiro e a jogou sem dó. Ela caiu rolando e, ao fim, sentiu a lama fria adentrar suas narinas. Dez segundos depois, sua bolsa caiu ao seu lado. Ouviu ao longe o barulho do motor do carro se afastando. Ela tentou instintivamente levantar-se, mas a cada centímetro que se movia, sentia que uma lâmina afiada atravessava seu estômago. Exausta e com dores cada vez mais intensas, entregou-se à inércia. Sentiu seu abdômen tomado por um líquido quente e percebeu que era seu próprio sangue. Entre as pernas, sentia o esperma do homem ressequindo suas coxas. Incrivelmente, aquilo agora não tinha a menor importância.

Ela queria gritar, chorar e sair correndo, mas era impossível. O tempo estava passando e ela sentia que o próprio ato de respirar estava lhe causando dor. O olhar mantinha-se na luz suave da lua que aparecia timidamente entre as árvores. Quando a sua visão começou a diminuir ela teve a certeza de que era a última vez que veria aquele brilho.

Pensou em seu namorado. Em seus pais. Em sua irmã grávida. Nunca mais os veria. Nunca conheceria seu sobrinho Felipe. Pensou na barriga linda da irmã, a qual já havia beijado muitas vezes. Pensou no enxoval do seu sobrinho. E seu sonho de ser mãe? E os pedidos de desculpas que estava devendo ao namorado? E quem lavaria a louça suja na pia de sua casa? E o relatório para o chefe? E seus planos de fazer um mestrado? Nunca mais veria a praia. Então por que havia se preocupado tanto com a barriguinha indesejada? O coração estava batendo fraco. O corpo lutava ferozmente, mas a batalha pela vida estava sendo perdida.

Cantou sussurando uma de suas músicas preferidas*, enquanto uma lágrima escorria de seu rosto:

What started as a whisper,
Slowly turned in to a scream.
Searching for an answer
Where the question is unseen.
I don't know where you came from
And I don't know where you've gone.
Between darkness and the door
Amen omen,will I see your face again?




Continuou cantando cada vez mais fraco. O som estava inaudível até mesmo para seus próprios ouvidos. Sorriu ao pensar que a sua morte havia tido trilha sonora. Parou de sorrir ao lembrar que ninguém assistiu ao show do fim da sua vida.  
De repente, sua visão desapareceu e o mundo ficou totalmente em silêncio. Ela gritou alto, esgotando todo o ar de seus pulmões e rasgando suas cordas vocais. Gritou alto, como nunca imaginou que seria capaz. Foi seu último sopro de vida.


*Música: Amen Omen (Ben Harper)


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Você se importa?


Vem cá! Senta aqui! Vou passar um café pra nós. Como você está? Hm, que bom que está tudo bem na sua vida... Mas, olha só... Percebeu que eu estou diferente? Exato, o brilho nos olhos sumiu. Você só percebeu agora, mas já faz um tempinho. Desculpa a sinceridade, mas você não viu antes porque não quis. Eu tenho e-mail, facebook, twitter, blog... Até orkut eu tenho! Tenho telefone residencial, celular e endereço fixo. Tenho telefone lá na clínica onde eu trabalho também. Lá tem recepcionista das 7 "as 19h e a clínica também conta com um e-mail e com uma gerente que o verifica constantemente. Percebeu que meios pra me contatar não faltam, não é? Você não me procura. Uma vez eu li que "quem não te procura, não sente tua falta". Então é isso. Você se importa? Repito a pergunta: você se importa?? Veja essa lágrima caindo do meu rosto. Veja!!! É... Você só está vendo agora porque estou segurando seu rosto em minha direção. Saiba que ela já caiu muitas vezes antes. Saiba que eu já chorei muito. Aí mesmo, onde você está sentado agora. Eu estive um caco. Eu estive no fundo do poço. Eu precisei de colo, eu precisei de carinho, eu precisei de ouvidos. Você se importa? Eu sempre quis tanto o seu bem... Quantas vezes eu já te perguntei se estavas bem? Quantas vezes VOCÊ já me perguntou se eu estava bem? E eu estou aqui. Vê essas lágrimas que insistem em cair? Vê esse coração em mil pedaços? Vê as cicatrizes que tenho? Você se importa? Eu estou sofrendo. Eu estou perdida. Eu estou só. Você me faria companhia? Você quer saber como foi o meu dia? A vida tem sido árdua. Você me dá a mão? Ei, você se importa? Shh... Não precisa responder. Seus atos me dizem tudo. Silêncio também é resposta. E, durante esse tempo, teu silêncio foi a maior delas. Eu só queria ter certeza. E você ter me escutado em silêncio, novamente confirmou a tua resposta a minha pergunta. Quer saber? Eu também não me importo. Não mais.


