quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ou mergulhe ou nem molhe os pés!





O problema não é mergulhar fundo. Eu sou dessas que só mergulham, se for pra ir a fundo. E com uma pedra pesada amarrada ao pescoço (mas com nó frouxo, porque sou precavida... e vai que me falte o ar e eu precise desatar?). O problema de mergulhar, é que nem sempre se pode saber se o local é raso. Certifique-se. Eu, quando percebo que é profundo, quando sinto a frescura da água fria tocando-me os pés em convite, não resisto: tapo o nariz, fecho os olhos e vou! Não consigo não entrar com corpo, vísceras e alma. Não importa no que seja. Não gosto de quem molha só os pés. Quem não mergulha faz mal feito. Detesto o mal feito. Detesto profissão mal aprendida, relacionamentos mal resolvidos e criança mal educada. Se for pra fazer, doe-se! Se for pra aprender, meta a sua fuça! Se for pra educar uma criança, dê o seu melhor. Se for pra conquistar, conquiste! Já que está na beira da água, aceite o convite: mergulhe, sem medo! Com o coração na mão, debatendo-se de tanto palpitar. Mas, cuidado: certifique-se da profundidade do ambiente. Mergulhar no raso, por vezes, é fatal. Se não o for, que bom... Mas que existirão escoriações que permanecerão por um bom tempo, ah existirão.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Cinquenta e dois


Essa é a nova idade dele. Hoje é aniversário do meu pai, e é tão difícil falar dele! Meu pai é tanta coisa na minha vida... Meu pai é meu amigo, meu protetor, meu incentivador, meu exemplo. Eu, como filha única, posso dizer que não fui mimada. Eu fui amada. Ele leu pra mim, ele me embalou pra dormir, ele me comprou Gibis da Mônica, ele me fazia cócegas, ele cuidou da minha febre. Fui protegida, sim. Mas fui repreendida quando necessário. Meu pai me deu limites. Ele ia me buscar na casa do namoradinho (que raiva que eu ficava). Ele me ligava e me mandava voltar pra casa "já"! E ele me deu incentivo e bons exemplos. Eu sempre pude contar com ele. Nos momentos difíceis e nos felizes, ele estava ao meu lado. Grande parte do que sou eu devo ao meu pai. Ele me ensinou a respeitar o ser humano. Ele me disse que o estudo é a coisa mais valiosa da vida de uma pessoa. Ele me ensinou que a família é vital. Meu pai tem o choro fácil... ele é só coração. Mas meu pai também tem um lado comediante, haha. É o palhaço da família, ninguém segura o riso ao lado dele. Meu pai é atleta, e é o cinquentão mais gato que eu conheço! Ele corre há mais de 20 anos. E vai trabalhar todo o santo dia (todo o dia não, porque ele trabalha um dia e folga três) de bicicleta, deixando o carro na garagem. Ele é uma figura rara. É ranzinza e mal humorado, muitas vezes. Mas isso é coisa da criação dos "Oliveira". Meu avô foi um pai extremamente rígido na educação do meu pai e meus tios, e meu pai ainda guarda alguns resquícios da infância. E não bastasse ser um pai como poucos, ainda é um avô-pai para os meus filhos. O João e a Maria amam esse cara, de um modo que vocês não têm noção! Enfim, eu tenho MUITO orgulho do pai que eu tenho. Amo demais esse homem!


FELIZ ANIVERSÁRIO, PAI!


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

No blog alheio


Fui convidada pelo Eraldo a escrever mais uma história de "O Canalha" lá no blog dele. Adorei o convite e claro que aceitei! Larguei de mão qualquer tipo de pudor e escrevi como se não houvesse amanhã. Apesar disso, acredito que tenha ficado "light". O que vocês acham? Clique AQUI para ler! Mas, ATENÇÃO: proibido para politicamente corretos e recatados ao extremo. 





