domingo, 27 de outubro de 2013

Sobre ser mulher, mãe, menina e vivente deste mundo...

Eu sou mulher, mas acima de tudo eu sou mãe. Eu jamais desvincularei um título do outro. Ser mulher não desmerecerá jamais meu lado mãe e vice-versa. Ambas, mulher e mãe, são completas e inteiras dentro de si. De mim. E eu, como mulher-mãe, não posso me dar ao luxo de fazer birra pra vida. Não posso dar moral por muito tempo pra menina que ainda me habita. Por mais que as coisas não aconteçam do jeito que quero, por mais que eu me frustre, me magoe, me corte todinha por dentro... eu não posso deixar morrer o sorriso. Não posso dar razão à emoção e nem matar quem sou de verdade, por mais que tenha vontade. Há uma dupla de pequenos seres humanos esperando sempre o meu aval e buscando sempre luz nos meus olhos. É através da lente dos meus que eles começarão a olhar por eles mesmos. É no meu sorriso que buscarão conforto. É na minha sabedoria adquirida com o tempo que se nortearão. Deus, que medo. Que medo dos meus pensamentos tortuosos, do sorriso opaco e dos olhos vermelhos que por vezes que assaltam. Que medo da certeza da imaturidade que às vezes toma conta de meus pensamentos... Que medo de ser tanto pra eles e muitas vezes me achar tão incapaz... Que o medo e a menina birrenta não me dominem. Que o sorriso brilhe, que o amor transborde, que a mulher-mãe tenha pulso firme... não é só por mim. Há nove anos não é... E nunca mais será. #Amém

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Bete Neves e o nojo

Algo enojava Bete Neves. Algo revirava lá dentro de seu estômago e a fazia perder o apetite, o desejo, o tesão e a vitalidade. Por muito tempo ela pensou que fossem as “pessoas”. Ou os fatos e atitudes dos que se auto-denominavam “humanos”. Mas que tola, Bete! Tu te enojas é de ti mesma. Dessa tua mania feia de querer ser gente num mundo de robotizados. “Eu tenho nojo de ser tão complexa, questionadora e tão diferente nesse mundo padronizador, superficial e seguidor de massa”, concluiu Bete. E tinha mesmo. Tinha nojo de ter sempre essa avidez por mergulhos profundos num mundo de águas rasinhas, rasinhas. Tinha nojo de não conseguir buscar aqueles olhos pra dentro de onde ela verdadeiramente existia: dentro dela. Ah... coitada de Bete... tinha nojo de ter o choro frouxo e o coração exposto na palma da mão, mas aos mesmo tempo trancado com quinze chaves tetra e com senha de oito dígitos. Bete tinha nojo de sonhar, de querer cuidar e do TOC que a fazia arrancar pedaços de si mesma e sair se doando. Bete tinha nojo de ser boa. De ter sangue circulando nas veias. De ter cérebro. "Pra quê cérebro?" Questionava-se, Bete... "Pensar só fode a cabeça. Felizes são os ignorantes.", acreditava ela. Bete tinha nojo de acreditar nas desculpas esfarrapadas de quem não quer complexidade. E de enojada a nojenta (e desumana e robotizada) é um pulo. Pula logo, Bete Neves! "As flores de plástico não morrem..."

(Mirella, devaneando em textos ruins. Já escreveu melhor, mas é o que ela tem pra hoje)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Menina...


Menina, foge. Se está doendo, sai em disparada, controla os teus soluços... e foge. Menina, corre pra longe da dor... corre pra perto de ti. Se está doendo, expulsa a dor, chora, vomita a dor pelos olhos. Menina, não importa se já tens quase trinta se quando dói a gente ainda tem quase sete. Menina, menina... te doma! Te coloca nas rédeas, te orienta, te retoma! A dor te fere mas não é dona de ti. A dor não faz parte da tua meninez, pequena. Teu sorriso é quem tu és, só isso. Expulsa, expulsa, menina. Deixa bem vazio esse coração, limpa tudo, faz faxina, deixa estéril e prontinho pra caberes em ti de novo. Menina, como podes ser feliz e despontar sorrisos em outros corações se não te tens nas próprias mãos? Menina, corre logo pra longe da dor, corre logo pra perto de ti...






