quarta-feira, 27 de março de 2013

Nua


Entrei numa onda-  numa vibe, numa fase, ou como quer que você chame- de nudez. Larguei de mão o apego a vestes que já não me cabem. Tenho tido compulsão por me sentir nua e leve. É libertador deixar escapar pelas mãos, assobiar e sorrir sem olhar pra trás, jogar no lixo e permitir que se vá. Hoje não quero mais apego que aperta, roupa que sangra, quilos que me sobrecarregam, pertences que já não me pertencem e que só me tiram espaço. Espaço! Área, ar circulante, vento, brisa, céu aberto. Chega de ser sufocada por monstros viciantes e rotineiros. Chega de não conseguir mais entrar em mim mesma por falta de espaço. E chega de escavar escombros e assombros pra tentar chegar. Quero ter a opção de mergulhar; e não permanecer submersa e cianótica no lodo causticante que voluntariamente criei ao meu redor. Quero estar na superfície arejada e de portas abertas. Encher-me de boas energias, pra que entre só o que me soma, o que me reaviva, o que me pega pela mão e me traz ainda mais pra perto de mim. Portas abertas, repito. Portas bem abertas, enfatizo: pra que entre quando quero e saia quando quer. Para que haja fluxo, trânsito contínuo, metamorfose ambulante. Para que evolua e possa entrar; para que involua e possa sair. Nua, leve, suave, vazia de tudo o que sobrecarrega: é assim que eu quero agora. Meus joelhos agradecem. 

domingo, 24 de março de 2013

Tchibum





Acordou de mansinho
Beijou
Foi beijada
Abraço
Friozinho
Carinho

Cuidou da pele 
Leu um capítulo
Viu um vídeo lindo
Riu
Lacrimejou de cantinho

Olhou sua imagem 
E saboreou um café
Já de pé
"Que perfeito!": 
Miragem?

Trabalho árduo pela frente
Êxtase por tê-los 
Domínio de euforias pacíficas
Autoamor
Sorriso recíproco pro espelho

Segurança das fraquezas pessoais
Sapiência de limites
Tesão por desafios

Recuo tsunâmico
Calmaria que antecede
Paz
Agito
Mistura

Texto findo
Ponto extinto

Ilógica sã
Consciência  louca

Palavras tortas e esquisitas 
pra uma vida que te estranha
Em-folha, nova, aflita

Tchibum
(Eu) mergulho na vida



(And I feel like a mermaid, hahaha)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Gira, mundo.


Hoje quero meu mundo de cabeça pra baixo. Quero deitar no céu. Azul ensolarado, escuro-noturno-excitante-radiante, cinza ensimesmado ou fim-de-tarde púrpura-uva; não importa: quero assim, de camarote, assistir a oceanos desabarem em chuva. 

Quero brincar de iluminar o trajeto dos meus pés no meu chão celestial usando estrelas como lanterna; ver com olhos de fascínio o escuro-noturno-excitante-radiante virar vertiginosos tons de cinza, gargalhar da alusão ao livro ruim, jogar fachos de luz de molecagem lá pra cima, pras coisas terrenas e sagradas, pros oceanos e pros humanos...

Por fim, sossegar sem fôlego e olhar pro lado- um lado imenso, semi-infinito-e perceber constrangida que, opa!, a luz vem é do Sol, meu Sol, minha estrela, meu bonito. Rá, vem do Sol! Querido, que se esconde e me dá folga de sonhos aflitos, que traz noite quando dorme e traz clareza quando apaga. Sol, que se expõe e me traga. Que se põe e, de mimos, me estraga. 


É, Sol, hoje quero te tirar de cima da cabeça e te colocar debaixo dos pés. Quero te pisar e te ver esquentar bem de pertinho. Mas, veja só, não sei se te encho de amor ou se  te encho de enganos: o motivo da inversão foi, na verdade, a chuva de oceanos.