domingo, 27 de outubro de 2013

Sobre ser mulher, mãe, menina e vivente deste mundo...

Eu sou mulher, mas acima de tudo eu sou mãe. Eu jamais desvincularei um título do outro. Ser mulher não desmerecerá jamais meu lado mãe e vice-versa. Ambas, mulher e mãe, são completas e inteiras dentro de si. De mim. E eu, como mulher-mãe, não posso me dar ao luxo de fazer birra pra vida. Não posso dar moral por muito tempo pra menina que ainda me habita. Por mais que as coisas não aconteçam do jeito que quero, por mais que eu me frustre, me magoe, me corte todinha por dentro... eu não posso deixar morrer o sorriso. Não posso dar razão à emoção e nem matar quem sou de verdade, por mais que tenha vontade. Há uma dupla de pequenos seres humanos esperando sempre o meu aval e buscando sempre luz nos meus olhos. É através da lente dos meus que eles começarão a olhar por eles mesmos. É no meu sorriso que buscarão conforto. É na minha sabedoria adquirida com o tempo que se nortearão. Deus, que medo. Que medo dos meus pensamentos tortuosos, do sorriso opaco e dos olhos vermelhos que por vezes que assaltam. Que medo da certeza da imaturidade que às vezes toma conta de meus pensamentos... Que medo de ser tanto pra eles e muitas vezes me achar tão incapaz... Que o medo e a menina birrenta não me dominem. Que o sorriso brilhe, que o amor transborde, que a mulher-mãe tenha pulso firme... não é só por mim. Há nove anos não é... E nunca mais será. #Amém

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Bete Neves e o nojo

Algo enojava Bete Neves. Algo revirava lá dentro de seu estômago e a fazia perder o apetite, o desejo, o tesão e a vitalidade. Por muito tempo ela pensou que fossem as “pessoas”. Ou os fatos e atitudes dos que se auto-denominavam “humanos”. Mas que tola, Bete! Tu te enojas é de ti mesma. Dessa tua mania feia de querer ser gente num mundo de robotizados. “Eu tenho nojo de ser tão complexa, questionadora e tão diferente nesse mundo padronizador, superficial e seguidor de massa”, concluiu Bete. E tinha mesmo. Tinha nojo de ter sempre essa avidez por mergulhos profundos num mundo de águas rasinhas, rasinhas. Tinha nojo de não conseguir buscar aqueles olhos pra dentro de onde ela verdadeiramente existia: dentro dela. Ah... coitada de Bete... tinha nojo de ter o choro frouxo e o coração exposto na palma da mão, mas aos mesmo tempo trancado com quinze chaves tetra e com senha de oito dígitos. Bete tinha nojo de sonhar, de querer cuidar e do TOC que a fazia arrancar pedaços de si mesma e sair se doando. Bete tinha nojo de ser boa. De ter sangue circulando nas veias. De ter cérebro. "Pra quê cérebro?" Questionava-se, Bete... "Pensar só fode a cabeça. Felizes são os ignorantes.", acreditava ela. Bete tinha nojo de acreditar nas desculpas esfarrapadas de quem não quer complexidade. E de enojada a nojenta (e desumana e robotizada) é um pulo. Pula logo, Bete Neves! "As flores de plástico não morrem..."

(Mirella, devaneando em textos ruins. Já escreveu melhor, mas é o que ela tem pra hoje)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Menina...


Menina, foge. Se está doendo, sai em disparada, controla os teus soluços... e foge. Menina, corre pra longe da dor... corre pra perto de ti. Se está doendo, expulsa a dor, chora, vomita a dor pelos olhos. Menina, não importa se já tens quase trinta se quando dói a gente ainda tem quase sete. Menina, menina... te doma! Te coloca nas rédeas, te orienta, te retoma! A dor te fere mas não é dona de ti. A dor não faz parte da tua meninez, pequena. Teu sorriso é quem tu és, só isso. Expulsa, expulsa, menina. Deixa bem vazio esse coração, limpa tudo, faz faxina, deixa estéril e prontinho pra caberes em ti de novo. Menina, como podes ser feliz e despontar sorrisos em outros corações se não te tens nas próprias mãos? Menina, corre logo pra longe da dor, corre logo pra perto de ti...