domingo, 29 de setembro de 2013

Sobre as minhas anteninhas

Eu devia ser investigadora. Não há nada que eu não descubra e não há um sinal de hesitação que me passe desapercebido. A ignorância é, sim, uma bênção, e a falta dela é apavorante e frustrante pra uma pisciana. Piscianos pintam mundos cor de rosa e pessoas incríveis, traçam planos lindos, lindos, lindos... e se somar isso tudo a um profundo sexto sentido e a uma mania de stalkear fora do comum, o resultado são constantes desmoronamentos de castelos, angústia, insegurança, descrença e dor. O que estou fazendo na fisio? Eu devia ganhar dinheiro com esta merda...

Migalhas? Não, obrigada.



Meu raciocínio: se eu desejo MUITO e posso ter só um pedacinho, então eu não quero mais porra nenhuma. Porque a vida é muito curta pra passar vontade e pra ficar se corroendo e salivando. Um pedacinho é pior que nada, porque só desperta mais vontade. É simples, basta não querer mais.

Dê seu jeito ou invente a sua desculpa...

As desculpas de quem não quer sempre saltam aos olhos... Só não vê quem se faz de cego. Eu tenho tempo pra tudo o que eu realmente quero na minha vida. Pra tudo. E você também tem, todo o mundo tem. O que muitas vezes não se tem é vontade. Aí se arranja a desculpa. Da falta de tempo, de dinheiro, de meios. As vinte e quatro horas são as mesmas pra todo o mundo. Todos têm cérebro, até que se prove o contrário. Organização, prioridades, cortes de coisas que empatam a vida, estratégias, tudo isso fará com que você tenha tempo (e dê seu jeito) pra absolutamente tudo o que te importa. Agora, se não te importa, malandro comodista... arranje aí uma desculpa e fala aqui com a minha mão zzzzzzzzzzzz.

Pense, pense, pense... pare!

O meu mal é pensar demais. Pensar demais enlouquece, trava a ação, traz insegurança. Pensar demais tece caminhos enraizados e multifacetados que te fazem perder a rota, o chão, o tino. Pensar demais cria conjecturas, sonhos mirabolantes, expectativas pré-frustrantes. Pensar demais agoniza e imobiliza. Vou parar de pensar demais. E vou começar agora. Sem revisão de texto e sem pensar três vezes antes de postar ou não. Só uma. Foi.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O vilão, a lesão e o não...

Desanimar não é fraqueza. É humano. É só o recuo pro impulso. É aquela parada pra retomar o fôlego. É a descida até o fundo pra impulsionar a mola e subir à toda. Ainda tenho resquícios de infância, do castelo-cor-de-rosa em que tudo corre perfeitamente lindo e sem contratempos e aí, se um vilão, uma lesão ou um não aparecem, a menina que ainda tenho faz birra, chora e se tranca dentro de si. Você ainda não tem esses resquícios de infância? Parabéns, seu perfeito. Aqui é vida real, baby. E eu estou de volta. Com medos, inseguranças, desejos, sonhos e sem nenhum equipamento de proteção especial. Aqui é pele nua no vento. É peito aberto e rosto exposto pra vida. Ou seja, é dar a cara a bater mesmo. Vou apanhar? Vou. Sofrer? Muitas vezes. Vou ter cicatrizes? Certamente. Mas dentro da casca é que eu não vou ficar.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Eu não sei amar

É, eu não sei. Eu amo demais. Eu amo até que me doa os ossos. Eu amo até que minhas energias se esgotem e meus neurônios se fundam. Eu amo com uma intensidade corporal, visceral, emocional absurdas. Absurdas, absurdas, absurdas. E assusta. Amor como o meu assusta. Dói em mim o meu amor. Amar me cansa. Amar me dilacera e me desassossega. 

domingo, 1 de setembro de 2013

Sweet September...



