quarta-feira, 14 de março de 2012

Aniversário doloroso

Hoje é o dia de aniversários. 
Aniversários de despedidas. 
Despedidas eternas de pessoas queridas. 
Queridas em vida, queridas na morte.
Morte lenta. Morte súbita.
Súbitas mudanças, triste fim de duas vidas.
Meu avô. Meu amor.
Um ano sem um. Cinco, sem outro.
O pai da minha mãe. O pai dos meus filhos.
Bem me lembro destes dois homens.
As piadas do meu avô. As risadas do meu amor.
A vida segue seu trajeto.
Mas a morte não deixa pra trás quem amamos...
Eles seguem conosco, na lembrança.
Quem tem memória nunca perde o que tem valor.



Essa é pra eles. Essa é por eles. Escuto, o coração bate mais forte... e sorrio.




(Tradução)

Sim, eu entendo que toda vida deve acabar
Enquanto nos sentamos sozinhos, 
sei que algum dia nós também devemos ir
Oh, (eu) sou um homem de sorte, por contar em ambas mãos as pessoas que amo...
Algumas pessoas só tem uma, outras, não tem nenhuma

Fiquei aqui comigo...
Vamos apenas respirar...

Pratiquei todos meus pecados, nunca me deixarão ganhar
Por baixo disso tudo, apenas outro ser humano
Eu não quero magoar, há tanto nesse mundo para me fazer sangrar

Fiquei aqui comigo...
Você é tudo o que vejo...

Será que eu disse que preciso de você?
Será que eu disse que quero você?
Oh, se eu não disse, sou um tolo, veja você
Ninguém sabe disso melhor que eu

Enquanto eu saio ileso...
Me pergunto todo dia, enquanto eu observo seu rosto
Tudo o que você deu
E nada que você guardaria, oh, não

Nada que você levaria
Tudo o que você deu...

Será que eu disse que eu preciso de você?
Será que eu disse que eu quero você?
Oh, se eu não disse, sou um tolo, veja você
Ninguém sabe disso melhor que eu
E eu saio ileso, ah...

Nada que você levaria
Tudo o que você deu
Abrace-me até eu morrer
Encontro-lhe do outro lado.


sexta-feira, 9 de março de 2012

Ainda tenho 16...


Eu entrei no ônibus e me sentei lá atrás. Comecei a lixar a unha, na tentativa de otimizar o tempo enquanto fazia o trajeto pra casa. Enquanto pensava no que tinha a fazer quando chegasse, as três meninas entraram. As gurias, como dizemos por aqui. Era meio-dia, então certamente haviam saído da escola. Camiseta branca com o logotipo do colégio e jeans. Umas de short larguinho, outra de calça skinny com rasteirinha da moda. Brinco de lacinho. Fone em um dos ouvidos. Cabelo ao natural. A pele com espinhas discretas e tônus intacto. Conversavam e gargalhavam ao relembrar as situações que haviam vivido ainda há pouco, talvez no intervalo das aulas. Não pude deixar de notar. Tinham uma gargalhada gostosa, despreocupada, confiante. Típica das garotas sonhadoras. Conversavam em tom alto, mas não escandaloso. E de repente, eu percebi. Assim que o ônibus fez uma curva mais forte e uma das meninas se desequilibrou, todas gargalharam ainda mais. E eu ri junto. Discretamente, não consegui conter a risada. E foi aí... foi aí que eu percebi que ainda tinha 16. As roupas, o corpo e a pele de menina, as gírias das amigas, as gargalhadas espontâneas, os sonhos infinitos, os tabus de quem ainda não viveu, as dúvidas, os hormônios aflorando, as paixões platônicas, os gostos musicais... De nada disso, eu pude me despedir realmente. Em um momento, eu tinha 16. Quando pisquei, tinha 26. Senti saudades. Senti porque sei que a menina de 16 nunca morreu. Eu me vi ali, com aquelas meninas. Eu achei graça do que elas também achavam. Eu ri com elas. Hoje, eu tenho mais bagagem e menos dúvidas (ou dúvidas diferentes). Mas tudo aconteceu tão de repente, que eu nem vi. Eu não me despedi. E aí percebi que muitas coisas na minha vida aconteceram assim. Fases da vida não foram terminadas, pessoas se foram sem que eu pudesse dar adeus, situações terminaram sem nunca ter começado. Sem despedida, tudo parece doer mais. E aí, eu decidi que o passado está pronto, é meu e imutável. Mas o futuro eu posso mudar. E eu acho que cansei dessa história de não me despedir direito das coisas. Agora, eu quero viver tudo o que eu tenho pra viver. Nenhuma página será virada sem antes ter sido lida, relida e bem compreendida. Pretendo mergulhar e explorar tudo. Viver intensamente. E fazê-lo até a última gota, até o último suspiro, até o último milésimo, até esgotar e secar toda a fonte. Viver, até que dentro de mim não caiba mais nada... E quando esse dia chegar, que eu me despeça pra valer. Da vida e de mim mesma. Mas isso demora. Vejo um oceano de vida e de possibilidades pela frente. E ele não vai secar tão fácil, pois sempre chove vida quando nasce o sol.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Escondido

