terça-feira, 17 de abril de 2012

Das coisas que não te falei


Não te falei das flores que encantei
Só pra celebrar teu caminhar
Não te falei do sol que eu chamei
Apenas pra te alegrar
Não te falei do beijo que cedi 
E do quanto eu sorri
Não te falei o quanto eu vibrei
O quanto energizei 
E o quanto eu pensei
Não te falei de mim 
Quanto estou em ti
Não te falei dos sonhos enfadonhos
Não te falei do meu bem
Tampouco do meu mal
Não te falei do teu casual 
Do meu banal, 
Do nosso trivial
Eu te falei de tudo.
E nunca disse nada.

sábado, 14 de abril de 2012

Brindo


Estou apaixonada por ela. E ela por mim. Que delícia de música! Apaixonei-me por ele, também. Por sua excentricidade, por sua delicadeza de timbre, por tudo. Estou encantada pelo cantor. Devendra Banhart, você já ouviu falar dele? Se já, sorte sua. Se não, espia só que delícia de romantismo, sensualidade, delicadeza. É um vídeo todinho feito de amor... e de suspiros... Tão eu! 



Brindo- Devendra Banhart. Indicação mais do que feliz da Alline Silva!

Brindo a este amor, un amor tán raro

Brindo a este amor, un amor tán claro

Brindo a este amor, un amor derepente

Brindo a este amor, un amor tán diferente

Como la orsita en el mar

Un elemento nuevo pa jugar

Brindo a este amor que me llena de esperanza

Y brindo a esa luz allá en la distancia

Venga Colibrí despierta a la diosa oh

Que canta-te a mi su canción preciosa

Brindo a todo lo que quiero dar

A todo que está punto a empezar

Brindo a este amor que nunca se demora

Sólo el hospital está abierto a esta hora

No pienso en ti

sólo te siento

pasando por mi

como un dulce viento


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Agora eu quero assim...

Um dia eu fui diferente. Um dia, quis tentar agradar o outro. Não, não há nada de errado em agradar o outro, principalmente se o outro for importante pra você. Mas um dia, eu quis agradar o outro me anulando. Desagradando a mim mesma. Ocultando quem sou. Não! Basta! Chega de 'média'. Chega de tentar fazer bonito. Chega de 'o que os outros irão pensar'? Ainda titubeio ao falar algo que penso. Ainda penso duas ou três vezes no que vão pensar de mim. Penso e logo decido: que se dane! Esta aqui sou eu. Jamais vou me esconder, jamais vou deixar de falar o que penso e fazer o que tenho vontade! Eu lamento se você não gostou. Eu lamento se você se chateou ao ouvir a minha verdade nada absoluta. Muitas pessoas defendem com veemência a sinceridade... Pois eu acho que a sinceridade consigo mesmo, aquela, que ninguém vê nem escuta, é que é a mais importante. O que os outros pensam não passa disso. É só "o que os outros pensam". Goste de mim. Mas desta aqui, a verdadeira. 

A filha da vida



"Ciranda, cirandinha,
Vamos todos cirandar!
Vamos dar a meia volta,
Volta e meia vamos dar.
O anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou;
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou,
Por isso dona Rosa
Entre dentro desta roda,
Diga um verso bem bonito,
Diga adeus e vá se embora..."



O sol batia nos cachos loiros e queimava sua pele dourada, tingindo-a de um tom rosado. Há dez anos ela assoviava a cantiga. Eram sons automáticos que saíam de sua boca jovem. Involuntários como sotaque.  Melodiava e rimava, processando tudo e encaixando confortavelmente as letrinhas na cabeça. O vestido gasto era estampado com flores pequenas de um tom que um dia fora vermelho. A vida era aquela. O passado ainda não se fizera. Mal tinha completado ela uma década de história. Uma década de uma canção inconscientemente proferida. Assoviava enquanto terminava de colher as rosas. Belas, belas rosas que em nada pareciam com as de seu vestido. E em nada combinavam com os seus cabelos ressecados, pensava ela, ao colocar uma das flores na lateral da orelha e observar seu reflexo no rio. Não se achava feia nem bonita. Nem sabia ela o que era isso. Filha de moça magra e precocemente enrugada, sentia-se mais filha da vida do que de sua progenitora. Um dia o moleque olhou pra ela. Flor nas orelhas. Bonita, ele disse. Bonita? O que é bonita? Não sei, não. Sei que eu gosto. Sei que é bom. Filha da vida. A pequena do mundo. Virgem das maldades. Sentiu ela que o coração pulou. Sentiu ela que a face ficou rosinha, e desta vez não era do sol de sua terra. Mais tarde, muito tempo mais tarde, descobriu uma meia dúzia de coisas. Vidro que se quebra, amor pouco que se acaba, adeus pra ir embora. Nunca pegou naquele livro do homem, com o tal dos significados das palavras. Mas, filha da vida que sempre foi, aprendeu com a mãe o que importava. Foi uma meia dúzia de coisas, mas pra ela, filha da vida, filha da canção, foi toda a sua existência. E valeu.






segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nua e crua


Contos são muito legais, muito divertidos e inspiradores. Adoro ler e escrever contos. Mas agora eu tenho a frieza de uma historinha real pra contar pra vocês. Nua e crua. Perto de mim. De ti também, talvez. 
Ela nasceu há quase 70 anos atrás. Filha de família humilde de Lages (uma das cidades mais frias de Santa Catarina). Família comum, tradicional, pobre, mas não miserável. Desconheço mais detalhes. Ela é a Dona I. A Dona I, aos 17 anos, conheceu o seu V. Seu V, dez anos mais velho, vinha de família igualmente humilde, era galanteador, educado e de voz bem grave. Era adepto (e ainda é) da linguagem culta e formal. Mesmo sem ter tido muito estudo, conversa em linguagem rebuscada e trata da mesma maneira o presidente dos Estados Unidos e um mendigo na rua. Dona I, moça simples e tímida, casou-se com Seu V. Tempos depois, descobriu que não podia ter filhos. Adotaram uma criança, filha de uma conhecida muito pobre. Um menino. Aos dois anos de idade, o menino teve uma febre muito intensa e sérios problemas de saúde. Com a medicina muito precária na época e o pouco acesso do casal à assistência adequada, o menino teve sequelas sérias. Retardamento mental.  Hoje, ele é um homem de quase cinquenta anos. Se tivesse tido tratamento, talvez mesmo com sequelas, pudesse ter tido uma vida satisfatória e até constituído família. Mas hoje vive como uma criança de 8 anos, apesar de ter uma memória inexplicavelmente fantástica. É surdo e mudo. Comunica-se através de sinais, gestos labiais e escrita. Diga o seu nome e sua data de nascimento a ele (ele adora perguntar isso) e suma por um ano. Quando ele te vir, vai lembrar na hora daquelas informações. Ele nunca esquece. Hoje, os três vivem em uma residência simples de uma bairro de classe média. Dona I e seu V não têm parentes vivos. Tudo bem, Seu V tem apenas um irmão, já muito mais idoso que ele (como diz o meu pai: 'com um pé na cova e outro na casca de banana'), que mora longe.  O casal de idosos cuida com muita dificuldade do "menino" de quase 50 anos. Dona I tem sérios problemas de saúde, em decorrência da idade. Seu V, apesar de ser 10 anos mais velho do que sua esposa, não tem problemas relevantes de saúde física, mas tornou-se um velho ranzinza e "dono-da-verdade". Sem ninguém por eles. Ignorantes, no sentido real da palavra. 

E isso é só o começo dessa história. Continua...

sábado, 7 de abril de 2012

Muito mais do que o eu que você vê


Sigo. Enquanto aqueles sonhos não acontecem, o sol ainda se põe. E por isso, sigo. É aqui e agora que a mágica se faz. Então eu sigo. Sigo perdida, mas sempre me encontro. Sigo enlouquecendo de amor e me entorpecendo com dor. E rimando, sem medo de ser clichê, amor com dor. Enxugo uma lágrima aqui, enalteço um sorriso ali... e vou. De olhos fechados num trecho do caminho, de olhos bem abertos em outro. Sigo fazendo caretas e contraindo sem reservas todos os músculos do rosto. Porque, apesar dos pesares, e graças a eles, tenho vida por dentro. Ora procrastino, ora desatino. Desafino, canto hinos. E sigo. Contraditória e coerente. Mestra. Maestra de mim. Sigo assim. De joelhos machucados, de coração cheio de cicatrizes e sempre taquicárdico. Lindo, eufórico, vivo. Eu sigo, porque enquanto o amanhã não chega (e ele nunca chega), a vida prevalece. Pre. va. le. ce. Porque, por mais que eu almeje o amanhã, é o instante que me apetece. Eu sigo porque quero mais. Eu quero mais do hoje. Eu quero mais de mim. Eu quero mais dor, se for ter mais sabor. Não me farei de rogada... que venham mais cicatrizes no pacote da vida completa. E vamos mergulhar no sentimento. Mergulhar, sim. Nada de molhar só os pés. É, eu sigo. Ora racional, ora emocional. Ora deliciosamente e lentamente tomada por ambos. Sigo eu. Tentando mostrar quem sou, escondendo. Escondo hoje, mostro amanhã. Ou, se eu quiser, te mostro tudo hoje. Difícil, porque sou tantas. Muitas. Muito. Muito mais do que o eu que você vê.