quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Você pararia?



Sara segue em frente. Não, Sara jamais pensa em parar. O asfalto é quente, muito quente. Os pés de Sara queimam, ardem e esfolam com a alta temperatura. Sara está vulnerável, descalça, exposta. Quando os pés de Sara já não agüentam mais a dor, ela rasteja. De joelhos, Sara segue em frente. Os joelhos de Sara começam a arder e a sangrar. Mas, apesar de tudo, ainda conseguem continuar. Os pés, entretanto, não toleram mais um segundo de atrito; precisam de repouso. Seguir de joelhos continua a melhor opção para o momento. O asfalto continua em brasa. O sol está no ápice. É meio-dia e não há nuvens no céu.  A dor nos joelhos se intensifica. As mãos, apoiadas no solo ardente, começam a criar bolhas. Sara segue em frente, retirando uma mão do solo e seguindo com três apoios. Ela reveza as mãos. Segundos de descanso em cada uma delas parecem contemplá-la com um alívio imenso. Sara percebe que os pés já não têm mais tanta dor. Ela ainda não sabe, mas as queimaduras provocadas pelo asfalto foram profundas, a ponto de destruir as terminações nervosas da região plantar. Não há dor porque não há sensibilidade. Ela se ergue. Caminha novamente de pé. Joelhos e mãos já não suportavam mais tamanho castigo. Não, Sara não pode parar. A tsunami se aproxima e está prestes a engoli-la. Se parar, será destruída e levada de encontro ao fim.

Você pararia?

5 comentários:

Maela disse...

Não paro, não me entrego.

Michele P. disse...

Mi

E quantas vezes rastejamos pela vida assim, não é?
Gostei da história e da persistência da personagem.

:)

Vanessa disse...

Posso até diminuir o ritmo, mas acredito que jamais pararia.

Bjo

Luna Sanchez disse...

Ai, que angústia!

Bem, eu não pararia por falta de persistência, mas provavelmente desmaiaria : não tenho resistência ao calor, Mi.

=\

Beijoconas enormes em ti, querida minha!

Vênus, Vanessa. disse...

Não pararia se soubesse para onde iria.