quarta-feira, 20 de março de 2013

Gira, mundo.


Hoje quero meu mundo de cabeça pra baixo. Quero deitar no céu. Azul ensolarado, escuro-noturno-excitante-radiante, cinza ensimesmado ou fim-de-tarde púrpura-uva; não importa: quero assim, de camarote, assistir a oceanos desabarem em chuva. 

Quero brincar de iluminar o trajeto dos meus pés no meu chão celestial usando estrelas como lanterna; ver com olhos de fascínio o escuro-noturno-excitante-radiante virar vertiginosos tons de cinza, gargalhar da alusão ao livro ruim, jogar fachos de luz de molecagem lá pra cima, pras coisas terrenas e sagradas, pros oceanos e pros humanos...

Por fim, sossegar sem fôlego e olhar pro lado- um lado imenso, semi-infinito-e perceber constrangida que, opa!, a luz vem é do Sol, meu Sol, minha estrela, meu bonito. Rá, vem do Sol! Querido, que se esconde e me dá folga de sonhos aflitos, que traz noite quando dorme e traz clareza quando apaga. Sol, que se expõe e me traga. Que se põe e, de mimos, me estraga. 


É, Sol, hoje quero te tirar de cima da cabeça e te colocar debaixo dos pés. Quero te pisar e te ver esquentar bem de pertinho. Mas, veja só, não sei se te encho de amor ou se  te encho de enganos: o motivo da inversão foi, na verdade, a chuva de oceanos.

2 comentários:

Inaí Souza disse...

E você consegue me dizer que não é escritora? Até eu fiquei com uma vontade de chuvade oceano agora... Escrever é isto: atingir a alma das pessoas (e te garanto que você conseguiu alcançar a minha com o teu texto).

Inaí Souza disse...

E você consegue me dizer que não é escritora? Até eu fiquei com uma vontade de chuvade oceano agora... Escrever é isto: atingir a alma das pessoas (e te garanto que você conseguiu alcançar a minha com o teu texto).