Repetindo o mantra: "Quem não te procura, não sente a tua falta..."


E, como eu disse um dia desses no twitter: Pra que se preocupar? O que realmente importa nessa vida NUNCA vai mudar!



E aí, você se importa?



sábado, 17 de setembro de 2011

A dor... E o que realmente importa.

A vida não para pra dor da gente.
Enquanto as lágrimas rolam, os segundos continuam correndo e o tique-taque do relógio continua lá, incessante e irritante. Mas o nosso caminho, somos nós quem conduzimos... Não se deve parar. Parar é fatal. Tudo o que me atinge chegou a esse ponto com a minha permissão. Se sinto dor ou alegria não importa. Se é o que eu sinto é porque é isso que me cabe. Agora, colocarei a dor no bolso e continuarei minha jornada. Quem me dá a mão? É o que realmente importa.





(Preciso de um tempo. Preciso de mim.)


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Minha atitude depende da sua?



"Minha atitude depende da sua." Na boa? Essa é uma atitude estúpida! Eu tenho os meus princípios, os meus valores e tenho pra mim o que considero certo e errado.  Minha atitude NÃO varia em função da sua. Meus valores não mudam por que você agiu de um modo que me desagradou. Se eu não gosto de mentiras, não mentirei pra você só porque você mentiu pra mim. Se você me traiu e eu não acho isso legal, quer saber? Não o trairei. Não vou pagar de descolada e fodona e dizer: "Ahh, comigo é assim... Tomou, levou!" Isso é coisa de adolescente imatura. Veja que não estou falando aqui de tratamento informal e de sentimentos. É claro que se você é simpático, inteligente, carismático e bem-humorado eu te tratarei com simpatia, inteligência, carisma e bom-humor. Mas, se você me tratar com desrespeito, não o tratarei igual. Por quê? Porque não sou igual a você. Porque não curto falta de respeito. Porém, obviamente não o tratarei com simpatia-inteligência-carisma-e-bom-humor. Deu pra entender? Meus princípios e valores são IMUTÁVEIS. Não farei o que acho errado, não importa o que você faça. Mas... Não se engane! Meu carinho, minha admiração e meu amor não são gratuitos. Tampouco comprados. Esses você conquista. Questão de alma.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O maior dos pagamentos


Sabe por que, mesmo em meio ao desrespeito de autores de novela, em meio à falta de reconhecimento até mesmo de outros profissionais da área da saúde e em meio ao desconhecimento da esmagadora maioria da população (ou você sabia que a Fisioterapia atua também em Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Neurologia e Pneumologia?), nós, fisioterapeutas, nos mantemos firmes e fortes e continuando lutando pela profissão?  Sabe por que nós não desistimos? Por um motivo maior. Por algo que vai além do próprio reconhecimento e respeito do profissional que somos. É por vocês! É sim, porque nós, mais do que ninguém, sabemos a diferença que ela faz na vida de quem precisa dela!
E sabe por que eu digo isso agora? Porque eu vi esse vídeo aí de baixo e pensei... “Nossa, como eu amo isso!” Como é gratificante ser fisioterapeuta! O processo de reabilitação é delicioso. E o resultado final é o maior dos pagamentos. Dê uma olhada no vídeo aí de baixo (até o fim, por favor) e me diga:

Fez diferença na vida da Phyllis??



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

What's happiness?