Agosto se despediu e eu até podia abusar da poesia e dizer que uma lágrima se foi de mim junto com ele. Vivi em agosto. Meu agosto, que nunca foi desgostoso, desta vez se superou em delícia. Precoce que sempre fui, floresci foi nele mesmo; nem esperei a primavera do vizinho dizer que chegou, enfim, com seu perfume doce e seu vestido estampado. Experimentei, redescobri, enfatizei-me, desejei, gargalhei em demasia, sofri de leve, morri um pouquinho, ressuscitei em mim. Agosto durou um ano inteiro, e foi embora levando meu cheiro nele todo, alguns medos e nenhum pedaço. Cheguei inteira pra você, setembro. Mais leve, mais em paz, com menos "mas". Cheguei com sede pra sorver seus dias. Cheguei com o regozijo de quem chega em casa. Querendo tirar o calçado, pôr os pés pra cima, tirar a mochila das costas e respirar profundamente. Sim, deixei muita coisa pesada nas vielas agostinas, mas ainda há peso na mochila. E como agora aqui é minha casa, setembro, deixa-me... deixa-me leve o peso das costas.

(Mi, uma setembrina)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Nove anos

São quase três. Ele já foi dormir. Apagou rápido de tão cansado. E eu fiquei aqui, elaborando uma lista do que ele tem a fazer pra terminar o trabalho a tempo... Fico aqui pensando se tanto esforço vai realmente fixar conhecimento... se o fato dele ter ficado hoje de manhã decorando quais palavras são com g e com j e mais um monte de decoreba realmente vão resultar em conhecimento do bom... daquele que fica, que agrega, que faz ser um indivíduo melhor, preparado pro mercado de trabalho e pra vida, sabe? Aí eu vejo que cobro, mas cobro para que cumpra com o que pede o "sistema"... Não quero isso. Quero que meu filho pense. Quero ensiná-lo a pensar. Então vejo que não estou tão errada, pois se cobro que estude o g e o j que pede a escola, por outro lado eu compro o livro que ele tanto queria... Porque o que eu sei da vida é que é assim que se aprende a nossa língua... É lendo, e não decorando... E eu penso tudo isso agora, enquanto recorto figura e limpo a sujeira da cola do trabalho sobre o barroco brasileiro... vocês estudaram isso, né? Ainda lembram? Pois bem no fundo do meu coração de mãe eu espero que esse trabalhão de hoje, que fez meu menino de 9 anos dormir às 2 bem no dia do seu aniversário, sirva pra que ele ainda lembre do barroco lá quando tiver seus 30. Ah, as mães e seus corações de menina sonhadora! É. Acho que vou terminar de limpar tudo, tomar banho e ir dormir minhas duas horinhas, já que logo mais tenho que acordar, trabalhar, ser mulher-mãe... por eles... por esse menino que me fez virar mãe com 18. Por esse príncipe Dourado, que me assustou por estar tão fora dos meus planos de vestibulanda... E que logo se redimiu por me fazer mais forte, por me fazer madura e leoa ainda cedinho. Que me deu força e saúde pra enfrentar o vestibular, sim!, a faculdade, sim! E ser mãe ao mesmo tempo, SIM! Te amo, meu menino. Nove anos, nem acredito! Te amo, com um amor tão puro, que nem chega aos pés de qualquer palavra humana.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Insights


Descobri que sou uma tímida que gosta de plateia.
Descobri que sou uma acomodada que acha uma delícia sair da zona de conforto.
Descobri que sou uma romântica sem-vergonha.
Descobri que sou pisciana... mas com pimenta.
Descobri que sempre construí um mundo ballet-valsa-cor-de-rosa e que recentemente tenho desfeito tijolo por tijolo e construído um outro mundo ao lado, um mundo capoeira-rocknroll-vermelho sangue.
Descobri que sou corajosa. E tenho medo. Que sou a tal. E sou insegura. Que sou inteligente. E bem burrinha. Que me gosto. Que me odeio.
Descobri que ainda tenho um monte de mim para eu descobrir. E que temo nunca ter fim. Prazer, sim.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sobre joguinhos psicológicos (Ou mimimi: o retardamento psicológico coletivo)

O que eu penso: se você já passou dos 20, joguinhos (em qualquer área da vida) do tipo "quero-mas-vou-fingir-que-não-pra-me-valorizar-ou-por-qualquer-outra-porra-de-motivo" é... patético. E só mostra sua insegurança pessoal. E só mostra que não, você não se respeita, nem se valoriza. Quem se respeita diz sim quando quer dizer sim. E não, quando quer dizer não. E manda se foder quando quer mandar se foder (mesmo que seja só com os olhos). Diga o que quer dizer. Respeite a si mesmo. Respeite as outras pessoas, elas não são obrigadas a querer jogar seu jogo infantil. Diga. Com respeito, mas diga. É simples. É fácil. E é bem bonito.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ah, verão...


