quarta-feira, 5 de junho de 2013

Da boca pra dentro



Tinha ideias que só funcionavam dentro dela. Eram conexões lógicas que se deturpariam assim que expostas ao ar intrépido, cáustico e aflitivo que existia da boca pra fora. Não era tola a ponto de submeter seu próprio mundo às mutações carcinogênicas do ambiente. Então calava pra fora. E o verbo gritava pra dentro. Transcorria fervendo por agitação molecular. Até que, vez ou outra, encontrava um novo mundo interior pra compartilhar do seu. O encontro de dois mundos não tem verbo, não tem ponto, não tem letra. Não se explica, só se sabe.

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