Cheguei à escola do meu filho às 18 horas. A chuva que havia castigado a cidade finalmente tinha cessado. O pôr-do-sol, que há dias (semanas?) não se via, finalmente deu o ar de sua graça naquele fim de tarde. O tempo estava estranhamente claro. Ao menos pra mim, que só via cinza, umidade e escuridão há tempos. Naquele dia, entretanto, o tempo estava realmente luminoso. Enquanto aguardava a saída do meu filho, pude perceber as risadas e conversas altas das crianças e adolescentes saindo de mais um dia de aula. Absorvi aquele momento... Lembrei dos meus tempos de escola e senti nostalgia. Rapidamente, porém, meus pensamentos se voltaram para o tempo ao meu redor. Observei-o. O sol despedia-se de mais um dia com esplendor, como um ator aclamado pelo público sob salvas de palmas, após um grande espetáculo. O céu estava tingido de azul claro com mesclas alaranjadas. Parecia ter sido cuidadosamente colorido e eu poderia jurar que tratava-se de uma pintura. O vento intensificou-se, cumprindo sua missão de varrer para longe a chuva insistente, ao menos por mais alguns dias. Enquanto eu admirava o "céu-arte", o vento gelado no rosto e aquela luminosidade alaranjada fora do comum, vi a cena mais maravilhosa do mundo inteiro: meu filho veio correndo e sorrindo, em minha direção. Seus cabelos dourados balançavam ao sabor do vento. A temperatura havia caído muito desde a estiagem da chuva. Eu recebi um beijinho gelado no rosto e um abraço apertado, recheado de sorrisos e de alegria. Ali eu percebi. Ali eu tive certeza. Eu era, naquele momento, magistralmente, absurdamente, inimaginavelmente, inexplicavelmente FELIZ! Se aquilo tudo ao meu redor não era felicidade... Então, meus caros, vou morrer sem saber.


domingo, 11 de setembro de 2011

Parabéns, amigo!


E no dia de hoje, serei pretensiosa! Pretensiosa sim, porque pretendo traduzir o intraduzível! Como mostrar a alguém que sua admiração por ela é infinita? Pretensão demais, não é? Eu disse! O que ocorre é que me encontro em desvantagem em relação às outras pessoas. Não sou a única que o admiro, não sou a única que o respeito, não sou a única que tem um carinho imenso por ele. Mas estou longe e meu único recurso no momento são as palavras! Poderia mostrar o meu carinho com abraços, beijos e apertões (melhor não, a namorada não iria gostar hehehe)... Mas não posso! Então, uso de minha única ferramenta e encho a boca para falar: Moço, parabéns por ser quem és! Obrigada por tudo o que você me mostrou, obrigada pelo carinho e pelas palavras doces que sempre me doasses! Eu te quero um bem infinito e fico radiante com a tua felicidade! Que perdure em teu rosto esse olhar intenso e esse sorriso gracioso! Que continues com o domínio das melhores palavras... E que, acima de tudo, mantenhas a alegria de existir.
Feche os olhos e sinta o meu melhor abraço! FELIZ ANIVERSÁRIO, Daniel!

sábado, 10 de setembro de 2011

Me deixa, ou então...




Me deixa chegar perto de você,
pegar na sua mão, te levar pra passear.
Ou então se afasta rápido,
como fazem os peixes no mar.

Me deixa pensar em nós,
insistir, tentar te provar.
Ou então, me tira a possibilidade,
de conseguir reconquistar.

Me deixa falar contigo,
às 3 da manhã e ao amanhecer.
Ou então, me deleta de seu caminho,
me tira do trilho, tente me esquecer.

Me deixa ser seu confidente,
dividir contigo os fatos da vida.
Ou então me deixe doente,
se esconda de mim e suma de vista.

Me deixe te dar carinho,
te beijar e sentir o seu cheiro.
Ou então me deixe sozinho,
deixe outro ser seu companheiro.

Me deixe te Amar,
te desejar, te querer.
Ou então...
É.. não vai dar
Meu querer, você não pode mudar.

(Daniel Bronzeri Barbosa- blog Ombelico Virtuale)


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O tempo, esse cruel...

