sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A moça


A moça tem 29 anos e o seu nome, sinceramente, não tem importância. Ela é muito bem casada e tem uma filha pequena. A moça, há 6 meses atrás, era linda, cheia de vida, trabalhava, cuidava da casa, da filha, do marido. Era inteligente, simpática e feliz. Aí a moça começou a se sentir mal. Uma febre leve, um mal estar. "Uma virose", disse o médico. Continuou seus afazeres diários, mas passadas algumas semanas, nada da febre sumir de vez. O médico sugeriu algumas vitaminas, uma alimentação mais saudável e "tchau-e-benção". Sem perceber, estava emagrecendo. Cinco quilos no primeiro mês. Mais cinco quilos no segundo mês. Começou a ter dispneia aos pequenos esforços (vulgo "falta de ar"). Bateria de exames. Sangue, urina, fezes. Nada de errado. Vinte quilos perdidos em seis meses. Sem explicação. Ela, que era linda, estava parecendo anoréxica. Sabe-se lá o que fez com que o médico solicitasse uma radiografia de pulmão. Gelou ao ver o exame. Nódulos em estado avançado. Biópsia solicitada. Câncer de pulmão. Em estágio muito avançado. Irremediável. Intratável. Fatal. Internou-se há uma semana. Perdeu mais vinte quilos nesses sete dias. Não, vocês não gostariam de vê-la. Uma risada mais forte, um choro mais intenso ou algumas falas mais demoradas já são o suficiente para que a respiração lhe falte e para que um líquido seja regurgitado. Os médicos falam em dias. "Meses" é tempo demais. A filha faz três anos dentro de dez dias. E eu... eu me limito a narrar a história. Não tenho o que comentar a respeito. Nem sei por que escrevi. Talvez pra mim mesma. Refletir? Orar? Revoltar? Repudiar? Não sei.