Em (e com) todos os sentidos







Sou capaz de saborear sons, ouvir cheiros, cheirar toques e tocar imagens. Sou capaz de perceber sentimentos com os cinco sentidos. Sou capaz de amar com os seis. Só assim eu sou inteira.



Sou o gosto do que ouço.
Sou o som que inalo.
Sou o cheiro que apalpo.
Sou muito mais do que vejo.
Sou somente...
E tão somente,
O que desejo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Cartas ao vento






Tô fora! Desisto! -Esbravejou ela num ímpeto de fúria, ao mesmo tempo em que se levantava subitamente da cadeira cômoda e confortável. Já estavam há muito tempo ali jogando. Ela de um lado e ele do outro da mesa cujo material, cor e estado de conservação não saberia essa mera narradora informar. Ela havia proposto o jogo. Ele, timidamente, talvez até inconscientemente, aceitou o desafio e, com isso, as regras implícitas. Ela deu as cartas, mas só porque estava do outro lado da mesa. Aquela barreira entre os dois a enchia de coragem. Coragem para ser ela mesma, coragem para jogar limpo, coragem para expor suas vontades. Ela gostava disso. Gostava de dar as cartas. Gostava da transparência das "cartas na mesa". Deu as cartas e iniciou o jogo com cautela e minúcia. Sempre fora muito cautelosa. Sempre jogou como se estivesse pisando em ovos. Ele, por sua vez, jogava como se aquilo não fosse importante. Esta era a maior e mais dilacerante discrepância entre eles: ela jogava como se a sua vida dependesse disso; ele jogava como se a sua vitória em um jogo dependesse disso. Fato era que ela não jogava tão bem quanto ele e, por isso, abusava de estratégias (falhas). Durante toda a partida, ela se insinuava e tentava chamar a atenção para si. Ele ocasionalmente percebia e esboçava um sorriso. Isso a desconcertava e o feitiço virava-se contra o feiticeiro: jogava mal, deixava que ele pontuasse e inevitavelmente ganhasse a partida. E ele vencia, sucessivamente e sem esforço. Uma, duas, três... onze partidas vencidas por ele. Nenhuma por ela. Ele não alterou nem mesmo seu ritmo cardíaco. Ela, porém, suava freneticamente. Ah, como gostava de jogar com ele! Como queria ter tido o gosto de vencer ao menos uma... uma partida que fosse! Mas ele não dava brecha, corria desenfreado à frente de sua rival. -Hahahahahaha rival! Como sou rival desse homem? Mal resisto ao seu charme... Pensava ela, mais uma vez distraindo-se e perdendo o foco. Perdeu a décima segunda partida. Cansou. A dor de estar jogando (sim, havia dor, mas ela tinha essa mania de pensar só nas coisas menos sufocantes do todo) estava ficando insuportável. A vida esperava por ela, não dava mais para ficar ali jogando, à espera de um milagre, enquanto as horas escorriam criminosamente pelo relógio, asfixiando o que restava de sua vida. Por mais cômodo e confortável que fosse seu assento, não dava mais. Deu um basta. Sem pestanejar, proferiu as dolorosas palavras do início desse texto. Ele olhou para ela com cara de paisagem. Para ela, entretanto, era uma expressão tão linda que ele até merecia ser preso, por atentado ao pudor. Pensou nisso, mas a efemeridade do pensamento logo o consumiu. Levantou-se, deu as costas e caminhou. Parou por um momento e retornou em direção à mesa. Apoiou as duas mãos na mesma e olhou no fundo dos olhos do sujeito. Um olhar tão profundo que o atravessou e o deixou sem ação.  Socou com força a mesa e disse -Você não percebe? Por que não se deixou levar? Por que não me deixou ganhar? Não percebeu que, nesse caso, perder é ganhar? (...) É... Já sei a resposta. Afinal, foram doze jogos, não é? Doze erros. Seus erros. Com a mão direita, ela furiosamente espalhou as cartas sobre a mesa, que voaram e dançaram ao sabor da brisa fresca que anunciava o início de um novo dia. Um novo dia na vida daquela mulher. E ele? Perdeu. Doze partidas. Doze chances de ser feliz. 