Sou amante do inverno, mas hoje bateu saudade do verão. Amo enlouquecidamente grandes ventanias e chuvas torrenciais, mas hoje me deu vontade de sol no rosto, cheiro de mar, marca de biquini, dourado na pele. O frio sempre me dá colo, carinho, cafuné, beijos na bochecha. É meu amor, não vai mudar. Já eu e o sol nunca fomos muito amigos, mas de vez em quando rola um tesão. Hoje deu vontade de verão, luz ofuscante, calor no corpo, no coração. E é por isso que eu não me limito. Não sou só UM adjetivo. Nem apenas "a moça que gosta de frio". Sou livre pra gostar do que minha mente diz que devo. Sou infinita, inesgotável, recarregável. Sou assim. Num instante não. No outro, sim.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

E o estômago, porra?



Se eu sobreviver a junho ilesa e sem lesar ninguém, juro que poderei sobreviver a qualquer outra agrura desta e de outras vidas. Facadas por todos os lados, provas de resistência e de paciência, nado ao lado de cobras peçonhentas, lição de moral de quem já perdeu faz tempo, juízes criminosos me dando sentença, portos seguros desmoronando e o cão gargalhando na minha cara. Saúde cardíaca e mental acho que conseguem suportar, mas e o estômago?


sábado, 8 de junho de 2013

Quando são verdadeiros...


O instante feliz em que sinto meu corpo gelado aquecer com o sol brilhante do inverno, ao me sentar com minha caneca de café no quintal de casa, com meu livro bom e o som dos meus filhos rindo ao fundo... E o instante triste em que acordo esmigalhada por dentro sem causa definida, sem vontade alguma de exteriorizar qualquer coisa que venha dali, de dentro de mim. São dois instantes sublimes, senhoras e senhores. Dois instantes que merecem meu mais alto grau de respeito e consideração. Você pode chamar como quiser; eu chamo de felicidade e tristeza puras, originais, brutas... verdadeiras. Acredito, com toda a minha fé, que a veracidade de sentimentos sempre vem de causa desconhecida. Não depende de fatos, pessoas, condições. São sentimentos que surgem do ar que me penetra os pulmões. E devem ser respeitados e cultivados. É do âmago que brota o sentimento sem falsificações e sem sombra de dúvidas. Não são ruins. Eu acredito na verdade do que acontece por acaso. São estes sentimentos que me reparam como bálsamo, e me fortificam pra viver de verdade até o fim da linha. Serão sempre bem vindos. 



(Mirella, junho de 2013, genuinamente feliz debaixo do sol de quase-inverno. Dê-me licença, vida, que eu tô passando...)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Da boca pra dentro



Tinha ideias que só funcionavam dentro dela. Eram conexões lógicas que se deturpariam assim que expostas ao ar intrépido, cáustico e aflitivo que existia da boca pra fora. Não era tola a ponto de submeter seu próprio mundo às mutações carcinogênicas do ambiente. Então calava pra fora. E o verbo gritava pra dentro. Transcorria fervendo por agitação molecular. Até que, vez ou outra, encontrava um novo mundo interior pra compartilhar do seu. O encontro de dois mundos não tem verbo, não tem ponto, não tem letra. Não se explica, só se sabe.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Dona



Já vivi 100 anos em menos de 30. Já sofri demais por (pensar que era) amor. Já agi só pra agradar. Já me moldei ao pensamento torto alheio. Agora eu vou me agradar. E hoje só vem comigo quem entender que sou dona dos meus desejos. Só me dá a mão quem é ciente que sou dona dos meus atos. Só faz parte da minha vida quem entende que sou dona do meu corpo. Corem, descabelem-se, cochichem: sou dona de mim.

