segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Eu. Me. Curei. De. Você



Meu Deus! Como é gostoso dizer isso! Ela faz questão de escrever a frase do título pau.sa.da.men.te. E de saborear cada letrinha... cada fonema, cada movimento labial e lingual necessário pra produzir cada sílaba. Uma lágrima quase escorre de sua alma. Sim, da alma. Ela respira fundo e percebe que, junto com o ar, a vida também entra novamente pra dentro de si. A doença se foi. O fogo apagou. O controle da situação de volta em suas mãos. De onde nunca deveria ter saído. Que lindo! Que lindo! QUE LINDO!



4º Motivo da Rosa





Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos.
Ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

(Cecília Meirelles)






Li no instagram de uma amiga. E me perguntei: como eu ainda não havia lido isso? Um dos poemas mais lindos que já vi. Tenham uma excelente semana... 

domingo, 11 de novembro de 2012

O dia que foi lindo sem jamais ter sido...



Num dia, aquele que nunca chegou, provou pra todo mundo que não precisava provar nada pra ninguém. E, sufocada e presa por tamanha liberdade, gritou em silêncio, no meio do nada e sozinha, estourando os tímpanos de quem estava perto. Um silêncio estrondoso, tão alto que parecia um sussurro. Tão bonito que aterrorizava. Tão estranho que até parecia dela. Deitada, correu de si mesma. Seus olhos sorriam de tristeza. Sua boca gemia de amor. Despiu-se de roupa nenhuma. Sentia-se cansada da nudez escancarada das roupas pesadas. A louca sã terrivelmente encantadora. A mais familiar que jamais conheci. O paradoxo em forma de gente. Gente em forma de paradoxo. O gozo de dor. O desespero do despudor. Ela, que será eternamente, sem jamais ter sido. E nada... jamais... poderá mudar tudo.