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Das reciprocidades...




Um dia eu aprendi que nem tudo é recíproco. E é assim mesmo, não há nada de mau nisso. Sentimentos nem sempre são sentidos de volta. Confiança em uma pessoa não significa que haja confiança em mim do outro lado. É estranho e assim, de imediato, parece desmerecer o sentimento por quem não retribui... Mas eu acredito que não desmereça, não. O que eu sinto é só meu. Claro que perceber amor por mim nos olhos de quem eu amo é algo indescritível. E eu não mentirei dizendo que sinto sem esperar de volta. Quando confio, quando amo, quando desejo, é claro que quero que sintam o mesmo por mim. Mas quero e não passa disso. Se houver sincronia é lindo, é fantástico, é gostoso. Mas nem sempre há... E não há como alguém sentir algo "não-espontâneo" por você. Não há como forçar a barra. Atitudes, amor, desejo, confiança, paixão, ódio, ninguém tem a obrigação de me retribuir.  Repito: o que eu sinto é só meu. Não confundam, porque não é gratuito, não é sem motivos e não é por qualquer um. Tem quer ser MUITO ESPECIAL para conquistar a minha admiração e, a partir daí, o meu afeto e seus desdobramentos. Num dia desses, decidi que só com processo seletivo iriam entrar no meu coração. Bobagem, mera estratégia para evitar a dor. Processo seletivo envolveria a razão. Não escolho os meus afetos com a razão, mas não se engane... Meu coração pode ser tudo, menos burro. 






P.S: Esse texto não tem fim, não tem nexo, não tem perna e nem cabeça. Meus pensamentos se misturam e se fundem. Deliciosamente misturados e confusos. Nunca há preto e branco aqui dentro, sempre vira cinza. A famosa bagunça organizada. Eu gosto assim. Essa sou eu. Lembra do último post? Pois é. ;)





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Eu gosto dele.




E eu gosto dele. Gosto dele porque é imprevisível. Gosto porque nunca sei o que vai fazer e o que vai dizer. Gosto do mistério “a céu aberto" que ele é. Gosto porque ele tem a cara limpa. Gosto porque ele é de verdade. Gosto porque às vezes ele erra o português e não tá nem aí. Gosto porque ele tem uma educação e um respeito por mim imensos, mesmo eu achando que não mereça sempre. Gosto porque ele fala palavrão... e que se foda. Gosto dele porque ele é de poucas palavras. E incrivelmente consegue me arrepiar com apenas uma. Gosto porque ele é safado, mas não é sacana. Gosto porque ele dosa como ninguém bom e mau humor. Gosto porque é honesto. Gosto dele porque ele não esconde os defeitos e não se esconde atrás de nada. Gosto dele porque ele não me fala nada apenas porque quero ouvir. Gosto dele mesmo sem saber se tem desvio de septo ou se tem a pele oleosa (não é?). E nem se tem cicatrizes. E quer saber? Pouco me importa a resposta a essas questões. Gosto porque ele me leva lá nas nuvens. E gosto porque, ao mesmo tempo, me chacoalha e me traz pra realidade. Gosto porque ele não é óbvio. Gosto porque ele tem uma dualidade que nunca vi em ninguém. Como alguém consegue ser raro e comum, ao mesmo tempo? Ah, eu gosto... Gosto e ponto. E o que eu vou fazer com todo esse sentimento bom? Guardar no bolso e ser feliz. :)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Norte