Entre os dedos... ou talvez entre os fios de cabelo da franja média. Em algum lugar por ali, ela sabia que estava. Quando o percebia, sorria. Tímida e sensual, fazia charme pra si própria ao notar a agradável presença. Era dela e ninguém tirava. Estava ali, oculto para os olhos normais, perfeitamente visível para ela. E assim, ela seguia. Protegida, acolhida e confortada por ele. Um dia, algo mudou. Notaram também! Não era mais visível apenas para ela! Assim que ela passou o cabelo por trás da orelha, e quando alguns fios permaneceram a frente dos olhos, ela olhou à sua direita e viu que ele havia percebido. Seu rosto esquentou, constrangido. Por um momento, sentiu-se invadida. Era dela, como ele poderia tomá-lo pra si, assim, sem permissão? Mas ele continuou olhando... sorriu. Ela, de volta. Ela encantou-se por ele. Ele, pelo encantamento que nunca haviam percebido nela.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Restará amor?

Que lágrimas caiam. Que rolem, molhem meu rosto e que afoguem quem tenho sido. Quero que essa mulher que vejo no espelho morra. Afogada em suas próprias lágrimas. Envenada com suas próprias ilusões. Sufocada por seus próprios sentimentos burros. E que, depois de morta, dê espaço à mulher de verdade que jaz em coma dentro de mim. O que ficará de tudo isso? Será que haverá sequelas? Coma longo, repouso demasiado... quem me tornarei? Não perfeita, mas espero que melhor. Será que continuarei tendo medo da felicidade? Será que ainda existirá amor? Amor... amor que anda transbordando pra fora de mim. Será ele infinito? Transborda e não esvazia? Será que o melhor de mim ainda permanecerá? Será que alguém, algum dia, ainda vai olhar dentro de mim e me conhecer por completo? Restará amor? Vai passar a dor? 

domingo, 4 de março de 2012

Cuando menos piensas sale el sol...


E quando você menos imagina, eis que surge. Em meio à sua dor silenciosa e solitária, eis que algo maravilhoso acontece e alguém cruza o seu caminho... Destino? Sorte? Mero acaso? Não me cabe saber e não importa. Uma lágrima correu e uma frase foi dita. Ela não me conhecia. Ela não sabia nada, nada ao meu respeito. Mesmo assim, não hesitou em tentar me acolher. Em meio a pessoas alheias aos meus gritos abafados, ela... ela me ouviu. Ela me notou e, veja só, me doou seu tempo... algo tão precioso nos dias de hoje. Eu não pude deixar de me encantar com a Michele. Eu sorri com conforto. Passamos a conversar. Passamos a desabafar. Eu me mostrei a ela, eu mostrei meus sentimentos mais profundos e sinceros. Eu fui eu. Ela também foi ela. Quão frequente é isso? Com quem você pode, hoje, mostrar-se inteira, como é? Sem máscaras, sem mentiras socialmente aceitáveis, sem vergonha por ser imperfeita? Com ela, foi possível. A conversa fluía e os corações se aproximavam.  Nesse tempo todo, descobrimos muitas semelhanças e muitas diferenças. Já concordamos muito, já discordamos idem. Já choramos juntas, já gargalhamos ainda mais. Ela sabe coisas sobre mim que ninguém mais sabe. E a recíproca é verdadeira. Ela é uma amiga. Em toda a abrangência, com todo o significado e com todo o sentimento que essa palavra é capaz de expressar. Amiga, amiga, amiga. Linda, inteligente, culta, humana, carinhosa, engraçada, divertida, sensível, incrível! Rara. Essa menina-mulher é rara e tenho certeza do que digo. Eu estou com ela e não abro. Em mim, ela encontrará sempre dois braços, dois ouvidos, dois olhos e um coração confuso, grande, ativo e muito disposto. E acredite, minha linda, naquele velho (e tão verdadeiro) clichê: conte sempre comigo! Uma vida inteira não será suficiente para que eu possa te agradecer à altura pelo bem que você já me fez. E eu só espero que eu dure o suficiente nessa vida para que possa fazer o mesmo por você. E peço a Deus que eu nunca te decepcione. Ao menos nunca gravemente. Obrigada por ser você. E por ter vindo a mim. Você tinha razão: "cuando menos piensas sale el sol...". O sol saiu. E a frase, antes dita por você a uma mera desconhecida, virou mantra... de quem agora você pode considerar uma grande amiga. Te amo. Feliz aniversário! Feliz vida! Com tempestades felizes e sóis radiantes.


Y un día después de la tormenta
Cuándo menos piensas sale el sol
De tanto sumar pierdes la cuenta
Porque uno y uno no siempre son dos
Cuándo menos piensas sale el sol