Eu tenho uma fraqueza muito grande na minha vida. O tempo. Tenho uma relação tortuosa e atribulada com ele. Não gosto da ideia de envelhecer. Não gosto da ideia de ver as fases dos meus filhos passarem para sempre. Esse "para sempre" me assusta. O "nunca mais" (parente do "para sempre") também me assusta. Nunca mais ser criança. Nunca mais ser adolescente. Nunca mais experimentar as sensações inéditas de um momento pela primeira vez. Nunca mais ver os meus filhos bebês. Nunca mais vê-los crianças... Quando paro pra pensar nisso, me visto com uma sensação imensa de urgência, na ânsia de aproveitar cada segundo dessa vida sádica e fugaz! Mas por quê? Por que temos que viver os momentos apenas uma vez na vida? O tempo, e tudo o que ele traz, me parece cruel. O tempo carrega o que mais me amedronta no mundo: a morte. E a morte, por sua vez, carrega o "nunca mais" e o "para sempre" nas costas. Por que uma vida tão frágil? Por que os momentos são tão efêmeros? Por que tem que existir "para sempre" e "nunca mais"?

 
Deixo vocês com uma música que me faz pensar e me emociona (e inspirou esse post dolorido). É linda, vale a pena ouvir.

Oração ao Tempo, na voz de Luíza Possi:




És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...


domingo, 4 de setembro de 2011

A morte da esperança



"A esperança é a última que morre."

Ela leu a frase em voz alta, ao apanhar um pedacinho de papel sujo e amassado de uma vala úmida, no canto da mesma rua em que sempre passava.

Bom... É a última, mas morre, não é? E se eu der uma forcinha?
-Pensou. 

E foi assim que ela planejou seu primeiro assassinato. Executado com sucesso. Fugiu sem deixar vestígios, mas escreveu uma carta à polícia local:

"Sim, eu matei a esperança. Há de se reconhecer que ela não nos era mais válida. Pra que deixá-la viver, quando não vale mais a pena? Acreditem, ela era um atraso para todos nós! Imaginem que ela viveria e veria a morte de todos nós, antes que finalmente se fosse? Sim, pessoal... Ficaria arraigada às barras de vossas saias enquanto vivessem... Não foi melhor assim? Garanto que foi uma morte rápida e sem crueldade. Entretanto, foi sem chance de defesa. Apunhalada pelas costas. Ela virou; eu mirei. Perfurei-lhe o coração, com um só golpe. E gritei: Morra, esperança! Você só nos atrapalha! Agora vocês me procuram e não terei mais paz. Matei a esperança e terei de conviver com os fatos crus. Expectativas para o futuro? Não saberei mais o que é isso. Nem vocês saberão. Sem esperança, sem sofrimento, certo?? Certo ou não? Gente, eu agi certo, não agi?? Ai, meu Deus! Acho que não deveria apelar pra Deus, sendo uma assassina desesperançosa, mas... Era isso."

A moça foi encontrada morta em um rio, uma semana depois. Em seu peito nu, cortes profundos em sua pele continham a escrita: "Assassinato de esperança é incompatível com a vida."



sábado, 3 de setembro de 2011

Ô saudade!

"Parabéns pra você..."

 
"Mãe, olha que eu pintei o 'laliz' dela!!"

Ela vê o vídeo agora e sorri aqui do meu lado.
Eu esmago a mocinha de 4 anos enquanto relembro como tudo passa tão rápido, e como parece que foi ontem que ela nasceu e num piscar de olhos estava ali, cantando e falando graciosamente com seus (quase) 2 aninhos.

Alguém segura o tempo??


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Desrespeito e irresponsabilidade!

Eu realmente não ia escrever sobre esse assunto. Mas não posso, é mais forte do que eu. Além do mais, É MUITO ABSURDO para que eu consiga ficar calada! Nunca assisti a essa novela das 19h, Morde e Assopra. Há uns dois dias, no entanto, ao trocar de canal, parei na novela. Justamente na cena em que uma criança portadora de leucemia vai, teoricamente, iniciar sua sessão de Fisioterapia. O diálogo se segue mais ou menos assim:
Pai da criança: -Mas, Renato, você é fisioterapeuta?
Renato: -Não, eu sou enfermeiro!
Médico: -É, o Renato já trabalhou como AUXILIAR DE FISIOTERAPIA. Então poderá ajudar o Rafael (a criança com leucemia), já que a doença provoca dores nas articulações.
Mãe da criança: -Mas você sabe o que deve fazer?
Renato: -Sei, sim... Eu já fiz CURSOS TÉCNICOS e também já trabalhei em uma clínica de Fisioterapia. Além disso, o DOUTOR JÁ ME PASSOU todos os exercícios que devem ser feitos no Rafael... E eu posso auxiliar, sim!
Médico: -Na verdade, os exercícios nessa fase são bem simples... E blábláblá...
A seguir, o tal Renato diz: Então, vamos iniciar logo a sessão de FISIOTERAPIA??
Eu nunca na minha vida ouvi TANTO absurdo em uma cena de menos de 5 minutos!!