E às vezes nos sentimos DESNORTEADOS. Perdidos, tontos, sem rumo. Sem Norte. É o que diz o dicionário: perca o Norte e você se perde. É, na vida precisamos de bússola, mesmo que no sentido abstrato. E precisamos entender que, mesmo que a bússola aponte para o Norte, não significa que é pra lá que devemos seguir. Precisamos enxergar o Norte, para saber que o Sul fica na direção oposta, para ter ciência de que o Leste fica à sua direita e o Oeste à sua esquerda. Às vezes foca-se tanto no Norte, mas se esquece (ou não se sabe) que ele é apenas um guia, não uma obrigatoriedade. Precisamos entender... É realmente vital que enxerguemos o Norte. Para decidir o rumo que a nossa vida deve tomar e ter controle de para onde estamos indo. Procure o seu. Procure pra onde a sua vida aponta. Pare, respire e observe. Achado o Norte, decida o seu caminho, que pode ser pra lá... ou não. Parece óbvio e redundante, mas nem sempre é, eu garanto.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Deliciosos inícios



Inícios são oportunidades, já percebeu? Eu sempre gostei de inícios. E a vida, felizmente, é todinha cheia deles. Estou falando dos ciclos... os meus famosos e gratificantes ciclos. O primeiro dia do ano, o primeiro dia do mês, os inícios de dia... Sim, são coisas banais e datadas pelo homem, todos sabemos. Todos aqui são inteligentes o suficiente para saber que a vida é contínua e que essas datas são apenas convenções. Mas eu gosto e vejo realmente como oportunidades a mim concedidas. A cada início do ano, por exemplo, você tem a oportunidade de melhorar, de superar seus erros e de tentar ser mais feliz. Não deu certo? Você tem o primeiro dia de cada mês. Janeiro não foi bacana? Fevereiro está aí. Ah, o dia primeiro de fevereiro foi um fiasco? Veja a grande sacada agora, que desta vez não depende do calendário: você tem um dia novinho em folha, ao acordar pela manhã! O sol traz consigo uma oportunidade gigantesca de seguir em frente, não importa o tamanho do seu erro e nem por quanto tempo ele durou. O que se foi, se foi. O que deu errado, deu errado e não há nada que você possa fazer para consertar o que passou. Mas um novo dia está à sua frente, e você o molda como quiser. O sol te brinda, a chuva te benze e o vento te abençoa com uma chance daquelas com cheirinho de nova. Dia após dia. Infinitos dias. Aí você, sarcástico que é, me pergunta: bom, se eu tenho uma chance nova a cada dia, então posso errar e desperdiçar à vontade hoje, porque amanhã tenho outro dia e sou presenteado com uma nova chance, não? É, até pode ser... Mas um dia a chance cessa, seu pulmão não mais respira e seu coração não mais bombeia. Você sabe quando? Eu não. Parece piegas... e talvez até seja, mas... Não desperdice! Tudo bem se não funcionou hoje. Fique feliz ao - e se - acordar amanhã (e está ok ficar acordado a noite toda, se for por uma boa causa, rsrs). Considere uma dádiva. Sinta-se privilegiado porque, de fato, você é. Levanta essa bundinha bonita da cadeira e vai ser feliz. Eu tô sendo... Muito! 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Se eu me for antes de você...




Se acaso antes de você, eu me for...

Oh, meu amor!

Chore, sofra, padeça.

Imploro... Não me esqueça!

Mas, atenção!

Não prolongue a aflição.

Doe meus pulmões,

Minhas córneas,

Minha pele,

Meu coração.

Mas há algo que eu te peço:

Guarde para si com carinho...

A lembrança de que, contigo, fiz o meu caminho.

Guarde em ti, e com a presteza devida...

A minha vontade de vida.

Deliciosa e dolorida.

Por favor, se lhe perguntarem quem foi ela,

Diga apenas: ela foi de  verdade.

E guarde, com egoísmo e privacidade...

Os nossos momentos de felicidade.

As lembranças de quem fui.

De quem sou.

De quem amei. 

De quem me amou.

De quando sorri.

De quando chorei.



E de quem, em ti, para sempre, eu serei.