Maquiagem borrada, descabelada, com olheiras e enlouquecida. Dona de mim. Feliz.

sábado, 20 de abril de 2013

Não esperava


Dentre as muitas coisas "não esperadas" daquele dia, ele ali, de braços abertos, foi a mais mágica. Ela nunca imaginou estar em um lugar como aquele, assistindo àqueles shows, usando aquela roupa (abadá?) e dançando aquelas músicas. Mas foi, pondo em prática seus planos de saídas mais frequentes da casinha chamada "zona de conforto". Foi. Dançou, bebeu, saiu de si, bebeu, bebeu, bebeu de novo, riu, chorou, desviou de gente conhecida e conheceu gente desconhecida.. Perdeu-se de uma amiga e telefonou pra ela em meio à multidão, enquanto se esbarrava em periguetes suadas, homens lindos molhados de cerveja e casais se pegando em meio ao som do Latino... Não a encontrou de imediato, mas ali, com o celular no ouvido, concentrada na ligação não completada, ela o viu. O "não esperado" mais delicioso de todos, de braços abertos pra ela, dançando e sorrindo, pedindo licença com os olhos e a acalmando com a boca. Ela excluiu o número do celular dele assim que chegou em casa. O que foi perfeito, não precisa mais ser tocado.  

terça-feira, 9 de abril de 2013

Socorro!!

Quero ler os 1654984 livros que me interessam e estão na fila, quero programar milhares de aulas interessantes e variadas pros meus alunos de Pilates, quero me disciplinar mais no estudo do inglês e criar uma rotina de estudos pro mesmo (afinal, estou pagando e tendo aulas todos os sábados), quero pesquisar uma boa pós e finalmente começá-la, em uma das duas áreas que tanto gosto, quero reservar de uma vez por todas o meu hotel pro Congresso de Pilates que vai acontecer nos próximos meses,  quero estudar alguns casos da ortopedia que têm me intrigado, quero ler mais pros meus filhos e ajudar mais nos deveres de casa, quero sair mais com eles, viajar e fazer passeios divertidos, quero voltar a correr, quero fazer Pilates, quero arrumar meu guarda-roupas que está uma zona, quero comprar uns objetos pra auxiliar na organização da casa e que estão fazendo falta, quero comprar produtos pra minha pele e ir mandar manipular o que a dermato me passou (tô achando que vai expirar a maldita data da guia), quero fazer pelling e limpeza de pele, quero prestar mais atenção no meu corpo cheio de dores (ohhh fisioterapeuta), quero cortar meu cabelo com urgência, quero marcar uma boa gineco, quero escrever mais no blog e comentar em todos os que eu sigo e adoro, quero planejar viagens, quero encontrar meus amigos, quero ir visitar e tomar um café com os avós paternos dos meus filhos, os padrinhos deles e as minhas amigas... quero namorar mais, quero dormir 8 horas, peloamordedeus, quero aprender francês e italiano e, alemão, por que não? E ainda PRECISO ter um tempo pra não fazer nada e apenas respirar, todo o santo dia... Como faz??? É pedir demais?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Desce desse altar!

-Desce desse altar!

Foi o que eu ouvi esses dias. De uma pessoa importante pra mim.
Quer saber? Não desço, não.
Não desço. Porque foi tão difícil o meu transporte até ele, o altar. 
Meu altar me custou suor, dedicação, capricho minucioso... tudo pra deixá-lo perfumado, arejado, confortavelmente decorado e com a iluminação e o som ambiente perfeitos (nunca gostei dessa palavra, mas serve pr'aqui).
Foi tão difícil conquistar, por mim, esse amor. Não que antes não houvesse amor. Sempre houve. Mas hoje eu me amo com um outro tipo de amor. Um amor como os amores devem ser, sabe? Desprendido e ciente de si. Sereno e altivo. Um amor "não-tenhamos-pressa-mas-não-percamos-tempo", de Saramago. 
Então o altar me pertence; coloco-me lá, SIM. 
Mas não se preocupe. Não desço do altar, mas de maneira nenhuma me santifico. Não quero discípulos nem seguidores. De divindade, quero apenas a imortalidade. Desejo este que quero ir aos poucos deixando pelo caminho (faz-se necessário este desapego). Não vou descer do altar, ele é importante pra mim e eu quero estar lá. Não vou descer. Mas quero vocês comigo nele. Na minha casa, no meu santuário pecaminoso e limpo, no meu universo particular tão cantado por Marisa Monte. É como eu disse lá no texto anterior: entra quem EU quiser, sai QUEM QUISER.
Não me peça pra descer do meu, construa em si mesmo o seu. Não me esqueça de convidar pra entrar- e não me esquecerei de CONQUISTAR um convite. :)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Nua


