quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Engoli a noite e ela se tornou parte de mim





E aí você engole a noite. Lá de cima, o vento te acaricia. Gelado, gostoso, envolvente. Por todos os lados, as luzes da noite te cercam. Te reverenciam. À direita, prédios com quadradinhos iluminados, algumas pessoas nas sacadas. À esquerda, luzes amontoadinhas, brancas, amareladas, azuladas, roxinhas. Um ponto vermelho mais acima indica um grande mercado. A cidade. Pessoas, pessoas. Boas, más, lindas, feias, sensacionais, banais. À sua frente, a passarela. Abaixo de você, seus pés Reais. A Realeza é você. Rainha de si. E você prossegue. Um pé a frente do outro, sem pressa e sem demora. Nos ouvidos, um som te embala. Cheiro de café invade as narinas. Mais a frente, o cheiro da comida do jantar. Algumas televisões ligadas no noticiário, um senhor fumando cigarro, uma moça saltando do ônibus de bolsa e celular no ouvido. Crianças rindo e bebês chorando. É a vida que não para. É a vida, incessante, pulsante, que continua altiva. Seu coração taquicárdico te mostra que você é o que está mesmo pensando que é. Rainha, realeza, princesa, especial. E você engole, preenchendo os alvéolos e cada célula pulmonar: de ar, da noite, de vida. Prossegue e percebe que não consegue conter o sorriso no canto do lábio. Uma lágrima quase cai, enquanto percebe que não precisa de grandiosos braços para se auto-abraçar. Contém o grito e ele implode: NÃO HÁ VIDA EXTERIOR SE ELA NÃO SE FORMA DENTRO DE SI!

2 comentários:

Mensagem Efêmera disse...

Engulamos a noite antes que ela nos engula!

Mensagem Efêmera disse...
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