terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dúvidas, desejos e certezas





 
O moço poderia passar despercebido aos sentidos da moça por muitos dias (não mais do que isso). O sol poderia nascer e se pôr por muitas e muitas vezes. Poderia chover, o sol poderia brilhar, o tempo poderia esfriar e esquentar. Não importava, ela não se lembraria. Mas algo a afligia. Uma dúvida. Ela queria saber porquê. Às vezes, o aconhego de uma coberta quentinha, a carícia do vento em sua pele ou o deleite de um pôr-do-sol trazia aquilo à tona. Uma vontade inexplicável de abraçá-lo. De puxá-lo carinhosamente contra o seu corpo e sentir o seu calor. Fazer com que aqueles grandes braços abraçassem seu corpo pequeno. Pedir, não para que o mundo parasse, mas para que aqueles segundos passassem mais devagar. Implorar para que as leis da Física fossem transgredidas. Sentir, de dentro daquele abraço, o coração dele pulsando suavemente e delirar ao imaginar que o seu batia em compasso. Sorrir naquele ninho. Gravar aquele momento. Não precisariam palavras. Não precisaria de mais nada. Mas isso a afligia. A dúvida a atormentava. Por que alguns momentos banais do dia-a-dia, assim, de súbito, davam-na uma rasteira? Por que diabos ela tinha de receber essa surra de emoções? Era assim que se sentia. Surrada e devastada por seus sentimentos. Por que, em meio à correria cotidiana, a brisa do vento, o pôr-do-sol, o aconchego da coberta ou uma música a provocavam esse desejo incontrolável? Por que, Deus do céu, ela poderia jurar no minuto anterior que não se lembrava mais desse sentimento e, logo em seguida, um fato qualquer despertava um desejo furioso lá de dentro, lá do âmago, como um urso despertando após ter hibernado longamente? Sim, a incerteza a atormentava. Mais do que qualquer questão universal, era essa a sua dúvida suprema. Porém, a dúvida trazia consigo uma certeza. Inquestionável e irrefutável. Ela trocaria, sem pestanejar, a resposta a essa dúvida... Em troca da saciedade de seu desejo.


3 comentários:

Luna Sanchez disse...

É a dança dos desejos, a oscilação do que às vezes parece estar mais brando mas sempre continua existindo.

Como pode o coração aguentar tanta pressão, Mi?

oO

Beijo, beijo!

Eraldo Paulino disse...

Nossa, querida. Você escreve cada dia melhor. Você já era ótima, mas gosto mais daqui a cada texto.

Bjs!

Mirella de Oliveira disse...

Lu,
Resquício de fogo que, se incitado, transforma-se novamente em fogueira, não é? Sabe... acho que o coração aguenta porque, apesar de surrado, fica cada vez mais VIVO ao passar por esses turbilhões. Sabe "mal que faz bem"? É o que acho! rsrs Beijo, Lu!

Eraldo,
Ahh teu comentário me envaideceu. Ego inflou, vê se pode? Muito obrigada!! *.*