Entrei numa onda-  numa vibe, numa fase, ou como quer que você chame- de nudez. Larguei de mão o apego a vestes que já não me cabem. Tenho tido compulsão por me sentir nua e leve. É libertador deixar escapar pelas mãos, assobiar e sorrir sem olhar pra trás, jogar no lixo e permitir que se vá. Hoje não quero mais apego que aperta, roupa que sangra, quilos que me sobrecarregam, pertences que já não me pertencem e que só me tiram espaço. Espaço! Área, ar circulante, vento, brisa, céu aberto. Chega de ser sufocada por monstros viciantes e rotineiros. Chega de não conseguir mais entrar em mim mesma por falta de espaço. E chega de escavar escombros e assombros pra tentar chegar. Quero ter a opção de mergulhar; e não permanecer submersa e cianótica no lodo causticante que voluntariamente criei ao meu redor. Quero estar na superfície arejada e de portas abertas. Encher-me de boas energias, pra que entre só o que me soma, o que me reaviva, o que me pega pela mão e me traz ainda mais pra perto de mim. Portas abertas, repito. Portas bem abertas, enfatizo: pra que entre quando quero e saia quando quer. Para que haja fluxo, trânsito contínuo, metamorfose ambulante. Para que evolua e possa entrar; para que involua e possa sair. Nua, leve, suave, vazia de tudo o que sobrecarrega: é assim que eu quero agora. Meus joelhos agradecem. 

domingo, 24 de março de 2013

Tchibum





Acordou de mansinho
Beijou
Foi beijada
Abraço
Friozinho
Carinho

Cuidou da pele 
Leu um capítulo
Viu um vídeo lindo
Riu
Lacrimejou de cantinho

Olhou sua imagem 
E saboreou um café
Já de pé
"Que perfeito!": 
Miragem?

Trabalho árduo pela frente
Êxtase por tê-los 
Domínio de euforias pacíficas
Autoamor
Sorriso recíproco pro espelho

Segurança das fraquezas pessoais
Sapiência de limites
Tesão por desafios

Recuo tsunâmico
Calmaria que antecede
Paz
Agito
Mistura

Texto findo
Ponto extinto

Ilógica sã
Consciência  louca

Palavras tortas e esquisitas 
pra uma vida que te estranha
Em-folha, nova, aflita

Tchibum
(Eu) mergulho na vida



(And I feel like a mermaid, hahaha)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Gira, mundo.


Hoje quero meu mundo de cabeça pra baixo. Quero deitar no céu. Azul ensolarado, escuro-noturno-excitante-radiante, cinza ensimesmado ou fim-de-tarde púrpura-uva; não importa: quero assim, de camarote, assistir a oceanos desabarem em chuva. 

Quero brincar de iluminar o trajeto dos meus pés no meu chão celestial usando estrelas como lanterna; ver com olhos de fascínio o escuro-noturno-excitante-radiante virar vertiginosos tons de cinza, gargalhar da alusão ao livro ruim, jogar fachos de luz de molecagem lá pra cima, pras coisas terrenas e sagradas, pros oceanos e pros humanos...

Por fim, sossegar sem fôlego e olhar pro lado- um lado imenso, semi-infinito-e perceber constrangida que, opa!, a luz vem é do Sol, meu Sol, minha estrela, meu bonito. Rá, vem do Sol! Querido, que se esconde e me dá folga de sonhos aflitos, que traz noite quando dorme e traz clareza quando apaga. Sol, que se expõe e me traga. Que se põe e, de mimos, me estraga. 


É, Sol, hoje quero te tirar de cima da cabeça e te colocar debaixo dos pés. Quero te pisar e te ver esquentar bem de pertinho. Mas, veja só, não sei se te encho de amor ou se  te encho de enganos: o motivo da inversão foi, na verdade, a chuva de oceanos.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Amigo ou muleta?


