segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Bete Neves e o nojo

Algo enojava Bete Neves. Algo revirava lá dentro de seu estômago e a fazia perder o apetite, o desejo, o tesão e a vitalidade. Por muito tempo ela pensou que fossem as “pessoas”. Ou os fatos e atitudes dos que se auto-denominavam “humanos”. Mas que tola, Bete! Tu te enojas é de ti mesma. Dessa tua mania feia de querer ser gente num mundo de robotizados. “Eu tenho nojo de ser tão complexa, questionadora e tão diferente nesse mundo padronizador, superficial e seguidor de massa”, concluiu Bete. E tinha mesmo. Tinha nojo de ter sempre essa avidez por mergulhos profundos num mundo de águas rasinhas, rasinhas. Tinha nojo de não conseguir buscar aqueles olhos pra dentro de onde ela verdadeiramente existia: dentro dela. Ah... coitada de Bete... tinha nojo de ter o choro frouxo e o coração exposto na palma da mão, mas aos mesmo tempo trancado com quinze chaves tetra e com senha de oito dígitos. Bete tinha nojo de sonhar, de querer cuidar e do TOC que a fazia arrancar pedaços de si mesma e sair se doando. Bete tinha nojo de ser boa. De ter sangue circulando nas veias. De ter cérebro. "Pra quê cérebro?" Questionava-se, Bete... "Pensar só fode a cabeça. Felizes são os ignorantes.", acreditava ela. Bete tinha nojo de acreditar nas desculpas esfarrapadas de quem não quer complexidade. E de enojada a nojenta (e desumana e robotizada) é um pulo. Pula logo, Bete Neves! "As flores de plástico não morrem..."

(Mirella, devaneando em textos ruins. Já escreveu melhor, mas é o que ela tem pra hoje)

Um comentário:

O Gato do Balaio disse...

Conheço a Bete....
kkkkkk