segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Dorme, meu bem.



Deletou tudo. Havia escrito umas bobagens clichetosas. É, clichetosa. Do Mirellês "provido de clichê". Neologizou nesta segunda escrevinhada. E nem se importou com o fato de se fazer de "deusa da gramática". Criou palavras, escreveu diferente de tudo-e-de-todos... e foda-se, que ela estava era feliz por ser autêntica. Estava tendo ultimamente profundo tédio com as repetições melódicas, filosóficas, sentimentais, banais e cotidianas. Citação de autores de livros sequer lidos, lugares-comuns, frases prontas. As pessoas vomitam ideias, pensamentos, letras; repetem coisas, dia após dia, acomodam-se dentro de si de um jeito tão confortável que adormecem. Adormecem dentro de si. Viram zumbis. Robôs. Se a gente passa distraído e não repara, parecem gente. Piscam, andam, tomam café, vestem-se padronizadamente e às vezes perfumam-se conforme conveniência social dos outros robôs. Sorriem, dão bom dia, falam do tempo. Parecem gente, mesmo. Até parece que pensam, se olharmos com um pouco menos de atenção. Mas são robôs, não pensam não. Dormiram no conforto comodista de seus umbigos. E quem dorme não raciocina. Quem está em coma aceita o que lhes é imposto. E se não for chacoalhado, aí é que é gostoso. Joguem pra eles suas ideias açucaradas,  deem-nos livros que embalem seus sonos, esfreguem em suas caras frases aleatórias de autorias duvidosas com palavras amorosas, vidísticas e pseudo-sábias. Nada que lhes desperte. Porque aí incomoda. Aí o bicho pega! 

Um comentário:

Mensagem Efêmera disse...

Ser clichê é tão chato.