quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A conexão expirou



Suspira e tenta de novo. Mais uma vez. Uma. E duas. E três. Droga! A conexão expirou... Conecta a pecinha, aperta o fio, liga e desliga, tenta-de-no-vo. A conexão expirou. Mas por que ela tanto expira, ó céu, ó vida, ó azar? Conexão, ligue-se, minha filha (ela se vê conversando com a co-ne-xão): expiração é passiva. Larga mão de ser mané! Contrai logo esse diafragma, cria logo uma pressão negativa nesse pulmão que o deus das tecnologias te deu e, pelo amor dos deuses, INSPIRA! Alguém passa por perto e ouve o monólog... digo, conversa. Pensa que ela anda bem inspirada. É, inspirada ela sempre foi mesmo. Com ou sem prefixo. Seria a inspiração uma piração interna? 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Engoli a noite e ela se tornou parte de mim





E aí você engole a noite. Lá de cima, o vento te acaricia. Gelado, gostoso, envolvente. Por todos os lados, as luzes da noite te cercam. Te reverenciam. À direita, prédios com quadradinhos iluminados, algumas pessoas nas sacadas. À esquerda, luzes amontoadinhas, brancas, amareladas, azuladas, roxinhas. Um ponto vermelho mais acima indica um grande mercado. A cidade. Pessoas, pessoas. Boas, más, lindas, feias, sensacionais, banais. À sua frente, a passarela. Abaixo de você, seus pés Reais. A Realeza é você. Rainha de si. E você prossegue. Um pé a frente do outro, sem pressa e sem demora. Nos ouvidos, um som te embala. Cheiro de café invade as narinas. Mais a frente, o cheiro da comida do jantar. Algumas televisões ligadas no noticiário, um senhor fumando cigarro, uma moça saltando do ônibus de bolsa e celular no ouvido. Crianças rindo e bebês chorando. É a vida que não para. É a vida, incessante, pulsante, que continua altiva. Seu coração taquicárdico te mostra que você é o que está mesmo pensando que é. Rainha, realeza, princesa, especial. E você engole, preenchendo os alvéolos e cada célula pulmonar: de ar, da noite, de vida. Prossegue e percebe que não consegue conter o sorriso no canto do lábio. Uma lágrima quase cai, enquanto percebe que não precisa de grandiosos braços para se auto-abraçar. Contém o grito e ele implode: NÃO HÁ VIDA EXTERIOR SE ELA NÃO SE FORMA DENTRO DE SI!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Eu, por minha conta


A maturidade, percebo hoje, não é algo que vem de uma só vez e fica. A maturidade chega aos poucos, de mansinho. Dia após dia, a maturidade é depositada em nossa conta. Em nossas costas. Pensamentos tortos, preconceitos bobos, medos ilógicos. A maturidade vem e empurra tudo isso pra longe da conta, da vida e das costas. E ela nunca atinge a plenitude. E é aí que mora a "interessância" (criei agora- qualidade do que é interessante) da vida. Sempre seremos imaturos. Sempre seremos bebês em busca de desenvolvimento. É assim que deve ser. Eu estou melhor agora. Melhor que ontem. Muito mais mulher. Muito mais bem resolvida. Eu estou feliz. Um pouco insatisfeita com o resultado de algumas colheitas. Mas eu plantei arroz, como vou querer colher milho? E agora, é cuidar da terra e plantar direitinho o que eu quero. Viver do meu jeitinho. E me amar devagarinho.


Arquivo morto


Tenho tara nos teus detalhes. 

Salivo com o gosto que imagino em minha boca. 

Gosto do percurso que meus dedos traçam ao contornar os teus lábios. 

Desejo a forma dos teus dedos. 

Anseio pelo foco dos teus olhos nos meus.

 Devaneio e me lambuzo em teu mel.

 É você, que não passará de um projeto no papel.