Você que me lê... Você, por acaso, vai ao dentista quando precisa de um oftalmologista? Ou vai ao psiquiatra quando precisa de dermatologista? Então, quem foi que disse que um ENFERMEIRO é habilitado a realizar um tratamento fisioterapêutico em alguém?

 Não bastasse essa barbaridade, o rapaz ainda se diz AUXILIAR de Fisioterapia, uma profissão que não existe em hipótese alguma e é totalmente ilegal!! E ainda diz que fez CURSOS TÉCNICOS (que cursos técnicos o autor Walcyr Carrasco julga adequado??). Não existe curso técnico na área de Fisioterapia!
Acha que parou por aí?? Nãããão. Como viram, o rapaz ainda diz que o MÉDICO  já lhe passou todos os exercícios que devem ser feitos na criança. PARA TUDO!! O médico prescreveu exercícios? Médico NÃO prescreve tratamento fisioterapêutico!!

Eu quase caí para trás ao ver a cena. Era enfermeiro realizando Fisioterapia, dizendo-se claramente Auxiliar (?) de Fisioterapia, dizendo que já fez cursos técnicos na área, era médico prescrevendo exercícios... Tanta imbecilidade junta que eu JURO que pensei ser pegadinha!

Alguém me explica como pode um autor escrever para MILHÕES DE PESSOAS algo completamente equivocado, DESRESPEITANDO IMENSAMENTE os profissionais fisioterapeutas?? Alguém que escreve para um público tão grande tem como DEVER informar-se sobre o que expõe! Foram informações completamente distorcidas, ILEGAIS e que desvalorizam os profissionais.

O Crefito-10 (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) notificou a Rede Globo e escreveu uma nota em seu site (AQUI).
Então, diante de tanta leviandade, você acha que o inteligentíssimo e bem informado autor Walcyr Carrasco pediu desculpas aos fisioterapeutas? Pois em seu twitter (AQUI), ele foi muito respeitoso. Olhem só:
“Vou escrever um livro policial e colocar uma fisioterapeuta como a assassina! Aí vou ser linchado!”
“Vou escrever a história de uma fisioterapeuta psicopata que entorta as pessoas em vez de tratar! Hehe”
“Nossa, gente, que patrulha! Ok, posso não ter sido exato, mas o mundo não vai cair por causa disso.”

E ainda negou o que foi explicitamente falado na cena:
“Então não escrevi na minha opinião, que ele está fazendo uma fisioterapia no garoto. Mas que podia auxiliar como enfermeiro mesmo.” MENTIRA! Na cena o rapaz diz, claramente, que vai iniciar a sessão de FISIOTERAPIA na criança!!

“Não, não foi dito que ele era auxiliar de fisioterapia. Foi dito que ele trabalhou como auxiliar num centro de fisioterapia.” MENTIRA! Foi dito claramente que o moço exerce a função (ILEGAL) de Auxiliar de Fisioterapia.

Por que não assume que errou (e MUITO) e pede desculpas? Por que não corrige o erro? Além de não cumprir com seu dever, além de expor a população brasileira a sérios riscos de saúde, ainda não é capaz de assumir a besteira que fez? Triste...
Duvida? Aí está a triste cena, que confirma cada linha que eu disse (acho que não dá pra incorporar aqui o vídeo, mas segue o link):

http://mordeeassopra.globo.com/videos/t/cenas/v/cena-3108-dr-tadeu-leva-renato-a-casa-de-icaro-para-fazer-fisioterapia-em-rafael/1615432/