Quero amigos, não muletas. Quero ser livre na presença deles. Quero me sentir em casa ao lado deles, onde  quer que estejamos. Quero ver verdade em seus olhos e sentir amor em seus abraços. Quero que tolerem meus defeitos, que me aguentem em meus piores momentos. Que me sacudam e vomitem verdades doloridas diretamente na minha cara. Quero dividir meu êxtase e compartilhar a vida, mas apenas com quem permitiu que eu dividisse minhas dores dilacerantes. Quero que vivam lindamente, que façam novas amizades, que encontrem o amor de suas vidas, que andem sempre com as próprias pernas. Mas que não me vejam como apoio, bengala, dispositivo de auxílio prum momento de desequilíbrio, destes facilmente descartados quando se adquiri novamente o prumo. Quero ser importante. Quero somar. Quero verdade. Quero reciprocidade. Se não for assim, então que ao menos eu continue considerando a mim como a minha melhor companhia. Que eu seja feliz na minha presença. Que você me descarte, pseudoamigo. É, vá em frente. A vida é efêmera demais para amizades de mentirinha. Que os verdadeiros fiquem (sempre ficam). E que os novos venham logo. 


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Hoje tá foda


Hoje tá foda. Hoje eu quero me esconder ainda mais. Quero mergulhar ainda mais fundo dentro dessa lama protetora que me envolve. Dentro dessa gosma melequenta e repulsiva que criei e nutri esses anos todos pra esconder minhas vergonhas. E pra esconder minhas maravilhas. Sim, elas também. Se mostrasse a segunda, haveria de mostrar a primeira. Não estava e não estou preparada. Hoje me sinto especialmente mal. Um lixo completo. Feia, gorda, desinteressante, preguiçosa, comodista, sonhadora... uma completa idiota. Convivo diariamente com pessoas com quem não compartilho nenhuma visão sobre a vida... e não, não vejo meios no momento de me afastar. Não há. Tenho de suportar, de cabeça baixa. Indigna. Idiota. Odeio o que vejo no espelho. Odeio o que fiz de mim até o momento. Odeio o fato de ter me trancado tanto, tanto, tanto dentro de mim, que hoje, se eu sumir por uma semana ou mais, poucos sentirão a minha falta. E sentirão depois de um bom tempo. E vão sentir e vai passar loguinho. Hoje tá foda ter que admitir isso. Hoje tá foda ter que me expor desse jeito. Talvez eu não publique. Mas só talvez. Porque, se tá foda, então vamos meter o "foda-se" de uma vez. É uma pena que hoje eu não venha inspirada. Esse blog já foi tão bonito! Já me encheu tanto de alegria. Já escrevi textos dos quais tanto me admiro! Mas hoje, retrocedendo em minha memória, vejo que talvez tenha sido uma alegria ilusória. Tola, como sempre fui, desde criança. Sentar a bunda nesta cadeira e escrever não resolve meus conflitos. Não resolve a minha vida. Não me reorganiza. Não. Hoje eu choro aqui. Não que isso importe. Não que isso te toque, leitor imaginário. Não. Choro do que fiz de mim. Choro de dor de garganta. Choro com febre. Choro- vai saber?- pelo inferno astral em que me encontro. Choro porque tanto amei quem tanto recusou. Choro porque nas vezes em que me olham com desejo, tenho devolvido com repulsa. Porque não me sinto bem em mim. Não posso me dar ao luxo de ser feliz. Não me permito. Choro porque afastei pessoas na mesma velocidade em que me afastei de mim mesma. Choro porque queria uma vida e só sonhei com ela. E sonho não te faz feliz. Sonho não enche barriga. Sonho é pra realizar. Eu nunca tive uma vida. Eu sempre procrastinei a minha felicidade. Sempre posterguei meus suspiros. Não, não me olhe com desejo... tenho medo. Não quero. Eu tenho medo. De nunca conseguir voltar à superfície. Mais medo ainda porque nem sei se um dia cheguei à mesma. E porque tenho certeza que terei de fazê-lo sozinha. Por falta de mãos pra alcançar. Sim. Mas também porque sei que me recusarei a segurar qualquer rara mão que, porventura, tentar me alcançar.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Mais mil chuvas...




