quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Meus demônios


Volta e meia o seu chão vai brincar de ir ali “dar uma voltinha e já volta”... É, ele tem dessas coisas, esse travesso. E você que providencie algo em que se apoiar pra não mergulhar no abismo. E você sempre providencia. Aí, meu caro, o drama-mor está formado. Sente, pegue a pipoca e o chá verde e assista ao espetáculo dos seus demônios interiores fazendo a festa dentro de você. Deixe que te rasguem, que te sangrem, que te empurrem o coração pela boca. Deixe que lágrimas te corroam a face, que gargalhadas de desespero te invadam a boca, que você pense que vai sucumbir e enlouquecer. Assista quietinho, nada de alardear e contar pro outro. O outro nunca entenderá o seu espetáculo. O outro tem os demônios dele, o espetáculo dele (assim eu espero, pro bem de todos e felicidade geral da nação) e o seu vai lhe dar sono, por maior que seja o empenho do outro em tentar te entender. E contar pro outro vai te distrair, seu tonto! Shhhh, quieto, assiste, aprenda, sofra, deixa a tua alma se foder em paz! Quando o espetáculo apagar, o chão, aquele matreiro, vai voltar. Aproveite pra descansar os braços, já fortalecidos de tanto segurar pra não cair no buraco escuro e assustador sob seus pés, e caminhe. Você já tem chão, é hora de caminhar. Pra onde? Pra perto de você novamente. Reintegração de posse. Afinal, meu caro, enquanto você estava comendo pipoca e assistindo seus dramas, a vida não parou. E há coisas esperando pelo seu retorno. Uma loucinha pra lavar, no mínimo.
Mirella de Oliveira, pra ela mesma.
10 de janeiro de 2014






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