Ontem choveu. Hoje, também. Choveu uma chuva calma, com gotas sincronizadas e oblíquas, vento frio, suave, que entrava pela janela e acariciava a alma. Sem som de vozes, sem som humano. Apenas a melodia e o show dela. Estonteante e arrebatadora. Ela sabe... sabe que me fascina. Eu fui lá fora. Senti na pele o líquido gelado e abençoado. Meu bálsamo. Meu ninho. Lembrei das vezes em que tomei banho na praia debaixo da chuva, na infância, casa de uma tia. E depois entrávamos, tomávamos um banho quente e um café aconchegante. E, aquecida, assistia ao meu show preferido: o da natureza. Eu sempre soube de que não precisava de muita coisa. Eu um momento como esse, adulta ou criança, não importa, sei que não precisaria de mais nada. Hoje, agora (amanhã não sei), se pudesse fazer aos céus um único pedido- mas sei que posso fazer muitos- seria poder viver intensamente e na pele, ao lado dos meus... mais mil chuvas.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Eu os amo

Eu os amo 
com um amor que transcende.
Eu os amo
com fragilidade humana,
dor mortal,
instinto animal.
Eu os amo 
em cada célula. 
As minhas, 
as deles, 
as nossas fundidas.
Eu os amo, 
com um amor frágil, 
precioso, 
impregnado.
Arraigado em mim. 
Irreversível.
Eu os amo 
com dor materna, 
com medo humano, 
com paz divina,
com euforia feminina.
Eu os amo.
E traduzi-lo 
é tolice.
O que sinto 
não merece
tradução leviana.
Não há.
Não há tradução.
É amor?
Talvez não.
É mais.
É mais que amor.
É sobrenatural, 
é lindo, 
puro, 
infinito...
Infinito.
Colossal.
Eu os amo.
Amo, 
amo,
amo.
E de pequena, 
agiganto-me 
diante do que tenho 
em mim.
Ergo-me da mortalidade 
e lanço-me ao amor DIVINO.
Se há uma certeza
na minha vida,
não é a da morte 
me esperando 
no fim do caminho...
É que, 
com amor, 
ela não chega.
Espreita-me, 
mas não chega.
Amo. 
Amo. 
Amo.
Nunca, 
nada, 
nem a vida, 
nem a morte,
impedirá
 meu "mais-que-amor" 
de atuar.





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Comece! E não pense!

Comece! E não pense!
 
Nem parece eu, mas foi exatamente assim que criei coragem pra enfrentar esse post. Um post de blog que, sei, irá muito aquém do que posso escrever nos últimos dias. Textos dignos e belos têm me tomado como moradia, todos embaralhados, com nós difíceis de desatar, todos lindos e imaturos querendo sair. Tenho lido muito. Tenho me recolhido em mim como quase sempre e quase nunca. A ideia de interação fora da casca não tem me agradado. Sinto-me como no útero materno. Bebê, aconchegante, acomodada, sem paciência pra ideias ocas, conversas tolas e gente vazia. Ao mesmo tempo, paradoxalmente, tenho sentido necessidade de gente. De toque, de beijo, de amor. Sinto falta de uma porra de "eu te amo", no fundo dos olhos. Talvez eu nunca tenha sido amada como amei. Talvez nessa existência minha eu precise apenas disso mesmo: amar, amar, amar absurdamente... Tão escondida de mim nos outros a ponto de temer qualquer olho no olho que me arrisque ser descoberta. Como se, ao me observarem um pouco mais atentamente, vejam quem realmente sou: "Olha, é você aí dentro! Eu vejo! Que diferente..."
Eu disse que esse texto estaria aquém do que posso. E está mesmo. Tenho coisas boas pra escrever. Tenho muito de mim a oferecer. À vida, ao blog, a quem ousar me descobrir (tirar a coberta). Mas, hoje eu atendi à ordem, apenas. A ordem que me dei ao me deparar com meu blog que tanto me confortou em anos passados, mas próximos: "Comece! Não pense!"
Como disse, nem parece eu... Mas que bobagem. Eu sou tantas... Mesmo que, na maioria das vezes eu tenha dito: "Não comece! Pense!"
O contrário também é verdadeiro. Sou milhares. Tediosa e sem rotina. Linda, feia. Jovem, velha. Sem nexo. Sem nexo. Sem nexo.
 
 
(É só um texto impensado e começado. Relevem.)